Linkagem

21 03 2010

Bobagens em origami:

http://lifehacker.com/5463790/learn-how-to-fold-thousands-of-origami-figures-at-origami-club

Denise, blogueira que mora na Coréia, fala sobre um fenômeno próprio dali:  a poeira amarela.

http://sindromedeestocolmo.com/archives/2010/03/a_poeira_amarela_vista_aqui_de_casa.html/

Meu sobrinho Nilo Neto vai pra cozinha – sim, o bonitão está lá sem camisa – e prepara maminha com cerveja preta. A entregação é do blog da namorada, Jady.

http://jady.blogspot.com/2010/02/namo-na-cozinha.html

Dobrar um lençol é fácil. A dica é do site Chega de Bagunça. http://chegadebagunca.blogspot.com/2010/01/dobrando-lencol-de-elastico-como-um.html

Você é “creuza”? Se for, seu blog é o Vende na Farmácia, onde Joo e Loo fornecem material para todas as suas fantasias. E se você não sabe o que é ser “creuza”, relaxe. Se não sabe, é porque você não é e, em não sendo, não vale a pena mesmo pensar nisso.

http://www.vendenafarmacia.com/

Dicas preciosas para construir sua networking. No site Efetividade.net. http://www.efetividade.net/2010/03/15/networking-amplie-seu-circulo-de-influencia/

Você é blogueiro do WordPress? Muitas dicas aqui. http://www.pblog.com.br/

Ligado na Hungria, ou, mais especificamente, no idioma magiar? O tradutor Chico Moreira Guedes lhe conduz nos meandros dessa cultura. http://hungaromania.wordpress.com/

Andaram dizendo que o e-mail havia morrido. Tiago Dória defende que não. http://www.tiagodoria.ig.com.br/2010/03/10/apos-39-anos-o-email-continua-firme-e-forte/





Deletando a solidão!

4 02 2010

De quinze em quinze dias somos bombardeados pela mídia com a mais “nova” pesquisa sobre a rede mundial dos computadores. Os jornais dizem que pesquisadores de tal ou qual universidade chegaram à conclusão de que a Internet faz com que as pessoas fiquem cada vez mais isoladas sem se comunicarem umas com as outras.

Aí eu tenho que apelar para a minha padroeira Santa Zoraide e pedir que ela clareie a cabeça desse povo. Ora, minha gente: o que é a Internet? Uma ferramenta de comunicação, constituída por computadores ligados em rede e à frente de cada um desses computadores existe alguém que tecla, que clica o mouse e que olha o monitor! Então como é que a Internet pode isolar as pessoas? Ela faz exatamente o contrário!

Com a Internet podemos trocar informações e experiências, lançar apelos e responder a pedidos, fazer denúncias, conhecer pessoas, namorar, compartilhar interesses comuns e, sobretudo, exercer a cidadania e praticar a democracia.

Os usuários da rede são estudantes conversando sobre suas dificuldades escolares, doentes trocando as informações mais atuais sobre tratamentos, adolescentes tímidos procurando companhia nas salas de bate-papo, ativistas políticos usando a rede para persuadir e noticiar, portadores de deficiência ou doentes que não podem sair da cama ou da cadeira de rodas mas cujos cérebros estão vivos e on-line. Tem empulhação e safadeza também, mas isso tem em tudo o que é atividade humana, e não será isso que vai descaracterizar a rede; a gente também encontra o que não presta no cinema, na literatura, na música, que dirá na Internet!

Não conheço coisa mais solitária de que uma pessoa sozinha, na sala de um apartamento, vendo televisão. Hoje, essa pessoa não está mais na frente da TV: está conectada à rede, se comunicando com algum outro ser humano. Ou seja: não está mais sozinha. Deletou a solidão.





As urupembas de alumínio

29 12 2009

Foto de Canindé Soares - www.canindesoares.com

Uma das imagens que mais me impressiona quando viajo pelo interior é a visão das antenas parabólicas sobre os telhados das casas. Em alguns lugares, a imensa antena em forma de panela escora o casebre que parece se sustentar de pé apenas por obra da antena. Por pobres que sejam, a maioria tem parabólica. Numa pousada em que me hospedei um dia desses, a TV fica na sala, uma TV enorme, com uma imagem espetacular; sentado no sofá, um garotinho de calção e descalço, um indiozinho cariri, com o controle remoto na mão, dominando todas as estações, passeando pelos canais.

Aí está, penso eu, a síntese da nossa realidade. Imagens aparentemente contraditórias, inconciliáveis, mas que terminam resumindo as mudanças pelas quais o nosso país está atravessando, principalmente longe dos centros adianatados: o casebre e a parabólica, o indiozinho cariri e o controle remoto.

O dono da casa comentou comigo: “Antes dessa televisão, eu pensava que só tinha duas línguas no mundo: essa que a gente fala e o inglês. Agora eu sei que tem muitas línguas diferentes, língua que não acaba mais. Deve ser por isso que tem tanta guerra. Ninguém se entende…”

Em outra casa, vi uma mulher de 82 anos, professora aposentada, que mora com a irmã de 89 anos, já doente, de quem cuida. Sobre a velha e escalavrada mesa de madeira, que parece ter mais de um século, um espetacular aparelho desses grandes e modernos, em frente ao qual as duas se distraem. “E vêem que tipo de programa?” pergunto eu.  “De um tudo, minha filha”, diz a mais nova. ” Mas o que a gente gosta mesmo é de rezar”. Rezar junto com a TV, evidentemente, acompanhando os inúmeros programas religiosos que existem.

O professor e poeta Geraldo Bernardo, que vive em Sousa, sertão da Paraíba, escreveu um divertido texto no qual fala sobre a parabólica, que ele chama de “arupemba de alumínio”, onde o matuto descreve o que viu na TV: “A primeira imagem que apareceu era uma galega toda entroncada, fazendo muganga com a bunda, uns negão com os dentes no quarador, a meninada inventou de rebolar, chamando aquilo de pagode.” E continua, divertido e espantado: “E o cabra continuou mudando de imagem, era cada coisa diferente, tinha desenho de bicho fazendo papel de gente, cada lapa de mulher, Zé de Lídia chega babava…”

O matuto, então, questiona: “Agora pergunto pra que? Uma bacia de alumínio em cima da casa, encandeando os olhos dos outros? Não serve para soprar arroz, café ali não se torra, se pelo menos juntasse ága! Mas eu mesmo espondo qual a sua serventia, ou será que ninguém percebeu, que com esse progresso da ciência muito menino nasceu? Hoje em dia, mulher velha, parideira, sabe menos das coisas de que essas meninas, de tanto verem nas novelas amancebo, baitolagem e coisa e tal, em tudo que é canal. Enquanto isso, as parabólicas vão aumentando, as saias diminuindo e o sertão se enchendo de menino…”





Arrobas e léguas

28 12 2009

Um dia desses uma pessoa me perguntou de onde era que vinha a “arroba” que no dia-a-dia usamos com tanta frequência , uma vez que faz parte do endereço eletrônico que chamamos comumente de e-mail. Como passei minha vida sendo professora, acho natural que as pessoas me perguntem coisas desse tipo. O melhor ainda é quando não sei as respostas, pois isso me leva a ler, pesquisar, aprender coisas novas.

