Um casamento feliz

31 07 2009

Nas minhas estantes, tenho mil e oitocentos livros. Sei disso porque contei-os, um a um, num dia desses em que estava contrariada com o que havia ouvido numa reunião de amigos: “Você, Clotilde, acumula livros demais. Devia doar pelo menos a metade às bibliotecas de bairros, tão carentes.”

Bem, se as bibliotecas são carentes a culpa é dos governantes e secretários da área, que não as equipam de forma adequada. Não é minha obrigação suprir essa lacuna. Pago meus impostos em dia, todos eles, sendo isso sim a minha obrigação. Mesmo assim fui à estante ver do que podia abrir mão. E encontrei alguns livros, não muitos, que separei para um biblioteca dessas aí que me recomendaram.

Mas a questão que quero falar aqui nessas poucas linhas é outra. É sobre o apego aos livros. Não me considero apegada a nada, no sentido de que penso que nenhum objeto material é fundamental para a minha felicidade. Tenho, gosto de ter, mas se não tenho ou não puder ter não fico infeliz. Sou há anos leitora de Khrishnamurti, que prega o desapego. E desapego não tem nada a ver com você dar as coisas, mas com você não precisar delas para ser feliz. Sou colecionadora incurável, e há uma série de objetos que venho juntando dentro de um contexto de coleção. Já falei aqui sobre essas coleções. Mas sou organizada, e minha casa não tem excesso de nada.

A pessoa da frase acima disse que eu doasse “livros que jamais iria abrir de novo”. Aí eu pergunto: o que é isso? Nas décadas de 1970/1980 li todos os livros das memórias de Pedro Nava. São seis volumes: “Baú de Ossos”, “Balão Cativo”, “Chão de Ferro”, “Beira-Mar”, “Galo das Trevas” e “O Círio Perfeito”. Numa dessas arrumações das estantes, há uns dez anos, dei todos. Supostamente, eram livros que eu jamais iria abrir de novo.

Alguns dos tais 1.800.

Alguns dos tais 1.800.

Depois disso comecei a estudar Genealogia e a escrever minhas memórias; de repente os livros do Pedro Nava começaram a se tornar indispensáveis. Lá fui eu e comprei tudo outra vez. Mas a edição moderna veio num tipo muito pequeno que eu não conseguia ler com conforto. Então, doei os seis novos e comprei de novo os seis da edição antiga.

Por essas e outras é que continuo com meus 1.800 livros, nesse casamento tão feliz.





Goiânia, e seu zoo

30 07 2009
Goiânia vista do zoo.

Goiânia vista do zoo.

Em 2006 fiz uma viagem grande pelo Brasil e entre os lugares que vi e que gostei está a cidade de Goiânia. Na verdade, a minha ida a Goiânia foi mais para de lá ir a Goiás Velho, a antiga capital do estado de Goiás – da qual já falei em outro post. O caso é que, chegando em Goiânia, e como Goiás Velho só me consumiu um dia, resolvi conhecer a atual capital do estado.

Uma das primeiras coisas de que gostei foi que no hotel me informaram que eu ia poder andar para onde quisesse, a pé e sozinha, que a cidade era segura. E eu fui mesmo. Saí num feriado, de manhã, pelo centro da cidade, fui a museu, entrei em igrejas, andei, virei, mexi, depois peguei um ônibus e atravessei a cidade para ir a um shopping. Uma tranquilidade, ninguém me incomodou e em nenhum momento me senti insegura. Adorei a cidade, virei fã.

Imagine um hipopótamo...*

Eu adoro os hipopótamos!

O que mais gostei em Goiânia foi o Zoológico, onde passei, digamos assim, o “miolo” deste dia maravilhoso. Cheguei lá umas nove e meia da manhã e saí era quase duas da tarde, de onde peguei o ônibus – o sistema de transporte também era muito bom – para ir ao shopping.

O curioso é que o zoológico de Goiânia é no centro da cidade, uma verdadeira ilha abençoada por árvores e uma vegetação luxuriante, com animais de todo o tipo – eu, que sou doida por bicho, quase enlouqueço diante dos animais, todos muito bonitos e bem tratados. Fiz dezenas de fotos. Fiquei muito triste há uns dias quando vi no Jornal Nacional que alguns animais tinham morrido de causas desconhecidas – uma onça, um hipopótamo, uma girafa, um jacaré… -  e quando vi na televisão o grande hipopótamo estirado no chão, inerme e inútil, fiquei pensando: será este o mesmo bicho que eu fotografei naquela manhã maravilhosa?

Guardo boas recordações e no meu celular, até um dia desses, havia ainda gravado o grito dos macacos, que eu usava às vezes como campainha de alerta avisando que algum chato estava me ligando…

Veja algumas fotos que fiz, em tamanho maior.

Quais serão os sonhos dele? Alguma gazela ágil e saltadora?

Quais serão os sonhos dele? Alguma gazela ágil e saltadora?

Bem alimentada, ela deu um mergulho e agora procura um local para cochilar...

Bem alimentada, ela deu um mergulho e agora procura um local para cochilar...

Enquanto os outros bichos dormem, ele está sempre ocupado com algo.

Enquanto os outros bichos dormem, ele está sempre ocupado com algo.

Que lugar lindo, minha gente! Merece uma visita.

Que lugar lindo, minha gente! Merece uma visita.





Ode ao gato

29 07 2009
Julio Braga III, "Olhinhos Ternos"

Julio Braga III, "Olhinhos Ternos"

Muitos estudos científicos têm mostrado que aquelas pessoas que possuem animais de estimação são menos estressadas e têm menos tendência às doenças cardíacas. Muita gente não vive sem o seu bichinho: cachorro, gato, passarinho e peixinho no aquário são os mais comuns, embora eu já tenha visto gente criando toda espécie de bicho esquisito, incluindo aí um jacaré, que o dono, conhecido meu, conduzia por uma coleira, como se fosse um cão, enquanto o bicho brincava de abocanhar os calcanhares de quem estivesse por perto.

Já tive toda espécie de bicho. Desde a cadela Tirolesa e o galo-de-campina cantador na minha infância ao cachorro Sultão na adolescência e depois os gatos, inúmeros, na casa da minha mãe e depois na minha própria casa, além dos peixinhos de aquário.

Everaldo Tavares

Everaldo Tavares

Mamãe tinha mania por bichos, e lembro-me de Balalaika, a cotia, que viveu conosco muito tempo; uma coruja; e até o jabuti, que atende pelo nome de Tupiara, velhíssimo, quase da minha idade, que ainda vive na minha casa em Natal.

Irlanda santa Cruz e Teobaldo Capuleto

Irlanda santa Cruz e Teobaldo Capuleto

Mas a minha paixão mesmo são os gatos. Muitos já fizeram parte da minha vida. Galileu, sábio, pintado de preto e branco; Everaldo, o gato cinzento que me abandonou uma noite e nunca mais voltou; Júlio Braga III, o gato amarelo, terceiro com este nome, cujo apelido era “Olhinhos ternos”; e Teobaldo, o rei dos gatos, o rei do pedaço, ainda vivo e deslumbrante com seus líquidos olhos contornados de preto, sensual como uma odalisca.

Considero o gato uma das criações mais perfeitas da natureza. É limpo, elegante, preciso, silencioso, auto-suficiente, o que não acontece com os cachorros, que dão mais trabalho do que uma criança pequena e levam todo o tempo livre a cavarem o jardim em busca de ossos inexistentes.

Um beijinho em Galileu...

Um beijinho em Galileu...

Para encerrar essa conversa sobre gatos, recomendo a leitura do belíssimo poema de Pablo Neruda “Ode o gato”onde, entre outras coisas, ele diz: “Não há unidade / como ele, / não tem / a lua nem a flor / tal contextura: / é uma  coisa só / como o sol ou o topázio, / e a elástica linha em seu contorno / firme e sutil é como / a linha da proa de uma nave. / Os seus olhos amarelos / deixaram uma só / ranhura / para jogar as moedas da noite . // Oh pequeno imperador sem orbe, / conquistador sem pátria, / mínimo tigre de salão, nupcial / sultão do céu / das telhas eróticas, / o vento do amor / na intempérie / reclamas / quando passas / e pousas / quatro pés delicados / no solo, / cheirando, / desconfiando / de todo o  terrestre, / porque tudo / é imundo / para o imaculado pé do gato.”

E Mark Twain, outro apaixonado por gatos, completa: “Se fosse possível cruzar o homem com o gato melhoraria o homem, mas pioraria o gato.”

E eu assino embaixo.





Criatividade em 140 caracteres

28 07 2009

Andei lendo por aí que o ganhador do Nobel, o escritor português José Saramago, disse numa entrevista ao jornal O Globo, que o uso do Twitter ia causar uma involução da comunicação que terminaria por levar a Humanidade a se entender através de grunhidos.

Para quem não sabe, o Twitter é uma das mais recentes ferramentas da Internet, e funciona como um micro-blog onde você só pode escrever 140 caracteres. Para participar, não precisa ser convidado por ninguém: você vai no endereço do site <http://twitter.com>,  faz uma conta, cria um nick e pronto: já está participando. Pode postar, seguir outros twitteiros que você considerar interessantes e por sua vez ser seguido por outros se eles acharem que vale a pena.

O Twitter não é bom nem ruim: é apenas um dos inúmeros recursos de comunicação que existem na rede, e você pode usá-lo como bem entender, como se faz com blogs, sites, MSN, orkut e outras ferramentas semelhantes.

Sou twitteira há quase seis meses, e, contrariando Saramago, provo por A mais B que é possível ser criativo em 140 caracteres. Veja abaixo uma seleção das minhas postagens, incluindo algumas em versos, pois descobri que cabe uma sextilha inteira em 140 caracteres! Sugiro que leia os versos em voz alta, para erceber a cadencia e as rimas.

1 – Fato real acontecido em João Pessoa:

Jibóia de três metros de comprimento passeia sossegadamente em bairro residencial de João Pessoa, mas morre atropelada ao atravessar a rua. (23-07-2009)

2- Perguntava-se: “Qual é sua idade mental?”

“Idade mental”? Minha idade é a seguinte: pernas e pés com 280 anos; coluna com 100; coração com 30; sentidos com 2; e juízo de 14 anos. (23-07-2009)

3 – Twitteiros respondiam um teste na Internet que estimava a data da morte.

Quando eu vou morrer? Quando ninguém mais se lembrar de mim. Aí, estarei definitivamente morta, mortinha da silva.(22-07-2009)

4 – Sobre o “namoro” de Lula com Sarney e Collor:

“Lula defende Sarney e abraça Collor”. Quem se espanta com isso? Os homens são todos iguais! E esses aí são mais iguais do que a maioria… (17-07-2009)

5 – No Dia Mundial do Rock:

O rock está comigo desde os meus 12 anos de idade. Tenho 61. Acabou o sexo, acabaram as drogas, permanece o rock and roll. (13-07-2009)

6 – Olha a sextilha para o “Fora Sarney!”

Escutando a voz das ruas/Lá se grita uma só lei:/Combater o senador/Que quer direitos de rei/Grite comigo nas praças/ Bem alto: Fora, Sarney!! (29-06-2009)

7 – Saindo da dieta:

Um Eskibon pesa 48 gramas, tem 150 calorias e toneladas de culpa.(09-06-2009)

8 – As drogas e eu:

Depois de tantos anos de abstinência e dieta, basta cafeína e açúcar preu ficar completamente de barato. Triste fim para esta velha junkie. (18-05-2009)

9 – Decepcionada com Gabeira:

Na noite da ceia larga/Judas vendeu e traiu/E quando Cristo foi preso/Pedro temeu e mentiu/No festival das passagens/Até Gabeira caiu… (22-04-2009)

10 – E finalmente a de hoje sobre a gripe suína:

A tal da gripe suína/Não traz novidade não/Hospital já é chiqueiro/Doente come ração/E os grandes porcos já roncam/No topo dessa nação.

Minhas twittadas são reproduzidas neste site na coluna da sua direita. Venha também, junte-se a nós.





Comemorando outra vez

27 07 2009

Pois não é que ontem este blog completou quatro meses no ar? E eu passei batida, sem comentar a efeméride. Sim, meu caro leitor, porque eu estou muito feliz com esta experiência de blogar todo dia, excetuando uma vez ou outra que, por falta absoluta de condições, eu falto a esse encontro.

Desde que comecei, no dia 26 de março, foram até agora 118 posts, com um total de 18.700 visitas. O dia mais visitado foi o dia 6 de julho, quando escrevi o post O rapaz, a moça e o sistema, com 358 visitas; e o post mais visitado até hoje é – pasmem! – um que escrevi sobre a história do clip de papel e que tem o título O triunfo do design.

Há dois meses, o blog tinha uma média de 100 visitas por dia; hoje está com 280 em média. E repito que é uma honra para mim que esse monte de gente deixe de fazer outras coisas para ler o que escrevo, olhar as figuras ou pelo menos clicar em algo dentro do blog. De coração, agradeço a todos e me considero eterna devedora de cada um de vocês.

O numero de leitores pode parecer pouco a alguns. Eu mesma conheço pessoas como eu, que têm blogs com mais de 3.000 visitas por dia, mas geralmente são blogs temáticos, que se tratam de um assunto específico, e por isso formam um exército de seguidores fiéis, interessados naquele assunto. O Umas & Outras é um blog sem tema fixo, feito sem nenhum objetivo a não ser canalizar essa minha mania de escrever e de meter o bedelho em tudo. Por isso, fico satisfeita com essas médias, que podem parecer modestas a alguns mas são perfeitamente satisfatórias para mim.