E fui logo respondendo que “arroba” é uma medida de peso que se usava muito antigamente, e que hoje não é mais tão comum. Na minha infância, se falava muito em arroba lá em casa, juntamente com “légua”, medida de comprimento que compreende seis quilômetros. Mamãe usava também “uma “quarta”, para designar 250 gramas (“Menino, vai ali comprar uma quarta de charque!”), ou “um quarto” de quilo; uma “mão” de milho, que são 50 espigas; uma “garrafa” de leite, 600 ml; e “meia-garrafa”, 300 ml, essas, medidas numa garrafa de cerveja e numa de guaraná, respectivamente; uma “grosa”, 12 dúzias. E em Campina Grande, ainda hoje, se você entrar em um bar qualquer e pedir um “quinto” de cachaça o garçon traz uma garrafinha de 200 ml da chamada “água-que-passarinho-não-bebe”.

Mas lá estou eu saindo do assunto. Voltemos à arroba. Uma arroba corresponde a dezoito quilos e, junto com a légua está lá no folheto “O Pavão Misterioso”, obra prima da literatura de cordel, escrito pelo poeta José Camelo de Melo Rezende, nos versos que descrevem a máquina voadora construída para que o herói alcançasse a alta torre onde vivia prisioneira a sua amada:

Ele fez um aeroplano
Do formato de um pavão
Que armava e desarmava
Comprimindo num botão
E levava doze arrobas
Três léguas acima do chão.

Ora, o perguntador não se conformou com essa minha enrolação poética e insistiu na resposta exata não sobre essa arroba, que ele também sabia o que era, mas sobre a arroba do e-mail, me forçando a pesquisar aqui e ali e trazer agora a resposta.

Na Idade Média, os livros eram copiados à mão e os copistas buscavam simplificar o trabalho susbtituindo palavras ou conjunto de letras por símbolos. Então, para substitutire a palavra latina “ad”, que significa “casa de”, inventaram o símbolo @. Quando veio a imprensa, o símbolo continuou a ser usado nos livros de contabilidade, aparecendo entre o número de unidades da mercadoria e seu preço, passando a ser conhecido, em inglês, como “at” (“a” ou “em”).

Depois, já no século XIX, quando os espanhóis passaram a usar as práticas comerciais dos ingleses, pensaram que o símbolo seria uma unidade de peso e o atribuíram à “arroba” que era a sua unidade de peso mais comum. Quando as máquinas de escrever foram inventadas, o símbolo foi incluído e sobreviveu no teclado dos computadores. Em 1972, quando começou a ser desenvolvido o primeiro projeto de correio eletrônico, o programador Ruy Tomlinson aproveitou o sentido original do símbolo @ em inglês, que significava “at” ou “em” e o colocou entre o nome do usuário e o nome do provedor. Então, Fulano@ProvedorTal passou a significar Fulano no provedor Tal.

Pergunta respondida, dúvida esclarecida, meu caro leitor. E se quiser ampliar seus conhecimentos sobre a arroba, é só clicar aqui, que tem um artigo muito completo sobre o tema.





Blogueiros, trolls e censura

25 11 2009

Um blogueiro do Ceará foi condenado a pagar uma indenização por danos morais a uma pessoa que se sentiu insultada por um comentário postado no blog dele. É significativo também o grande números de comentários e pronunciamentos sobre esse caso onde as pessoas reclamam “da falta de liberdade na Internet” e da “censura disfarçada que ainda existe no Brasil.” A história toda pode ser lida aqui, e pretendo tomar esse caso como ponto de partida para uma discussão sobre a liberdade que deve ser dada aos comentaristas de um blog.

Faz tempo que estou conectada. Desde o início da Internet, quando não havia sequer a Web, e se usavam computadores ligados à rede telefônica apenas para trocar arquivos e bater-papo on line que estou mergulhada nessa maravilha tecnológica. Desde esses inícios, sempre entendi a Internet como uma ampliação do mundo, uma dimensão virtual de um mundo que até então se caracterizava apenas como mundo presencial. Desde então, o mundo virtual se consolidou e hoje, considerando ambos igualmente reais, penso que as regras de convivência que valem no mundo presencial devem valer também no mundo virtual, ou, se não for o caso, se adaptarem às novas situações criadas por essa interface.

O mundo da Internet, dito assim de maneira genérica para determinar tudo que é incluído no raio de ação das redes telemáticas de comunicação, inclui a web, o email, o chat, o MSN, o orkut, o twitter e agora o novíssimo googlewave, que eu também já estou lá meio sem saber direito o que é nem como funciona; mas estou lá, como se estivesse num quarto escuro, vendo aqui acolá uma luz e tateando pra me locomover.

Mas tudo isso, tudo mesmo, não existe sozinho: é mediado pelo ser humano, por mim e por você. Em cada computador está uma pessoa: lendo, escrevendo, navegando, acessando, twittando, deixando mensagens no orkut, conversando pelo MSN e agora surfando nas ondas – ou nas waves – do google. Por isso nenhuma das regras de convivência entre pessoas pode ser violada.

E do jeito que tem todo tipo de gente no mundo, tem todo tipo de gente na frente de um teclado. Muita gente quando está ali fica poderosa, destemida, corajosa, atrevida, e escreve coisas que não teria coragem de dizer em alto e bom som, principalmente na frente da pessoa a quem se destina aquilo que escreve. Ficou mais fácil insultar, soltar palavrões, ser grosseiro, mediado pelo meio eletrônico. E é aí que chegamos na nossa questão inicial: do que deve ou não ser permitido num blog. Ou melhor: o que é um blog.

Um blog é um veículo de comunicação. Existem blogs de todo tipo: institucionais, empresariais, de jornais, e de pessoas assim como eu, que gostam de escrever, que querem se comunicar. No meu caso, o meu blog é como uma extensão da minha sala, onde eu convido as pessoas para virem conversar comigo. Se, no meu prédio, eu encher a sala do apartamento de gente para conversar em altas vozes, soltando palavrões e fazendo barulho, eu sou responsável perante o condomínio pela algazarra. Cabe a mim escolher meus convidados e impedir qualquer tipo de ato que incomode os vizinhos – e a mim também, é claro.

O blog é igualzinho. Há um mecanismo de controle dos comentários exatamente para prever esse tipo de coisa. E não é censura não. É apenas um filtro social, o mesmo filtro aplicado nas relações humanas, uma peneira para impedir que eu mesma ou pessoas que me lêem, e que vêm aqui para desfrutar de um momento sadio de leitura e troca de idéias sejam agredidos por palavras chulas e insultos.

Quando escrevi aquele post sobre o comercial das sandálias havaianas, permiti todos os comentários que tinham idéias contrárias às que expressei no post, desde que fossem expressos em linguagem adequada. Os comentários que não deixei passar continham xingamentos e agressões gratuitas, a mim e aos outros internautas que comentaram. Se eu deixar passar, estou endossando e permitindo, e me arrisco a ser processada por alguém que se sentiu ofendido no espaço do meu blog – foi isso que aconteceu com o blogueiro cearense.

Há blogueiros que permitem todo tipo de comentário; há aqueles que não só permitem como respondem aos insultos, e há os que permitem, respondem e estimulam, fazendo com que o terreno do blog se torne um campo de batalha, atraindo com isso todo tipo de “troll” que existe por aí e aumentando o rank de visitas. Eu não tenho esse interesse.

Um desses “trolls”, chateado porque não publiquei seu comentário ofensivo, me enviou um email dizendo que eu era um “resquício da ditadura” e que não tinha “compromisso com a notícia e com a liberdade de expressão.” Eu vivi durante a ditadura militar e sei o que é censura e repressão. O que foi feito naquela época nem de longe se compara a moderar comentários agressivos enviados a um blog. Quanto ao “compromisso com a notícia” não tenho mesmo. Não sou jornalista, meu blog não é jornalístico.