051-046-01-Woman-JoggingUma coisa boa é que com apenas quatro meses de blog, mesmo com essa temática assim dispersa, eu consegui um PageRank 3. O PageRank é uma medida que o Google utiliza para estabelecer a credibilidade de um site ou blog. Varia de zero a dez, e para você ter uma idéia, o meu é 3, o Sempre Algo a Dizer, de Sandro Fortunato – referido ao lado, nos meus links preferidos – é 4, o De(coeur)ação é 5 e o UOL e o Terra oscilam entre o 6 e o 8. A grande maioria dos blogs e sites do mundo tem Page Rank zero.

Para saber o PageRank de qualquer página clique aqui.

Para saber mais sobre o que é PageRank clique aqui e aqui.

Quanto aos comentários, continuo respondendo a todos, uns diretamente no blog e a maioria pessoalmente e já fiz alguns amigos virtuais desde que iniciei esta experiência. Uma experiência que está sendo cheia de prazer, graças a vocês, meus queridos leitores, que aqui aparecem e dão o ar de sua graça.





“… eu vou lhe deletar do meu MSN…”

26 07 2009
Minha foto no Orkut

Minha foto no Orkut: despertando paixões incontroláveis! ;-)

Muita gente pede para ser adicionado ao meu Orkut. Devo adiantar que não uso muito o Orkut, e só tenho uma conta lá porque descobri que muita gente não sabe se comunicar por e-mail, usando o Orkut para isso. Uso também para encontrar pessoas, o que tem me auxiliado muito na pesquisa que faço no campo da Genealogia de famílias.

Como sou uma pessoa mais ou menos pública, que escreve em jornais, muitas pessoas que me lêem pedem para ser adicionadas à minha lista de amigos e eu adiciono todas, indiscriminadamente, mesmo que não as conheça. Se, a partir daí, começam a me mandar mensagens que não me interessam, eu vou lá e “elimino” a pessoa. Também apago todos os meus recados e não coloco nenhuma informação pessoal no meu perfil, e nem fotos.

Muito bem. Aí, nesta semana, adicionei alguém que vou chamar de… Guga. Não é o nome dele. Pela foto parecia ser um jovem aí dos seus 20 anos, sem camisa, com uma praia ao fundo. Podia ser até um dos inúmeros sobrinhos-netos que tenho e sequer conheço, filho dos filhos dos meus primos, por exemplo. Aí, ele pediu para adicioná-lo ao MSN, eu adicionei, e travou-se o seguinte diálogo real, nesta tarde de sábado, 25 de julho de 2009.

guga2009@hotmail.com diz:
oi
guga2009@hotmail.com diz:
td bem

Clotilde  diz:
quem é vc?

guga2009@hotmail.com diz:
eu tivi no orkut

Clotilde diz:
eu lhe conheço?

guga2009@hotmail.com diz:
não

Clotilde diz:
e então?

guga2009@hotmail.com diz:
vc tem namorado

Clotilde diz:
Guga, eu tenho 61 anos. O que vc acha?

guga2009@hotmail.com diz:
eu gosto de mulheres mais experientes
guga2009@hotmail.com diz:
como vc

Clotilde diz:
Mas eu infelizmente gosto de homens MAIS experientes do que eu
Clotilde diz:
Infelizmente para você, é claro.
Clotilde diz:
Lamento

guga2009@hotmail.com diz:
hum

Clotilde diz:
E nao gosto de azaração na internet
Clotilde diz:
Então desculpe, me perdoe, e sugiro que vc não perca seu tempo comigo.
Clotilde diz:
Vale a pena tentar, eu sei, mas dessa vez nao deu certo.

guga2009@hotmail.com diz:
quem sabe ainda eu te convenso

Clotilde diz:
Escrevendo “convenso” e não “convenço”, acho que não vai dar… (hahahahaha)

guga2009@hotmail.com diz:
kkkkkkkk
guga2009@hotmail.com diz:
kk
guga2009@hotmail.com diz:
isso é msn

Clotilde diz:
Não senhor. Convenço com s é erro de ortografia.
Clotilde diz:
msn é blz, td, pq…
Clotilde diz:
Eu adicionei vc ao meu orkut porque pensei que era um leitor, sou escritora e muita gente que eu nao conheço entra na minha lista; mas como vc está interessado em uma coisa na qual eu não estou, novamente peço mil perdões, aconselho que insista com outras pessoas, e para evitar mais perda de tempo minha e sua vou lhe “eliminar”, ok? Sem mágoa.

guga2009@hotmail.com diz:
ok

Clotilde diz:
Boa sorte da próxima.

guga2009@hotmail.com diz:
mas se vc tiver afim de uma diversao
guga2009@hotmail.com diz:
estamos aí
guga2009@hotmail.com diz:
ok

Clotilde diz:
Guga, sem querer ser grosseira, e admirando a sua tenacidade, estou a fim, sim, mas com alguém mais velho, ok?

guga2009@hotmail.com diz:
ok
guga2009@hotmail.com diz:
mas eu acho q vc tem q curtir a vida

Clotilde diz:
E eu curto muito, vc nem imagina; mas com outras pessoas, e noutro contexto. Vai passear, Guga.

guga2009@hotmail.com diz:
desculpe

Clotilde diz:
Está desculpado
Clotilde diz:
Bye

guga2009@hotmail.com diz:
clotilde vc  conhece pessoas q gostem de gente mais novas

Clotilde diz:
Guga, estás me achando com cara de que? De pessoa que agencia encontros?

guga2009@hotmail.com diz:
foi mal
guga2009@hotmail.com diz:
eu so estava pergutando

Clotilde diz:
Cuidado com as perguntas… Você pode se complicar perguntando o que não deve a quem você não conhece.
Clotilde diz:
Estou educadamente encerrando a conversa, ok?
Clotilde diz:
Bye.

Esta é a rede mundial de computadores, a Internet, fonte de surpresa e diversão para mim, sempre, o tempo todo. Eu não agencio encontros amorosos mas… quem sabe? Se o meu caro leitor ou leitora é uma dessas pessoas q gostem de gente mais novas” e se sentiu convensido pelo Guga, quem sabe eu não envio em PVT o Orkut e o nome verdadeiro dele? Afinal, não custa nada tentar! ;-)





Goiás velho

25 07 2009

Uma leitora descobriu um texto meu perdido na Internet, um texto que escrevi sobre a cidade de Goiás Velho, quando lá estive em novembro de 2006. Escreveu-me um e-mail, encantada com o texto e as fotos. Aí, eu resolvi compartilhar aqui com os meus leitores do Umas & Outras depois de fazer algumas – pequenas – modificações.

As fotos vão após o texto, com legendas. Todas feitas por mim, de forma amadora e amorosa. O lindo dia ajudou muito.