“Compromisso com a liberdade de expressão” eu sempre tive e sempre terei, desde que tenha bem claro na minha mente – e isso todo mundo que escreve deveria ter – onde acaba a minha liberdade e começa a do outro. Quando falta o respeito e a cordialidade, perco todo o meu direito de defender e firmar qualquer opinião e fico igual a qualquer um desses “trolls” que estão soltos por aí, exercendo a “liberdade” do insulto gratuito e a “democracia” da cafagestice e da agressividade.





Nerdices

15 11 2009

Quem me conhece me chamada de nerd. Nerd, ou geek: aquela pessoa que gosta de informática, de gadgets eletrônicos, que se relaciona melhor com máquinas do que com gente, que estuda, lê, e sabe de tudo um pouco… Gosto de dizer que eu era nerd antes de existirem os computadores; agora, que eles existem, eu finalmente encontrei minha razão de ser e de estar no mundo.

Evidentemente isso é um exagero brincalhão e os que me conhecem sabem também que gosto de gente, de folia, de encontros, de confraternizações. Mas hoje, atendendo ao meu lado nerd, estou mostrando algumas “nerdices”: coisas que gosto, que acho bonitinhas, que queria ter…

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Gente! Olhem só essa tesoura guiada por laser! Aqui.

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Eu adoro essa canequinha. Aqui.

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Esse adaptador serve para qualquer tomada que possa existir no mundo. Só não sei se serve para essas novas tomadas brasileiras que estão inventando agora. Confira aqui.

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Que bonitinha: uma camiseta que detecta sinal Wi-Fi . Aqui.

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Preciso falar desse pendrive? Aqui.

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Olhe que bonitinha a camiseta dele… Aqui.

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O nerd, quando se cansa, senta melhor nessas almofadas, achadas aqui, onde tem mais um monte de artigos.

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E quando morre, não descansa em paz: continua on-line… Veja aqui.





O hipertexto da memória

13 11 2009
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Lá estou eu às onze da noite tomando banho. A água quente escorre sobre minha pele, estou de olhos fechados, relaxada, entregue a um fluxo de pensamentos, quando de repente uma imagem pungente se desenha na tela da minha mente: minha mãe morta no caixão. Tomo aquele susto, recebo a tijolada de sofrimento no centro do peito e me pergunto: mas o que é isso? Estarei ficando doida? Ou pior: deprimida? É assim que começa, essa história de depressão que acaba com a vida das pessoas de meia-idade, como eu?

Abro os olhos, respiro, vejo os azulejos, a cortina do banheiro, sinto novamente a água quente a escorrer suave e deliciosa sobre o meu corpo mas a imagem continua ali, persistente, nítida: mamãe morta no caixão. Ah, não! Esse fantasma não vai me perseguir, logo hoje, que o dia foi tão bom, que tudo deu certo, que almocei com meu filho e minha neta, passei uma hora agradável na livraria, o apartamento está arrumado esperando os amigos que vêm aqui à noite… Eu não vou permitir isso.

Procuro então, em vez de me deixar levar pela emoção ou pela saudade analisar como é que uma criatura está debaixo dágua no prazer do banho quente e de repente, do nada, se depara com uma imagem dessa. De onde ela veio?

090220_money_stackE penso no que veio logo imediatamente antes: era a minha imagem morta no caixão. Mas por que estaria eu morta no caixão? Ah, lembrei. Eu havia decidido gastar uma grana que recebi de uma antiga dívida que a UFRN tinha comigo e que está no banco e eu ainda não fui sacar. Talvez devesse ir no banco logo de manhã, era no que estava pensando, mas lembrei que não ia dar tempo porque de manhã eu vou lavar o cabelo no cabeleireiro.

Foi isso! Tomei essa decisão antes de entrar no banho: em vez de lavar o cabelo hoje, em casa, agora, vou lavar amanhã no cabeleireiro. Mas se eu for ao cabeleireiro não dá tempo a ir ao banco buscar a grana que a UFRN já depositou, e que já está lá há uns tempos.

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Aí pensei: será que eu devia economizar essa grana, em vez de torrar todinha numa viagem, como quero fazer agora, num cruzeiro, de navio, uma coisa que nunca fiz antes e que tenho uma vontade danada de fazer? Ah, pensei, quero nem saber! Vou gastar a grana na viagem mesmo, e assim vou fazer com tudo que ganhar, porque quando morrer não quero deixar um centavo, os filhos que se virem para comprar o meu caixão, e me arrumar bem direitinha e bonitinha dentro dele, do jeito que arrumei a minha mãe… Pronto! Foi assim que a imagem chegou. Não veio do nada, veio encadeada em um monte de coisas, e coisas boas: viagens de navio, dinheiro, gozar a vida…

Tranquilizada, relaxo, saio do chuveiro, me enrolo numa toalha e, saudando com prazer os saltos que dei, de clique em clique com o mouse da mente, indo e voltando, no hipertexto da memória, sento-me ao notebook para escrever este post.





Coração parahybano

10 11 2009
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Ontem, segunda-feira, passei a tarde ocupada com um evento virtual: o lançamento, pela Internet, do meu livro “Coração parahybano: crônica, literatura e memória”, que foi editado pela Linha Dágua em 2008 e lançado em 5 de setembro do mesmo ano na Fundação Casa de José Américo. Sem coquetel e sem autógrafos (que sempre acho um terror, autografar livros para aquela fila de gente!) passei a tarde twittando, mandando e-mails, torpedos no MSN e o mais que fosse, fazendo uma agitação danada e até meia-noite de ontem cerca de 130 pessoas já haviam baixado o arquivo com o livro.

Pois é, minha gente. As coisas têm mudado muito ultimamente com os recursos da Internet, e todas as atividades humanas precisam se adequar a isso. O pessoal de música já sabe que é inútil lutar contra o download de discos, e já começa a colocar o trabalho disponível para ser baixado gratuitamente ou cobrando pequena remuneração.

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No mercado de livros, apesar da resistência, começa a acontecer a mesma coisa. Há milhares de títulos já disponíveis na Internet, circulando em listas de discussão para uso gratuito, permitido ou não por editoras e autores. É impossível proibir essa troca espontânea de livros, porque é um movimento mundial e que não tem retorno.

Então, o que fazer? Juntar-se a esse movimento! E foi o que eu fiz, colocando meu livro disponível para download gratuito, no link http://www.clotildetavares.com.br/cp. É só clicar, baixar e ler. E o editor? – pergunta você, meu preclaro e cuidadoso leitor. O editor, Heitor Cabral, da Linha Dágua, está de acordo. Consegui convencê-lo de que a disponibilização gratuita do livro vai aumentar as vendas do mesmo no site da editora. Isso ocorre porque muita gente usa o download apenas para folhear o livro, do jeito que se faz numa livraria com um livro de papel. Olha, lê uma página aqui, outra ali, e resolve comprar. Nas quatro primeiras horas em que disponibilizei o link, cento e dez pessoas já haviam baixado e pelo menos três enviaram e-mails querendo comprar o livro de papel.

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Eu mesma tenho cerca de 400 livros no meu computador. Tudo livro bom, desde clássicos da literatura até livros que foram lançados neste ano de 2009. Alguns deles eu li na telinha, depois fui na livraria e comprei, para ter, porque sou doida por livro e gosto de olhar para eles nas estantes.

Só para encerrar, o “Coração Parahybano” tem 60 crônicas escolhidas entre as que publico toda quarta-feira no jornal A União, que circula na capital da Paraíba. A seleção dos textos teve como temática principal a história da Paraíba, minhas memórias da infância passada em Campina Grande e comentários sobre livros e autores paraibanos. São 132 páginas, com 60 textos.

Então: baixe. É de graça, não custa nada. Divulgue o link entre a sua lista de contatos. Repasse pra Deus e o mundo. Se você é blogueiro, divulgue no seu blog. E se tem twitter, retuíte para seus followers, com esse link menorzinho: http://migre.me/aFn8. Ao contrário do que muitos pensam, quanto mais gente baixar de graça, mais gente vai comprar o livro de papel como já está acontecendo. Desse jeito, editor e autora vão ficar muito satisfeitos. Conto com você.





Você precisa realmente disso?

7 11 2009
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Há uma história que não sei se é verdadeira mas isso não importa, pois ela é perfeita para demonstrar o que quero dizer. Conta-se que na corrida espacial, com americanos e russos disputando para ver quem chegava primeiro à Lua, as canetas comuns se mostraram inadequadas para o uso na gravidade zero. Os americanos, então, gastaram alguns milhões de dólares na pesquisa da caneta ideal; os russos usaram um lápis.

Isso e o exemplo clássico do foco no problema ou foco na solução. É grande o número de ocasiões no dia-a-dia em que nos desviamos da solução e usamos ou adquirimos, muitas vezes a custo alto, equipamentos ou metodologias inadequadas ou complexas para resolver coisas que admitem soluções mais simples.

Este tema foi disscutido ontem no blog da Bia Kunze, a Garota Sem Fio. Bia Kunze é uma figura muito interessante: dentista especializada em home-care, ela também testa equipamentos de tecnologia móvel para empresas, escreve sobre esse tema em jornais e na Internet, tem um excelente blog e faz animada participação no Twitter além de manter duas casas em capitais diferentes (isso eu não entendi direito, mas deixa pra lá.)

Bia Kunze ajuda profissionais a escolher aparelhos, softwares e serviços, e auxilia as pessoas a tirar o maior proveito possível dos seus equipamentos. O que ela nota, no dia-a-dia como consultora, é que muitas vezes os clientes investem altas somas em aparelhos cheios de funções dos quais somente usam umas poucas, e que os problemas deles poderiam ser resolvidos de forma mais simples e barata.

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A vassoura elétrica!

Eu sou apaixonada por gadgets. Em 1975 eu já tinha uma calculadora eletrônica minúscula, e os colegas de faculdade me perguntavam, “para que eu queria aquilo”. Fui a primeira pessoa em Natal a ter uma agenda eletrônica, um modelo da Casio com sua espetacular memória de 32 Kb; quando eu a tirava da bolsa, as pessoas se amontoavam à minha volta para olhar a engenhoca, do jeito que alguns anos depois iam à minha casa para ver a placa de captura de TV que instalei no computador para ver minha novela num cantinho da tela enquanto digitava no Word.

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Aí, eu notei que as coisas estavam se complicando quando começaram a aparecer os controles remotos com 101 teclas das quais a gente só usava umas cinco ou seis; os fornos de microondas de progamação complexa, cheios de recursos, que terminavam sendo usados apenas para esquentar o prato feito e a água para o cafezinho – como até hoje ainda fazemos. Os players de VHS e depois de DVD eram cheios de botões que não sabíamos para que serviam.

Esses aparelhos já estão vindo em um formato mais simplificado, talvez pelo aumento do acesso das chamadas classes C e D a esses produtos; mas no campo de outros gadgets, principalmente no que se refere à comunicação móvel, a praga dos dos mega-recursos para resolver miniproblemas continua com a corda toda. (Tem hífen? Não tem hífen? Eu nunca sei!)

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Eu continuo gostando de gadgets, mas só compro aqueles que realmente utilizo. Tenho vassoura elétrica, ando com minibinóculo dentro da bolsa, tenho uma microlâmpada que prende no livro para ler à noite, sou viciada em bobagem nerd. Quando surgiu o iPhone, fiquei doidinha por um. Como não compro por impulso, comecei a me perguntar se eu realmente precisava dele. E cheguei à conclusão de que poderia viver muito bem sem a engenhoca.

Ora, minha gente! Sou uma escritora e trabalho em casa. Não tenho horários a cumprir, clientes a atender, compromissos agendados nem alunos a orientar (não mais, graças a Deus!), desde que me aposentei como professora da UFRN. Então para que danado eu quero um smartphone? Só porque todos os meus amigos têm, embora a maioria o use basicamente para telefonar e tirar fotos dos netos? Meu aparelho Nokia-Modelo-Simples recebe e faz todas as ligações que preciso, e que são poucas. E os meus netos todo mundo sabe que são lindos…

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Aí, depois de namorar muito com um iPhone, e como a minha grana não nasce nas árvores, resolvi, em vez dele, comprar um leitor de e-books. Já li uma porção de artigos sobre essa maravilha tecnológica e estou muito inclinada a a adquirir o modelo da Sony. Para a leitora inveterada que eu sou, o gadget vai me permitir um sonho: andar por aí com centenas, talvez milhares de livros e lê-los em qualquer lugar onde estiver. Para mim, não me importa se os livros têm como suporte os átomos ou os bytes. Em qualquer formato, a essência mesma da Literatura que é o diálogo entre o leitor e o escritor, mantém-se preservado e vivo, para deleite de quem gosta de ler, na tela ou no papel.





Os blogs de Margareth Duval

2 10 2009

Nesta sexta-feira quero lhe dar um presente: a visita aos blogs de Margareth Duval, profissional da área de Comunicação, onde faz quase de tudo.

Na sua apresentação, ela diz que tem “… paixão pelas artes. Vintage, retrô e afins, (…) livros – principalmente os ligados à história e biografias. Imagens, quaisquer, de revistas em quadradinhos (se preferirem, em quadrinhos) a fotografias e pinturas de grandes mestres, assim como a arte Naïf, desde que transpirem a vida capturada e não aprisionada… amo as que permanecem nas retinas.”

Os blogs de Margareth Duval e a sua revista eletrônica merecem visita demorada e leitura minuciosa. Eu ainda estou perdida neles, com os olhos transbordantes de imagens e o juízo aos pinotes com algumas coisas que vi lá.

E você? Espera o quê? Clique nos links e viaje!

Mol-TaGGe – Arte, cultura e vintage.

Spiritus Litterae

Nos Blogs

E o outro blog dela você vai ter que descobrir sozinho porque eu gostei tanto que vou guardar o endereço só pra mim!





Seis meses blogando todo dia

29 09 2009

Quando comecei este blog, em 26 de março deste ano, não achava que fosse póssivel levar a cabo o que me propus: colocar todos os dias um assunto novo à disposição do leitor, para que ele adquirisse o hábito de vir aqui diariamente, na certeza de encontrar sempre uma novidade, algo novo para ler. Pois não é que, contrariamente a essa minha previsão pessimista, venho conseguindo manter o blog no ar e atualizado?

E para quem chegou aqui recentementemente, eu preciso dar umas informações. A primeira delas é que este blog Umas & Outras não tem um tema definido. São crônicas sobre o cotidiano, observações que faço quando vou a algum lugar ou simplesmente vagueio pela cidade, comentários sobre livros, filmes e programas de TV, e, obviamente, textos opinativos, porque tenho minhas opiniões sobre ass coisas e gostos de expô-las.

Há seis meses, completados antes de ontem, que escrevo aqui todo dia, excetuando pouquíssimas ocasiões em que estava doente e completamente sem condição de escrever. Sempre honrei este compromisso com você com textos escritos ou visuais – e chamo de textos visuais àqueles posts onde coloco só figuras, mas figuras expostas dentro de uma temática, dentro de um contexto, costuradas por uma idéia. E esses textos visuais feitos somente com figuras me dão mais trabalho do que simplesmenete escrever!