Numa dessas minhas viagens, fui conhecer uma cidade que há muito cutucava a minha curiosidade: a cidade de Goiás, ou Goiás Velho, ou Vila Boa de Goiás, antiga capital daquele estado até que a capital foi transferida para Goiânia na década de 1930. Goiás também é a terra de Cora Coralina, a poetisa-doceira, e é lá que mora Dom Marcelo Barros, monge beneditino a quem admiro pela postura ecumênica que pratica à frente do Mosteiro da Anunciação do Senhor do qual é prior.

Patrimônio Mundial da Humanidade pelo seu casario e igrejas do século XVIII, é uma cidadezinha perdida entre serras, cortada pelo suave marulhar do Rio Vermelho. A cavaleiro da ponte fica a casa de Cora Coralina, transformada em museu, com os objetos da escritora arrumados de tal forma que dá a impressão que ela vai sair dali a pouco de um dos quartos ou da cozinha para se sentar na sua cadeira preferida, em um cômodo no miolo da casa, de onde podia ver tudo que acontecia à sua volta. Vestidos, sapatos, objetos pessoais, e a estante de livros, mostrando que Cora era uma leitora e eclética: vi desde Agatha Christie até a Pedra do Reino, de Ariano Suassuna.

Depois da casa de Cora foi um tal de subir e descer ladeiras, visitando igrejas e museus; e fiquei impressionada com o acervo do Museu de Arte Sacra da Boa Morte, que funciona na Igreja do mesmo nome e da qual sai a Procissão do Fogaréu, que tornam as comemorações da Semana Santa de Goiás famosas no Brasil inteiro. Vi, deslumbrada, as espetaculares criações do santeiro J. J. Veiga Vale, que viveu na cidade no século XIX, o palácio do Conde dos Arcos, a Igrejinha de São Francisco de Paula, o Mercado Público, o Museu das Bandeiras (antiga Casa da Câmara e Cadeia), o monumental Chafariz. Tudo isso, sem falar no casario esplendidamente conservado, faz de Goiás Velho um passeio imperdível. Fica a cerca de 140 km de Goiânia, e tem ônibus de hora em hora.

Além de ver os prédios e edificações, conversei com o povo. O sotaque torna às vezes a fala incompreensível, no ínício: mas com um pouco de boa vontade, começamos a nos entender e no final descobri que eles estavam rindo era do meu sotaque! Nesse clima, almocei lautamente feijão tropeiro, ensopado de chuchu e abobrinha, costela de porco. Comi o empadão goiano, cujo recheio é uma mistura de carne, frango, lingüiça, azeitona e temperos variados, tudo muito picante, e comi o famoso doce de frutas cristalizadas, um dos doces mais espetaculares que já comi na minha vida.

Turismo para mim é isso: andar sozinha, sem roteiro, sem guia, sem pacote, fotografando, perguntando, comendo, bebendo, conhecendo gente. Bom demais.

A casa velha da Ponte, morada de Cora Coralina, hoje museu.

A casa velha da Ponte, morada de Cora Coralina, hoje museu.

Igreja da Boa Morte, agora Museu de Arte Sacra. A única igreja barroca da cidade.

Igreja da Boa Morte, agora Museu de Arte Sacra. A única igreja barroca da cidade.

Igreja de São Francisco de Paula, legítimo exemplar do colonial goiano.

Igreja de São Francisco de Paula, legítimo exemplar do colonial goiano.

Mercado Público, com sua arquitetura neoclássica do início do seculo XX.

Mercado Público, com sua arquitetura neoclássica do início do seculo XX.

Almoço goiano, apimentado, engordativo, um veneno, uma delícia!

Almoço goiano, apimentado, engordativo, um veneno, uma delícia!





De clique em clique

24 07 2009

Uma das melhores coisas da Internet é ficar zapeando por aí, descobrindo coisas estranhas, divertidas, inteligentes, instigantes.

Trouxe algumas delas hoje para você.

1. Catálogo de manuscritos medievais: um primor. Eu passo horas enfiada num site desses, imaginando que estou na biblioteca do Mosteiro de Saint-Gallo…  AQUI.

2. Um Quadrante. Para navegar e olhar as estrelas. Eu não navego, mas olho estrelas, e gosto de saber a altura de edifícios, de árvores… Fiz um para mim, que mostro na foto. Usei papelão, um canudinho de refrigerante, um barbante e uma argola de um brinco velho. Fiz a graduação dos ângulos com um transferidor escolar. Faça um para você e aprenda a usar AQUI e AQUI.

3. O homem cobra. Um dançarino turco incrível, contorsionista, e muito, muito lindinho…

4. Me diga se não é um luxo este papel higiênico! Achei AQUI.

5. A Cega Natureza do Amor, novo livro de Patrício Jr, que foi lançado em Natal há uns dias. Para divulgar a noite de autógrafos, casais encapuzados namoravam no maior shopping da cidade. Veja mais AQUI e AQUI.

6. Vida de solteiro. Sem comentários. Clique AQUI.

7. O Livro Egípcio dos Mortos. Uma coisa belíssima, um documento impressionante que, por sobre os séculos que nos separam dele, ainda conserva a força e a estranha beleza dos rituais fúnebres do Antigo Egito. AQUI.

8. Torneira. Quer me agradar? Me dê uma dessa de presente! A azul, eu quero a azul. E tem mais AQUI.

9. Colar de crochê. Um primor de habilidade. Belo belo belo. Mas é preciso ter um colo de acordo. Como diz o cantador de viola, “o pescoço é quem confeita o colar”. AQUI.

10. E finalmente esse bicho estranho, que deve se chamar PhotoShop, que nem fui eu que encontrei: ele apareceu aqui de enxirido!

Para divulgar o lançamento, casais encapuzados namoravam no maior shopping da cidade.




A primeira televisão

23 07 2009

Hoje quero apresentar ao meu caro leitor um amigo. É Adauto de Andrade, que se auto-descreve no seu blog Legal como advogado, pai, marido, técnico, contador de causos, fuçador e curioso de um modo geral e acrescenta: não exatamente nessa ordem.

Adauto

Adauto

A propósito do meu post sobre a chegada do homem na Lua, Adauto me respondeu dizendo que ele só tinha um mês e meio quando o fato aconteceu, e que por isso não se lembrava.  E informou que a casa do pai dele, “… ainda que modesta – era a única que tinha televisão (presente de meu padrinho, que havia quebrado a tv a machadadas – mas isso é outra história). Minha mãe conta que nesse dia todos os vizinhos possíveis e imagináveis se reuniram em casa para ver as notícias naquela tv preto e branco a válvulas e recém reformada.

Bem, eu fiquei curiosa sobre aquela história da TV quebrada a machadadas e exigi o relato, que, sem mais delongas, segue abaixo.

Fala Adauto:

“Meu pai, vulgo “Seo Bento”, do alto de seus 72 anos, continua firme e ativo – ainda que aposentado – com uma oficininha de conserto de televisores no fundo de sua casa.