O Umas & Outras, exercício literário que quero fazer durante um ano, já chegou na metade do caminho. Cerca de 600 a 700 internautas me visitam todo dia. Poucos deixam comentários, mas um número razoável escreve direto pro meu email e comenta.

Então, meu caro leitor, continue por aqui. Volte sempre e traga os amigos. Estarei aqui todo dia, trocando uma idéia, comentando sobre a vida, opinando, escrevendo, compartilhando este pedaço da minha vida com você.

Veja também:

O primeiro post deste blog

Dois meses no ar

Um post só de figuras





Plágio na Internet

8 09 2009

Uma pessoa me perguntou o que era que eu fazia para impedir que as pessoas copiassem os meus textos publicados neste blog para publicar como se fosse delas. E eu respondi: nada. Nada mesmo. Porque não é possível fazer absolutamente nada para impedir que textos, meus e de qualquer outra pessoa, sejam copiados. O que posso fazer é acionar judicialmente alguma pessoa que publicar esses textos sem a minha licença.

É muito comum a apropriação sem licença de material publicado na rede porque as pessoas têm a impressão de que aqueles textos, ou desenhos, ou fotografias que estão ali não têm dono, são de domínio público.

jacksondopandeiro2Eu mesma tenho sido eventualmente copiada. Muitas pessoas copiaram e continuam copiando meu texto sobre Jackson do Pandeiro que está no site que criei em 1998 sobre o cantor e compositor de “O Canto da Ema”. No início me aborreci, e interpelei – não judicialmente, mas por e-mail ou telefone – alguns desses copiadores. A desculpa que sempre me dão é que colocaram meu nome. Aí eu vou lá e vejo meu nome colocado como “fonte”. Vocês já pensaram? Já imaginaram se a moda pega? Eu publico um livro chamado Dom Casmurro, contando a história de uma certa Capitu de olhos de ressaca e cito Machado de Assis como “fonte”…

Então é preciso saber que ninguém pode publicar o texto de outro sem licença por escrito, mesmo colocando o nome, mesmo colocando o crédito. É preciso a licença, porque você imagine que eu escrevo um texto e alguém publica num site que não tem nada a ver com as coisas que penso ou defendo? Já pensou um texto meu publicado num site racista ou preconceituoso de alguma forma? Ou num site pornográfico? Eu realmente não gostaria nem um pouquinho.

Em 1999 eu precisava de um texto engraçado para encerrar uma palestra que ia fazer no Internet Shopping, um evento que aconteceu naquele ano em Natal. Escrevi então “A Oração do Internauta” e deixei um tempo na primeira página do meu site tendo sido ela até citada na coluna do Gravatá, no Jornal O Globo.

Aí, um camarada cujo nome eu sei mas não me interessa citar, publicou a “Oração…” na Revista Internet-BR como se fosse da autoria dele. Deus e o mundo me mandou e-mail comunicando, e alguns perguntando se eu não ia tomar uma providência, mas achei que não valia a pena. Um texto pequeno, uma bobagem, que não pagava o trabalho de reivindicar a autoria. Hoje, a “Oração…” está em tudo o que é site de humor na Internet, quase sempre com alguma modificação mas mantendo a estrutura original que escrevi. Basta você digitar a palavra no Google que vai encontrá-la. Pensa que me importo? Nem um pouco. De certa forma, fico até feliz por ver o que escrevi tão aceito que todo mundo gosta e quer publicar. E acho mais fácil escrever outra, diferente, ou uma Ave-Maria do e-mail ou um Credo do software. Para mim, é fácil. Deve ser difícil para outros que, por isso, precisam copiar.

Isso também me faz lembrar do tempo da ditadura militar, quando a censura riscava os versos dos nossos poemas, as falas dos personagens das nossas peças, as letras de nossas músicas… Aí a gente ia e escrevia tudo de novo, de outro jeito, e sempre saía melhor.

Felizmente, abençoada que sou pelos deuses, me acho assim como a galinha dos ovos de ouro: me levam um ovo, mas eu ponho quantos mais eu quiser. E há também a constatação de que, quando há uma moeda falsa no mercado é porque existe em circulação a moeda verdadeira, muitas vezes mais valiosa.

Abaixo, a “Oração do Internauta” na sua forma original, do jeito que eu escrevi em 1999.

Satélite nosso que estás no céu
Acelerado seja o vosso link
Venha a nós vosso hipertexto
Seja feita a melhor conexão
Assim na terra como no céu.

O download de cada dia nos dai hoje
Perdoai o café derramado no teclado
Assim como nós perdoamos aos nossos provedores
Não nos deixei cair a conexão
E livrai-nos do spam.
Intel.





Dois copinhos e um barbante

15 08 2009

Um leitor deste blog me mandou esta semana um email perguntando se determinado texto postado aqui não já havia sido antes publicado no Tribuna do Norte. Quando eu disse que sim, que o texto já havia sido publicado, ele chiou! Pois é: esses meus leitores são danados de temperamentais, chiam, reclamam, xingam – a maior parte elogia e gosta – mas eu também dou a mesma atenção para as reclamações, uma vez que é ouvindo a voz discordante que crescemos e aprimoramos o trabalho.

Pois bem, como ia dizendo, o meu leitor xingou porque, segundo ele, não estava querendo “ler matéria requentada”! Mas minha gente, me diga: eu posso fazer algo além de me divertir com uma coisa dessa? Primeiro porque não tenho intenção de publicar inéditos; depois porque não sou jornalista, não publico “matérias”. Sou uma escritora, e agora blogueira. Publico textos, crônicas, artigos, conversa fiada, miolo de quartinha, coisas escritas na hora – como essa de hoje – e também textos que foram publicados em jornais e se perderam, embulhando o peixe no mercado no outro dia, e que jamais sairão publicados em livro.

Este blog, entre outras coisas, tem a proposta de recuperar esses textos, porque uma vez publicados na Internet e não sendo deliberadamente apagados pelo autor, aqui ficarão eternamente, espero eu, abrigados em algum dos trocentos milhões servidores que existem pelo mundo afora. Vocês devem ter notado que é essa tônica que caracteriza o Umas & Outras nessa sua nova fase. (Leia mais sobre o Umas & Outras no link Quem Somos, abaixo do cabeçalho do blog.)

telefonelataAqui, escrevo geralmente textos novos, mas isso não me impede de postar textos adredemente escritos, como gostava de dizer a minha avó, com sua mania de palavras em desuso. E nestes próximos dias, em que estou mudando de cidade, sem Internet, prepare-se para ler algumas coisas “requentadas”, como diria o meu caro leitor cujo comentario deu início a este post. Além disso, tenha paciência se eu não responder imediatamente aos comentários. A partir de segunda-feira, estou dependendo da dupla Oi/Velox, e quem depende dessa dupla está sujeito a chuvas, trovoadas e tsunamis, sem nenhuma esperança de uma previsão segura.

Diz Sandro Fortunato, com sua eterna mania de reclamar e de botar defeito nas coisas, que depois de “umas duas semanas e muitos telefonemas, eles entregam dois copinhos e o barbante em sua casa…” Esperemos, pois.





Jackson do Pandeiro e a Internet

4 08 2009
Jackson do Pandeiro

Jackson do Pandeiro

Hoje quero contar uma coisa engraçada, que me aconteceu no ambiente da Internet.

Em 1998 Jackson do Pandeiro foi agraciado postumamente com o Prêmio Sharp de Música. Procurando na Internet, descobri que não havia muita coisa sobre ele, e nenhum site que tratasse somente da sua obra. Aí, coincidindo com a entrega do prêmio, criei e coloquei no ar o primeiro site sobre Jackson do Pandeiro que foi feito neste país. Um site simples, bem abaixo da grandeza do artista mas era tudo o que eu, uma simples fã, poderia fazer para homenagear o imortal criador de O Canto da Ema. Ainda está no ar, é bem visitado e você pode acessá-lo no endereço http://jacksondopandeiro.digi.com.br

Recebo muitos e-mails de pessoas que o visitam e pedem informações, fazem sugestões e elogiam a inciativa. Mas também recebo emails de cantores e produtores perguntando se podem gravar as músicas de Jackson, ou onde podem comprar os discos, ou sugerindo que eu disponibilize os MP3 – o que não posso fazer, por causa dos diereitos autorais. Muitos também escrevem para o site pedindo informações sobre onde podem ter aulas de pandeiro ou pedindo ajuda para comprar pandeiros.

Mas nada se compara a um e-mail que recebi certa vez que transcrevo com todas as letras, resguardando obviamente a identidade da criatura que me enviou.

O e-mail dizia:

“Olá, Jackson. Tudo Bom?
Sou Fulana de tal, do site TalTal.com (www.taltal.com), um site americano de música, que tem escritório em Nova York, Buenos Aires e São Paulo, além de estarmos preparando nossa entrada na Europa.  Além de sermos um diretório de MP3, damos bastante destaque ao conteúdo, isto é, entrevistas, críticas, etc. Estamos com um projeto de uma nova seção, em que apresentaremos o perfil de personalidades da música. Não poderia, é claro, faltar você, que é, certamente, um dos nomes mais importantes da nossa música. Por isso, estou mandando este email.  Gostaria de marcar uma entrevista com você. Ela pode ser feita por email ou telefone, como preferir.
Aguardo resposta ansiosamente. Obrigada.  Atenciosamente,

Aí a criatura assinava, colocava 0 email e os telefones para contato.

Jackson e Almira, sua primeira esposa e partner.

Jackson e Almira, sua primeira esposa e partner.

Ora, aquele site na época era bastante respeitado no meio musical e eu fiquei surpresa com o desconhecimento de uma pessoa que deveria ser mais informada, como essa tal Fulana. Só para ver até onde ia a coisa, respondi que era possivel conceder a entrevista por e-mail e assinei como se eu fosse Jackson do Pandeiro.

Aí, ela me respondeu:

“Oi, Jackson! Tudo Bom?
Fiquei muito feliz com sua resposta. Estou enviando abaixo as perguntas. A seção deve estrear em breve, por isso, pediria que você me respondesse o mais rápido possível.  Ah, e me mande uma foto também, ok?  Muito obrigada novamente.
Abraço,

Enviou então umas vinte perguntas cada uma mais absurda que a outra, do tipo:

“Qual artista e/ou música que te enlouquece, te colocando para dançar ou faz você desligar o rádio? Qual o seu videoclipe favorito? Quem  são os (as) cinco artistas do mundo da música mais sexy de todos os tempos? Se você pudesse ser outra pessoa, quem seria?”

E isso sem nenhuma pergunta sobre a produção musical ou o processo criativo do artista. O pior de tudo é que na primeira página do site de Jackson do Pandeiro, através do qual ela havia feito contato comigo, tem as datas de nascimento e morte do cantor: “1919-1982″…

Para mais informações sobre Jackson do Pandeiro, visite o site http://jacksondopandeiro.com.br ou venha até Alagoa Grande, na Paraíba, onde está instalado o memorial que preserva a obra e o acervo do cantor. Ou então compre o livro “O Rei do Ritmo” (Editora 34) escrito pelos jornalistas Fernando Moura e Antonio Vicente.





Você acredita em tudo?

3 08 2009

question-mark2Você acredita em tudo que chega na sua caixa postal pela Internet?

Desde  que o e-mail foi inventado que recebemos todo tipo de mensagens. Mães desesperadas enviando fotos de crianças perdidas, pedido de doações para crianças com doenças gravíssimas e que precisam fazer cirurgia, milionários africanos cujos milhões de dólares estão presos em alguma conta e que precisam de uma pessoa para ajudá-los a entrar na posse da fortuna. São histórias de rins arrebatados durante a noite, de cobras venenosas nas alfaces de um supermercado, de dinheiro ou celulares grátis se você enviar certa quantidade de e-mails.

Isso sem contar a enorme quantidade de textos com autoria atribuída a grandes nomes da literatura como Oscar Wilde, William Shakespeare, Fernando Pessoa e Clarice Lispector. Há ainda textos creditados a jornalistas e autores em destaque na mídia como Arnaldo Jabor, Luís Fernando Veríssimo ou Ariano Suassuna. Com o nome do último está circulando um texto sobre o forró de baixo nível, na verdade escrito pelo jornalista pernambucano José Teles.

Jorge Luís Borges

Jorge Luís Borges

É conhecido o poema Instantes, atribuído a Jorge Luís Borges (“Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros…”), poema cujo título original é I Would Pick More Daisies e cujo autor é Don Herold, tendo sido publicado em Seleções do Reader’s Digest em 1953. O curioso é que este autor, escritor, humorista e cartunista escreveu mais de dez livros mas sua obra mais conhecida circula o mundo atribuída a outro… O poema, impresso em poster na década de 1980 por um laboratório farmacêutico, foi largamente distribuído a médicos e eu mesma tinha um pregado na minha parede… até descobrir a verdadeira autoria. Fã de Borges, não quis compactuar com a impostura.

Um dia desses, numa palestra “motivacional”, a palestrante recitou um poema de Clarice Lispector que, como sabem aqueles que conhecem sua obra, nunca escreveu poesia. Mas o tal poema circula na Internet e pode ser lido normalmente ou da última para a primeira linha, artifício que provavelmente seduz as mentes mais simplórias, que o propagam.

W. Shakespeare

W. Shakespeare

Vi esta semana um anúncio da oficina de um artista visual onde ele estrutura todo o trabalho em cima do texto Você aprende, atribuído a William Shakespeare, mas que na verdade é da autoria de uma jovem norte-americana, Veronica Shoffstall, que o publicou em um livro de 1995 com o título Chicken soup for the soul. Quem conhece os textos de Shakespeare jamais confundiria a prosa elisabetana do século XVI com a escritura do Você Aprende (…Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma…) As pessoas que gostam desse texto ficam tao fanatizadas por aquelas palavras que são capazes de brigar se você afirmar que o texto não é da autoria do bardo de Stratford.

O último boato da Internet refere-se a uma suposta liminar que a indústria Monsanto teria dado entrada para proibir o Ministério da Agricultura de divulgar uma cartilha onde explica tudo sobre os alimentos transgênicos. A Monsanto não entrou com liminar nenhuma, a cartilha vai começar a ser distribuída amanhã pelo Ministério mas a notícia já rodou a Internet porque todo mundo, como diria minha mãe, “emprenha pelos ouvidos”* e adora demonizar uma multinacional. Veja os detalhes no blog DNAm dos biólogos Gabriel Cunha e Rafael Soares.

A lista é interminável, e se você quer saber de tudo o que é fraude que ocorre na Internet clique no excelente site  Quatrocantos. É importante comprovar as coisas antes de sair espalhando por aí.