“Foi mecânico a vida inteira, tendo vindo de trem de Santa Rita de Jacutinga, MG, para São José dos Campos, SP, aos onze anos de idade. Sendo o mais velho de um total de doze irmãos (e irmãs) foi para roça para plantar arroz com a família e cerca de dez anos depois resolveu ir para cidade. Conseguiu emprego numa fecularia e mais tarde numa mecânica de caminhões, ambos da família Renó.. Quando a empresa faliu, foi para a Johnson e lá ficou até sua aposentadoria.

“Tudo isso é só para contextualizar.

iub“Lá na mecânica conheceu o sr. Nobilino, encarregado, e que viria a ser meu padrinho de batismo. Vida dura, casou-se, construiu sua casa e teve três filhos (sendo eu o caçula). Minha mãe contribuía na renda familiar com suas costuras, mas, para ajudar um pouco mais, meu pai fez um curso por correspondência para conserto de rádios e televisores no IUB – Instituto Universal Brasileiro. Sempre após o serviço ficava acordado até tarde, ainda na cozinha de casa, consertando rádios e outros aparelhos.

“Numa época em que televisão ainda era um luxo, meu padrinho, seu chefe, sujeito já estabelecido e com mais posses – mas dado a violentos acessos de fúria – havia comprado uma dessas máquinas de fazer doido. Mas não é que a televisão apresentou defeito? Mexe daqui, mexe dali, fuça, vira, tenta, esmurra, acabou ficando puto, levou aquela “geringonça” para fora, bem no meio do quintal, e extravasou sua raiva a golpes de machado no pobre aparelho…

tv-quebrada1“Não sobrou muito.

“Ciente de que meu pai estava dando seus primeiros passos naquela arte eletrônica, juntou os cacarecos que sobraram da vítima e levou até em casa.

“- Toma, Bento. Se você conseguir fazer essa porcaria funcionar, ela é sua.

“O que para outros seriam lixo, para meu pai foi uma oportunidade! Jamais que ele teria como comprar um aparelho daqueles naquela época!

“Desmontou tudo, arranjou madeira (sim, as tvs de então possuíam caixas de madeira – ótimas para cupins…), e, usando suas habilidades de marcenaria, fez outra caixa para a televisão. Economiza daqui, compra uma válvula dali, solda acolá e, não demorou muito, o aparelho voltou à vida!

“E essa é a história da primeira televisão que tivemos em casa…





O barulho vem de jegue

21 07 2009

Ontem à noite estava eu muito bem sentada às nove da noite vendo minha série favorita na TV. Na segunda feira, vejo C.S.I às oito no AXN, Medium às 9 no Sony e The Mentalist às 10 no Warner. Então eram nove horas em ponto e o capítulo de Medium mal havia começado quando um barulho ensurdecedor começou na rua em frente ao meu prédio.

jegueFui olhar o que era. No meio da rua, dividindo a faixa com os carros, estava estacionada uma carroça, puxada por um animal. A carroça era toda ornamentada e portava um equipamento de som. O cavalo também estava vestido a caráter, enfeitado que só jumento de cigano. De pé, um homem enfeitadíssimo, com uma roupa cheia de lantejoulas que me pareceu aquelas coisas mexicanas: chapelão enorme, colete, calças justas, enfim, um “mariachi”. Pelo menos foi essa a visão que tive da minha varanda, no sexto andar.

O motivo da balbúrdia eu fui entendendo aos poucos. Alguém no prédio aniversariava – era um aniversário de casamento – e o “Tele-jegue”, que era o nome da “coisa”, estava ali, casamento3contratado por alguém, para fazer a homenagem ao casal. O “locutor” fazia piadas, sendo que eu jamais imaginei que um casal completando 35 anos de casados gostasse de ouvir piadas daquele tipo. As piadas eram entremeadas com músicas, que pareciam ser religiosas, desse tipo de música chata que as pessoas quando ouvem levantam os braços e balançam de um lado para outro. Na calçada, havia onze pessoas, incluindo o casal homenagado. O prédio tem 80 apartamentos; a quatro moradores cada, são 320 pessoas, das quais pelo menos trezentas aguentaram a barulheira sem terem nada com ela.

Entre uma música e uma piada, o “tele-jegueiro” anunciou que estava incrementando ainda mais a carroça, que em breve ela teria um palco, um sistema próprio de iluminação, máquina de fumaça e um som ainda mais potente “para animar ainda mais a sua festa”. A função durou 45 minutos, e eu perdi o episódio que estava assistindo na TV.

barulhoÉ por isso que eu, apesar de gostar muito do Brasil, às vezes tenho vontade de morar num país civilizado somente pra ter a experiência. Aquela coisa que a gente vê nos filmes: um barulhinho a mais numa vizinhança residencial, com cinco minutos a polícia está na porta, muito educada mas muito firme, pedindo explicações e acabando com o fuzuê. Aqui, liga-se para a polícia, não é com ela; liga-se para a SEMAN, estão sem carro para atender.

Ao feliz casal, mesmo deplorando seu mau-gosto, ou de quem lhes ofereceu o presente, meus parabéns pelos 35 anos de união. Falizmente no próximo ano, quando completarem os 36 anos,  eu não estarei mais aqui, para presenciar vexame semelhante e ser impedida no meu direito de cidadã pagante de impostos de assistir meu programa preferido na  TV.





Um pequeno passo…

20 07 2009
Essa era eu, em 1969.

Essa era eu, em 1969.

No dia 20 de julho de 1969 eu estudava para o vestibular de Medicina, para o qual me preparava, pretendendo me inscrever em duas Universidades: a da Paraíba, na capital, e a do Rio Grande do Norte, em Natal.

Espalhava os livros sobre a mesa e enquanto vigiava meu filho Rômulo, que tinha um ano e dois meses, tentava equilibrar reações químicas e dominar o cálculo estequiométrico, estudava as leis de Mendel na Biologia ou me maravilhava com as explicações da Física, matéria que sempre gostei e na qual terminei tirando a maior nota das minhas provas do vestibular, um 8,9.

Eu morava na casa de meus pais, em Campina Grande, e havia terminado um casamento há menos de um ano. Tinha 21 anos e, estudando, procurava retomar a vida e conseguir fazer o curso de Medicina, que na época era meu grande sonho.

Nesta tarde de 20 de julho era domingo, e enquanto eu estudava, meus pais, Titia Adiza e meus irmãos menores viam televisão. A TV nesse tempo era em preto e branco e irradiava uma programação gerada a partir do Recife. Nas tardes de domingo, havia um programa chamado “Dimensão Jovem”, gravado ao vivo, onde se apresentavam cantores, bandas e outros artistas.

pegada_armstrongEra quase final da tarde, e dali a pouco mamãe falou: – Está na hora! E todos fomos para a frente da TV onde ia se apresentar a banda onde o meu irmão Braulio, de 19 anos, tocava. Era uma banda de rock de Campina Grande, os “Sebomatos”, e justamente quando os meninos começaram a tocar e nós vibrávamos, torcíamos, batíamos palmas, o programa foi interrompido. Eram 17 h17 min (hora de Brasília) e a Apolo 11 havia pousado na Lua. Depois os meninos retomaram a música. (Braulio me informa por email que as músicas que tocaram naquele dia no programa foram “Bye Bye Love” (Ray Charles) e “Boys” (Beatles). Acrescenta que o programa era transmitido pela TV Jornal do Commercio e dirigido por Luis Jansen.)

Para nós, a família, era mais importante ver Braulio tocando guitarra do que o homem pousar na Lua, e todos lamentamos a interrupção…

Neil Armstrong só desceu do módulo para pisar na Lua às 23h56min (hora de Brasília), numa transmissão ao vivo para todo o planeta Terra (aliás, uma das primeiras transmissões ao vivo por TV em larga escala) para uma audiência até então recorde. Veja mais aqui.

E você, se tem idade suficiente, o que fazia nesse dia? Quais as suas lembranças?





Dez coisas que melhoram a vida

18 07 2009

moisesEu estava lendo o Hype Science, que é um site do qual gosto muito, e dei com uma matéria com o título Dez maneiras de mudar sua vida em 59 segundos. Só como título é um achado, porque são DEZ maneiras – quantidade sempre associada a coisas eficazes como os DEZ mandamentos -, contém a palavra mágica “mudar sua vida”, coisa que todo mundo quer porque a maioria das pessoas não está satisfeita com a sua e finaliza com os tais 59 segundos, de maior força semântica do que 1 minuto, por exemplo. Qualquer coisa feita em 59 segundos tem um apelo irresistivel para a maioria preguiçosa – na qual me incluo – que quer resolver seus problemas ou dificuldades no menor espaço de tempo possível. É por isso que as pessoas querem perder os dez quilos que aumentaram em cinco anos em apenas dois meses ou que todo mundo quer ficar rico do dia para a noite e sem trabalhar muito.

Voltando ao artigo, ele trata do livro de Richard Wiseman, psicólogo, “59 seconds. Think a little. Change a lot”, ainda não publicado no Brasil. Com conselhos simples, baseados em fatos comprovados pela ciência, Wiseman propõe um pequeno esforço para uma mudança consistente, incluindo coisas como usar pratos e copos menores para comer menos nas refeições ou contar seus objetivos a amigos e parentes para comprometer-se consigo mesmo a atingi-los. Você pode ler mais sobre o livro no site do HypeScience.

thailand15Eu mesma escrevi um livro assim, chamado “A magia do cotidiano: como melhorar sua qualidade de vida”, (São Paulo, A Girafa Editora, 2005), um livro sobre coisas simples do dia-a-dia que qualquer pessoa pode fazer, coisas que não exigem habilidades especiais e realmente melhoram a vida, e tudo baseado em fatos científicos e na minha experiência como pessoa e profissional de saúde. É um livro que foi escrito há mais de dez anos, que teve a sua primeira edição em 1999 – uma edição artesanal, que eu mesma fiz, e que está esgotada. Este livro ainda me agrada muito e me deixa satisfeita por tê-lo escrito.

Eu não li o livro do psicólogo inglês. Mas vou lhe sugerir aqui dez coisas que só demoram 1 minuto para serem feitas e melhoram muito a sua vida.

1 – Levante AGORA do computador e beba um copo de água. A maioria das pessoas bebe muito pouca água.

2 – Já que está de pé, fique na ponta dos pés e se estique todo, como se quisesse alcançar o teto. Sua coluna agradece.

3 – Abra e feche as mãos com força dez vezes. Previne a tendinite e a L.E.R.

4 – Feche os olhos, faça uma respiração profunda e pense numa coisa boa.

5 – Mude de lugar aquela mesa, ou cadeira, ou armário, com o qual você sempre está trombando e dizendo um palavrão em seguida.

6 – Pegue o telefone AGORA e faça aquele telefonema que você está adiando. É menos de um minuto o tempo gasto para discar os algarismos.

7 – Reserve um minuto do dia para observar a natureza. Pode ser agora.

8 – Não importa que hora do dia ou da noite seja: decida que você vai fazer de tudo para ser feliz nas próximas 24 horas.

9 – Beije detalhada e carinhosamente alguém que você ama. Somente durante um minuto. Mas planeje antes, para aproveitar bem.

10 – Clique uma vez por dia em http://clotildetavares.wordpress.com





Igrejas do interior – V

18 07 2009

Aqui estão elas de novo: as tradicionais e poéticas igrejas das cidades do interior. Com este post, já são 50 fotos de igrejas publicadas aqui no Umas & Outras, que você pode ver clicando na categoria correspondente na coluna da direita. E mandando para mim uma foto da igreja de sua cidade, de preferência feita por você ou por fotógrafo amador, eu publico.

Caraúbas-PB. Matriz. Foto de Egberto Araújo.

Caraúbas-PB. Matriz. Foto de Egberto Araújo.

Areia-PB. Foto de Karl Leite.

Areia-PB. Foto de Karl Leite.

Boa Vista-PB. Foto de Egberto Araújo.

Boa Vista-PB. Foto de Egberto Araujo.

Caraúbas-PB. Igreja do Rosário. Foto de Egberto Araújo.

Caraúbas-PB. Igreja do Rosário. Foto de Egberto Araújo.

Francisco Dantas-RN. Foto de Karl Leite.

Francisco Dantas-RN. Foto de Karl leite.

Pombal-PB. Foto de Guy Joseph.

Pombal-PB. Foto de Guy Joseph.

Lagoa Nova-RN. Foto de Karl Leite.

Lagoa Nova-RN. Foto de Karl Leite.

Portalegre-RN. Foto de Karl Leite.

Portalegre-RN. Foto de Karl Leite.

Pau dos Ferros-RN. Foto de Karl Leite.

Pau dos Ferros-RN. Foto de Karl Leite.

Remigio-PB. Foto de Karl Leite.

Remigio-PB. Foto de Karl Leite.





Gripe suína e tosse canina

17 07 2009

doentePrimeiro é um gosto estranho na boca, um sabor de maresia, de sargaços, de marés estagnadas. Desagradável como uma premonição, o gosto se instala e a gente começa a ter consciência de que existe algo de anormal entre o nariz e a garganta. Em seguida começa o comichão infernal da faringe irritada, coçando, arranhando, enquanto o nariz passa por algumas – poucas – horas de suave permeabilidade para repentinamente se encher de espirros estrondosos, que vêm sabe-se lá de onde com violência e, antes que rompam costelas e esterno, rebentam em explosão com ruídos que variam de pessoa para pessoa. Uns, como eu, abrem a boca quando espirram, por medo de morder a língua, e se fazem ouvir no prédio inteiro; outros espirram pelo nariz, tentando ser discretos, mas quem pode ser discreto e contido na hora de espirrar? Pois é.

gripe01Aí, a gripe já está instalada. Dor-de-cabeça, corpo mole, uma sensação de que a carne está se despregando dos ossos, olhos intumescidos e vermelhos, o gosto ruim na boca, a febre. Em cada um dos 208 ossos do corpo é como se alguém estivesse enfiando uma agulha finíssima e incandescente. Atrás do esterno, no lugar onde deveria estar o coração, descobrimos que alojou-se um animal traiçoeiro, que respira com pequenos estalidos e com suas garras afiadas parece querer subir pelos nossos brônquios acima, nos fazendo tossir, tossir, tossir, a tosse seca da irritação brônquica, a pior tortura que se pode desejar a um ser humano.