*A expressão “emprenhar pelos ouvidos” significa dar crença a tudo o que ouve sem questionar. No caso, a tudo que recebe por e-mail…





O Rapaz, a Moça e o Sistema

6 07 2009

Hoje quero lhe apresentar três entidades que fazem parte da minha vida e da sua, meu caro leitor, três entidades importantes e, digo mesmo, indispensáveis à nossa vida, à nossa saúde, ao nosso bem-estar. Apresentar é modo de dizer porque você, provavelmente, já entrou em contato diversas vezes com elas, e desses encontros deve ter saído sempre uma pessoa não direi melhor, mas muito mais experiente. São elas o Rapaz, a Moça e o Sistema.

orapaz01Quem é O Rapaz? O rapaz está em todo lugar. Essa onipresente criatura é aquele que, por exemplo, cuida do som ou do projetor sempre que vamos falar em algum lugar, dar uma aula ou ministrar uma palestra. Chama o rapaz pra ligar o som. O rapaz que liga o projetor ainda não chegou. Vamos esperar o rapaz. O rapaz esqueceu a chave e voltou em casa lá na Zona Norte para apanhar. O rapaz foi levar a mãe no hospital e só chega daqui a pouco. O rapaz. O rapaz.

O rapaz parece tão necessário quanto fugidio em tudo o que fazemos na nossa vida. Compramos um armário novo e lá ficamos de castigo em casa por três dias esperando o rapaz que vem fazer a montagem. Solicitamos um canal de TV paga, e lá vem de novo o rapaz passar a fiação e conferir vida ao nosso televisor. Colocamos o lixo na porta do apartamento e temos que esperar o rapaz que passa todo dia às dez para apanhar os sacos azuis. E vou confessar uma coisa, meu caro leitor: no meu quarto de dormir, este recinto sagrado e inviolável que fica no meu apartamento, o rapaz já entrou mais vezes do que qualquer outra pessoa viva!

orapaz03Bem ou mal, de maneira rápida ou demorosa – no mais das vezes demorosa – o rapaz sempre está fazendo algo para nós. Já A Moça, não. A moça parece ter prazer em não fazer. A moça geralmente está atrás de um balcão, de um guichê, tendo à frente um terminal de computador do qual ela não tira os olhos. Não adianta ser simpática, elogiar-lhe o brinco ou a maquilagem, dizer gracinhas, e muito menos dizer que está com os pés doendo depois de horas na fila. A moça é simplesmente incomovível, é uma criatura de pedra, fria e atenta apenas àquilo que ela chama de “os procedimentos”, para os quais foi treinada e levada a abandonar qualquer toque de humanidade ou de ligação com o ser humano seu semelhante que está ali, à sua frente.  A moça só vê o manual de procedimento e a tela do computador, e fim de papo.

rapaz04E é a moça quem tem nas mãos o nosso destino. É ela quem carimba o formulário, autoriza o pedido, emite o bilhete de passagem, imprime a guia, libera a consulta ou cirurgia, entrega a nota fiscal, troca o aparelho ou o artigo que veio com defeito, registra sua compra. É a moça, sempre a moça, que está do outro lado do aparelho telefônico quando você quer algum esclarecimento, deseja fazer uma compra ou solicitar um serviço.

A propósito, há agora uma nova versão da moça, uma moça virtual, que entende o que você diz ao telefone, desde que seja dentro do assunto. Se tossir, ou espirrar, ela diz de forma educada: “Não entendi”. E se você responder: “Foi somente um espirro, minha filha”, a criatura repete, sem emoção: “Não entendi”. Se a outra moça, a real, é ensinada a não pensar, a seguir apenas o procedimento, essa moça virtual é pior: é criada já, do berço – ou da bancada do laboratório – sem capacidade de entender qualquer coisa que não seja o tema ou o serviço ao qual se dedica, qual escrava eletrônica, sem nenhum consideração pelos humanos que somos todos, sujeitos a tossir enquanto estamos falando.

orapaz04E aqui entra em ação a terceira personagem, a mais poderosa, a terceira pessoa da santíssima trindade da esquizofrenia e loucura desses nossos tempos modernos: O Sistema. O que é o sistema? Ninguém sabe. Para mim, é o Sistema, assim, com “S” maiúsculo, uma entidade inscrita no imaginário da sociedade tecnológica quase com o poder de divindade. Nenhum ato, por minúsculo que seja, pode ser efetivado se o Sistema não aceitar. Matricular um filho numa escola, fazer um pagamento, alugar um simples DVD na locadora, licenciar o carro, pagar uma conta, ter o pagamento dessa conta reconhecida… Tudo depende do Sistema.

orapaz05Ah, meu caro leitor! O Sistema é poderoso e é cruel, além de obedecer a uma lógica que escapa ao entendimento da minha mente humana, simples e sem sofisticação. É o Sistema que me pune não sei por qual pecado cometido quando, depois de passar horas no supermercado fazendo as compras, e enfrentar uma fila, chegando ao caixa, pés estropiados, dor de cabeça, fome, vontade de ir ao banheiro, o que acontece? O Sistema não aceita o meu cartão, cartão esse que foi aceito uma hora antes pelo mesmo Sistema no posto de gasolina onde fui abastecer o carro. Sem outro meio de pagar a compra, o que me resta? Abandonar o carrinho com a carne, o feijão e o arroz, e descarregar sobre a moça do caixa e o rapaz que empacota a minha frustração, tristeza e cansaço.

Por causa deles, dessa trindade monstruosa, corporificada à minha frente, Sistema-Moça-Rapaz, insensíveis às minhas queixas, é que um dia eu ainda vou fazer como Zabé da Loca e morar no mato. Quem viver, verá.


A quem interessar possa, já arranjei o apartamento, do jeito que eu queria, e desejo aqui agradecer de coração a todos aqueles que ajudaram, telefonaram, mandaram emails, sugeriram, procuraram e demosntraram solidariedade.





Facilitando a vida

25 06 2009

Hoje, com preguiça de escrever, vou lhe apresentar aqui umas dicas de organização e facilitação da sua vida, retiradas dos sites que visito o tempo todo e todas testadas por mim.

1 No site Efetividade.net o que fazer com os documentos, recibos de bancos e extratos de contas. Jogo ou não jogo fora? A respota está aqui. http://www.efetividade.net/2009/06/23/organizacao-de-documentos-em-casa-nova-lei-pode-acabar-com-nossas-montanhas-de-recibos/

2 Antonio Azevedo diz: “Faça agora”. E é mesmo! http://www.antonioazevedo.com.br/2008/10/faca-agora/

3. PocketMod ajuda. Faça um para você. http://repocketmod.com/

4. Use esse diagrama de produtividade http://rmaues.org/blog/2009/03/27/nerdy-productivity/

5. A melhor lista telefônica virtual. http://www.102web.com.br/telemar.htm

6. Tabela supercompleta de calorias. http://www.cdof.com.br/nutri4.htm

7. Cozinha pra quem não sabe cozinhar direito. http://www.muitogostoso.com.br/

8. Um timer on line para você não esquecer a panela no fogo. http://e.ggtimer.com/1minute

9. Converta qualquer documento em PDF. http://www.freepdfconvert.com/

10. E se o barulho da vizinhança lhe incomoda, informe-se aqui. http://www.chegadebarulho.com/

Finalmente, se nada der certo, chame o Aristeu.

aristeu-evangelico-honesto_1





A máquina de escrever

6 05 2009

_maquina_de_escreverUm dia desses, o médico Marcus Aranha, em artigo no Correio da Paraíba, falava sobre uma máquina de escrever muito querida, uma velha Olivetti que o acompanhou durante muito tempo na sua atividade de escrever.

As pessoas de menos de 25 anos não sabem o que é isso. Muitas delas provavelmente jamais se sentaram em frente a uma máquina de escrever e, ao som do matraquear de suas teclas, escreveram poesias, contos ou trabalhos escolares.