Além disso, nada tem sabor. A macarronada parece batata sem sal, a carne é como se fosse trapo velho e o chocolate – o divino chocolate – parece um pedaço de sabão. Quem mora sozinho, como eu, acaba passando fome, por pura impossibilidade de se levantar e preparar algo para comer; e feliz do freguês que se lembra de tomar água, porque para melhorar da gripe só funcionam três coisas: muito líquido, antitérmico e repouso.

tosse02Depois de uns três ou quatro dias flutuando nesse limbo de sono, prostração, espirros, tosse seca e dor-de-garganta, muito devagar, começamos a achar sabor em um pedacinho de biscoito, sentimos o cheiro do café e já nos arriscamos a uma sopa ou um pratinho de macarrão. Mas nem pensem que passou a pior fase. O animal que morava atrás do esterno, como se tivesse engordado e aumentado de volume, exige mais espaço. A tosse se torna produtiva e escandalosa, impedindo ainda por uma ou duas semanas o convívio social, a frequência a cinema e teatros, e nos deixando sem jeito sempre que tossimos na presença de alguém.

Essa bronquite residual, a famosa “tosse-de-cachorro”, característica da maioria dos episódios de gripe, significa que já estamos curados, que o perigo já passou, e que adquirimos imunidade a mais uma variante desse vírus da influenza, ou gripe, que os cientistas gostam de chamar por letras e números, e que a população adora colocar nomes engraçados, geralmente ligados a acontecimentos da atualidade ou a celebridades da moda.

Não sei o nome dessa que me derrubou, e da qual estou iniciando a fase “início da tosse-de-cachorro”. Talvez tenha sido até a tal “gripe suína”, numa forma atenuada, já que existem casos no estado. Se foi ela, escapei de mais uma, e só me resta comemorar. Mas eu acho que não foi, pois não beijei nenhum porquinho…

origem-da-gripe-suina





Gerundiando

16 07 2009

Estou…

… LENDO Angélica, a Marquesa do Anjos.
… ESCREVENDO minha memórias. Já estou nos meus cinco anos de idade.
… BEBENDO litros de água para “fluidificar as secreções”
… COMENDO Ovomaltine em pó, com colherinha.
… DORMINDO muito, já que disseram que retarda o envelhecimento.
… ACORDANDO pra vencer, como me ensinou a Rainha Denize.
… BEIJANDO ninguém. Estou gripada.
… TOSSINDO pra caramba.
… ACENDENDO velas pra ficar logo boa essa gripe.
… ACREDITANDO que não é a gripe suína, pois não beijei nenhum porquinho.
… ARRUMANDO os “troços” pra me mudar em agosto.
… ESPERANDO ansisoamente a mudança para o apê/estudio que aluguei em Natal.
… BRIGANDO comigo mesma antes de me desfazer de cada coisa que quero jogar fora.
… COMPROVANDO que ter 1.800 livros em um apartamento de 80 m2 é impossível.
… NAMORANDO umas cortinas novas…
… FAZENDO  um esforço inaudito para manter postagens diárias, com a gripe – e a tosse – que me arrasa.
… VIVENDO cada dia um dia.
… NADANDO em felicidade.





Ainda sem condição

15 07 2009

Estou gripada. Isso significa dor no corpo, moleza geral, tosse e absoluta vontade de não fazer nadinha.

Para não dizer que não estou atualizando o blog, seguem alguns estilos de vida, para você clicar nos links e visitar. Sem figura sem nada, que não há coragem suficiente.

Vivendo na parede

http://cakeheadlovesevil.wordpress.com/2009/07/11/living-on-the-edge/

Vivendo em espaço mínimo

http://www.rachaelrayshow.com/show/segments/view/small-space-makeover/

Vivendo na rua

http://www.huffingtonpost.com/2008/09/13/homeless-90210-slummin-ti_n_126235.html

Vivendo numa “caixa de fósforos”

http://madeinjapan.uol.com.br/2005/12/25/vivendo-numa-caixa-de-fosforos/

Vivendo dentro de um carro

http://maragao.com.br/2009/03/oito-anos-vivendo-dentro-do-carro/

Vivendo em um caminhão

http://newserrado.com/2008/01/18/vivendo-em-um-caminho/





Sem a menor condição

14 07 2009

doente2





Ecos do passado

13 07 2009

Ando escrevendo minhas recordações. O principal objetivo disso é me distrair, uma vez que não tenho muita intenção de editar um livro – coisa trabalhosa e cara, que já fiz muitas vezes mas não tenho mais paciência para fazer de novo. A idéia é colocar o conteúdo escrito à disposição na Internet, para quem quiser ler.

Um dia desses andei por aqui publicando um trecho sobre um episódio que me ocorreu na época em que fui interna. Hoje trago ecos de uma passado mais remoto, quando eu era tão pequena que tinha que ficar de joelhos em cima de uma cadeira para acompanhar o que se passava em cima da mesa da cozinha, como verão a seguir.

O período é os anos entre 1950 e 1952, quando morávamos em Campina Grande, na rua Alexandrino Cavalcanti. A família era composta por meus pais, minha tia – um pouco mais velha do que Mamãe – que morava conosco, eu e meu irmão nascido em 1950. Eu devia ter uns quatro anos de idade nessa época, uma vez que nasci em dezembro de 1947.

O curioso é que hoje compramos o frango todo partido e embaladinho, sem sangue nem miúdos, ou já assado no supermercado e sequer imaginamos como era que se matava e tratava de uma galinha há sessenta anos.


(…)

Eu tinha 2 anos.

Eu tinha 2 anos.

Uma coisa de que bem me lembro nesses dias eram as manhãs cheias de sol, que dava na parte de trás da casa. Mamãe com os cabelos soltos nas costas colocando milho para as galinhas e a atenção com que a ave olhava o grão com um olho, depois com o outro e só então bicava certeira o caroço de milho e o engolia. Quando as galinhas engordavam, cabia a Tia matar a galinha, pois Mamãe dizia que não tinha coragem.

O ritual era minucioso e eu o acompanhava de perto. Um caldeirão de água era colocado para ferver e a matança só se iniciava quando a água começava a borbulhar, o que às vezes demorava um pouco, no lento fogão de carvão. A faca maior, a peixeira, era amolada no batente de cimento da cozinha. Iam então ao quintal cercar a galinha ou o frango escolhido, que era deitado no chão e Tia, de cócoras, pisava com um dos pés nas asas do bicho e com o outro pé nos pés do animal. Assim presa, a ave parava de se mexer, de “bater”, e tia arrancava com a mão as peninhas delicadas do pescoço da galinha, expondo a pele, onde passava a faca, interrompendo com a lâmina o jorro da artéria recém-secionada para que não sujasse a cozinha e pingasse somente sobre um prato colocado antes no chão, com um pouco de vinagre e um garfo.

Minha tia Adiza (1916-1990)

Minha tia Adiza (1916-1990)

Quando o sangue parava de jorrar, ela batia o sangue com o garfo, misturando-o ao vinagre para que não coagulasse, e aquela mistura iria servir de base para a cabidela, que era como chamávamos o “molho pardo”. Ela saía então de cima da galinha, colocando discretamente a cabeça do bicho sacrificado debaixo de uma das asas enquanto batia o sangue. A panela de água fervente recebia o corpo da galinha, mergulhado nela pelos pés, e as penas eram assim arrancadas. Essa operação produzia um odor esquisito, de pena queimada e cocô de galinha, que nunca esqueci.

A segunda fase era “tratar” da galinha, ou abri-la. Mamãe colocava uma cadeira encostada à mesa, onde eu ficava de joelhos, prestando atenção a toda a operação, que me deixava fascinada. A galinha era aberta pela frente, pela titela, depois de ter a cabeça e os pés cortados. Os miúdos eram retirados, e eu via os grãos de milho ainda dentro do papo, a moela onde os grãos eram triturados e – como Mamãe explicava – cheia de pedrinhas que a galinha engolia para ajudar no amassamento do milho engolido, o fígado e a “passarinha”, ou baço, o coração com suas artérias, o “bofe”, ou pulmões e as tripas, que eram lavadas, viradas, lavadas de novo e assadas sobre a grelha no fogão.

Meus pais, Nilo e Cleuza, em 1950.

Meus pais, Nilo e Cleuza, em 1950.

Tudo aquilo exercia sobre mim uma grande fascinação. A galinha era partida pelas juntas, ou articulações, mas tudo ia para a panela. Só se colocava no lixo o papo, o bofe e uma parte da cabeça. Cada um tinha seu pedaço preferido e eu me lembro que sempre gostei das asas e da moela e Tia adorava os pés. Mamãe escolhia o sobre-cu, e o pescoço. A papai sempre eram destinadas as coxas e a titela, mas isso era comum naquele tempo: ao chefe da casa, os melhores pedaços de carne sempre eram reservados e embora à noite nós só comêssemos cuscuz com leite e café, para Papai sempre se reservava um pedaço de carne que ele comia com arroz ou macarrão. Ele não comia comida do sertão; e se não houvesse arroz, macarrão ou carne, ele só comia pão com café e talvez um ovo, com a gema bem mole, onde ele ia umedecendo os pedacinhos de pão, só da casca, pois ele detestava o miolo, que tirava todinho e empilhava ao lado do prato.

(…)


O blog não tem fotos da mortandade das aves mas aqui vc vai encontrar processo semelhante, com fotos.





Calendário

12 07 2009

calendario1Nessa nossa vida agitada, vivemos estritamente regidos pelo relógio, pela agenda, pelo calendário. O tempo é medido, fracionado e domesticado através desses três instrumentos e fica difícil para muitos de nós, quando queremos nos livrar do estresse, entregar o tempo à sua natural fluidez, à sua eterna repetição de um dia depois do outro e uma noite no meio. É quase impossível se livrar do relógio mesmo em férias, mesmo numa praia deserta, mesmo num lugar onde não precisamos dele.

Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que a maioria da população media o tempo pela época em que as flores se abriam, ou chegavam as tempestades, ou a neve derretia, ou os rios corria mais cheios. Houve um tempo – parece mentira – onde não existiam o domingo nem os outros dias da semana e onde as “quatro festas do ano” eram determinadas pelo ângulo que os raios do sol faziam com um marco qualquer, revelando os solstícios e equinócios.

Similaridades-0012joaoloboEm algum momento, porém, foi preciso que houvesse uma medição exata do tempo para disciplinar a vida comercial e social de comunidades e países que cada vez estavam mais civilizadas. Como, por exemplo, calcular juros sobre um empréstimo sem um calendário unificado? Como disciplinar entradas e saídas de navios de um porto? Como fazer a cristandade comemorar no mesmo dia a Páscoa e o Natal?

calendario2Todas essas perguntas estão respondidas no livro “Calendário: a epopéia da Humanidade para determinar um ano verdadeiro e exato”, de David Ewing Duncan (Ediouro, 1999). É um livro espetacular, pois o autor, começando a sua história desde a aurora da Humanidade, quando o homem pré-histórico entalhou num osso a passagem dos dias e as fases da Lua, vai até a espetacular epopéia que foi a criação do calendário gregoriano, esse que hoje em dia ainda nos rege. O livro dá detalhes de como foi formado o “grupo de trabalho” de cientistas e sábios, e de todos os estudos precursores dessa forma de medir o tempo que nos parece tão natural e lógica.

houses_of_parliament_city_of_london_englandEstamos tão acostumados com o tempo disciplinado e sendo o mesmo para todos os países do mundo que sequer podemos imaginar que apenas cinco séculos atrás isso não existia e que cada país, ou nação, usava a forma que lhe fosse mais confortável de medir o tempo. Mesmo o calendário gregoriano criado sob o aval do Papa não foi aceito imediatamente por todos os países. A própria Inglaterra só veio adotá-lo no século XIX, da mesma forma que ainda adota o sistema métrico baseado em libras, polegadas e jardas.

calendario3É o autor quem fala: “Afinal fomos nós os humanos que inventamos esta coisa que tanto é uma ferramenta milagrosa quanto uma gaiola de momentos finitos que nos mantém para sempre correndo por aí, tentando tirar o máximo do tempo curto que nos foi destinado.” A leitura deste livro é uma agradável aventura, que, afinal, vai fazer o nosso tempo passar mais rápido e preencher aquelas “horas vagas”, que ficam por ali nos espiando, insistindo sempre para serem preenchidas. Boa leitura.

O calendário bonitinho ao lado achei aqui.





Gripe

11 07 2009

Gripada. Deitada. Ossos doendo. Não é a suína. Mas dói. Hoje, só figuras. Poucas. Com legendas curtas.

Castelo no interior do Rio Grande do Norte.

Castelo no interior do Rio Grande do Norte.

WOW!

WOW!

Teatro em Taormina, na Sicília, estilo grego.

Teatro em Taormina, na Sicília, estilo grego.

Açude Itans, Caicó, RN. Foto Canindé Soares.

Açude Itans, Caicó, RN. Foto Canindé Soares.








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