Mário Prata

Mário Prata

Há uma deliciosa crônica de Mario Prata, que você pode ler inteirinha no site do autor, que conta como duas crianças explicam para a mãe sobre um curioso artefato que encontraram nos guardados de uma velha tia.

As crianças dizem que é uma máquina tipo um teclado de computador e que há uma “impressora” ligada nesse teclado, só que sem fio. E continuam maravilhadas dizendo que é só digitar que a máquina imprime direto na folha de papel, sem precisar “aquela chatice” de ligar o computador, esperar entrar, entrar no Word, escrever olhando na tela, mandar para a impressora e esperar imprimir, sem precisar ligar na tomada, nem comprar cartucho, nem nada. E o único problema da máquina – que as crianças consideram de menor importância – é que não dá para trocar a fonte nem aumentar a letra!

Máquina Olivetti igual à que tive durante décadas.

Máquina Olivetti igual à que tive durante décadas.

É curioso como coisas tão indispensáveis como as máquinas de escrever se tornaram obsoletas do dia para a noite com o advento dos computadores, que simplificaram e embelezaram o trabalho de compor nossos textos, com uma variedade de tipos e formatos que tornam qualquer criança da terceira série de hoje mais cheia de recursos do que as grandes gráficas de quarenta anos atrás.

Ah, meu caro leitor! Os milagres da tecnologia são tantos que nos fazem esquecer da boa, sólida e valorosa máquina de escrever. Eu mesma, que escrevo à máquina desde os doze anos de idade, muitas vezes adormeci ao som do seu suave batucar enquanto papai escrevia na sala de jantar.

Acordava no meio da noite e lá estava o barulho da máquina, aqui e ali cortado por pausas, umas curtas, outras mais longas, as pausas da inspiração, durante as quais ele pensava, meditava, e fazia contato com esse terreno misterioso de onde vêm as idéias. Dali, daquela valente máquina, o meu pai tirava os seus textos, poemas e, mais do que tudo, o nosso sustento. Posso dizer que, em todos os aspectos, devo o que sou hoje a uma máquina de escrever.

E já que andei mexendo no baú das velharias, uma foto do passado.

Os jornalistas Nilo Tavares (meu pai) e Epitácio Soares, e o professor Stenio Lopes, em plena atividade na Federação das Indústrias do estado da Paraíba, onde Papai era o chefe da secretaria.

Os jornalistas Nilo Tavares (meu pai) e Epitácio Soares, e o professor Stenio Lopes, em plena atividade na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, onde Papai era o chefe da secretaria. O ano é algo em torno de 1962, 63.





Cascavilhando…

24 04 2009
Biblioteca Digital Mundial: uma grande viagem.
Biblioteca Digital Mundial: tela de abertura.

Biblioteca Digital Mundial: tela de abertura.

Quando um dia eu morrer e chegar no outro mundo - céu, inferno, ou o que seja – a minha primeira pergunta vai ser: “Onde fica a biblioteca?” E se o cara lá responder que não tem biblioteca eu sei que estou frita porque devo estar mesmo no Inferno, da Terceira Caldeira pra lá.

O meu consolo é que, como dizem que o Diabo é o pai do rock, devo encontrar por lá alguns amigos roqueiros e a possibilidades de uns shows bem trash-metal, do jeito que eu gosto.

Mas voltando ao assunto bibliotecas, ando nesses dias navegando na Biblioteca Digital Mundial.

É uma iniciativa da UNESCO e da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, reunindo como parceiros a Biblioteca de Alexandria, a Biblioteca Nacional do Egito, a Biblioteca Nacional da Rússia e a Biblioteca Nacional do Brasil.

Antigos manuscritos

Antigos manuscritos

São documentos, cartas, fotos, mapas. Tudo é apresentado nas seis línguas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo) e mais o português. O Brasil participa do projeto, por intermédio da Fundação Biblioteca Nacional.

Nesta primeira fase, somente a parte brasileira é constituída por 1.500 mapas raros dos séculos XVI a XVIII e 42 álbuns com cerca de 1.200 fotografias pertencentes à Coleção Thereza Christina Maria, doada pelo Imperador D. Pedro II à Biblioteca Nacional.Esta coleção de fotografias foi registrada como Patrimônio da Humanidade no Programa Memória do Mundo da UNESCO.

Imagine o acervo dos outros países.

writer03Eu ando assim: as colunas para os jornais atrasadas, o arroz queima no fogão, as camas não são mais forradas, a roupa lavada dorme três dias dentro da máquina sem que eu me lembre de pendurar no varal e filhos e amigos pensam que eu sumi do mapa. Mas não é não: estou lá, na tal Biblioteca Digital.

Você pode ir direto lá, clicando aqui. Mas eu escolhi umas duas coisinhas pra você ir direto.

Christine de Pisan

Christine de Pisan

A primeira é o livro “Crônica de Cavaleiros em Armadura”, escrito por volta de 1410 pela francesa Christine de Pisan, uma das primeiras mulheres a ganhar a vida como escritora. Trata sobre o modo de conduta apropriado para um cavaleiro e foi traduzido para o inglês e impresso em 1489, por ordem de Henrique VII, que desejava torná-lo disponível aos soldados ingleses.

O livro continha não apenas regras de conduta, tais como um cavaleiro vitorioso deveria tratar um prisioneiro de guerra, mas também informações práticas que Pisan havia adquirido a partir de vários textos clássicos, por exemplo, como escolher o melhor local para armar uma tenda e como evitar que um castelo fosse cercado. Eu não entendo uma palavra desse inglês do século quinze mas, e daí? Só olhar praquilo, mesmo na tela, me dá um prazer que só um bibliófilo entende.

A outra jóia rara que trago para voccê é um arquivo sonoro, para ouvir. É uma das primeiras gravações da Marselhesa, o glorioso hino da França composto por Rouget de Lisle em abril de 1972 1792.

Então está esperando o quê? Vai lá cascavilhar no site.

Este post é dedicado a Regina Cascão Viana, que vive cascavilhando.





O triunfo do design

4 04 2009

discoveryfeature3001Se tem uma coisa de que eu gosto, é observar as coisas. Como são feitas, para que servem, e existe até um programa no Discovery Channel chamado “O Segredo das Coisas”, na frente do qual eu passo horas aprendendo os segredos da fabricação de lâmpadas, pregos, biscoitos, embalagens, e um monte de outros objetos simples e comuns, que a gente pega milhares de vezes e nunca imagina o tanto de tecnologia, design e soluções geniais está embutido ali.

Alguns desses objetos são tão simples que até parecem um milagre pelo muito de utilidade que têm na nossa vida. A simplicidade, no caso, representa um estágio avançado de sofisticação, do qual não nos apercebemos e que só notamos quando refletimos sobre isso.

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Johan Vaaler, inventor do clipe.

Há muitos objetos assim, mas o meu preferido é um, tão comum e banal, que passa várias vezes por nossas mãos sem que sequer notemos o milagre de tecnologia que está ali, representado apenas por um fio de aço dobrado sobre si mesmo. Refiro-me ao clip para prender papéis.

O clipe de papel é tão somente um simples fio de aço com uma dupla dobra em forma de “U”, cujo formato característico é a maneira mais funcional de prender uma folha de papel a outra sem amassá-la, marcá-la ou danificá-la. Foi inventado pelo norueguês Johan Vaaler em 1899, que clipe2patenteou o dispositivo na Alemanha pois a Noruega não tinha leis de patente na época. Até então, muitos tipos de formatos e materiais haviam sido tentados por inventores em vários países do mundo mas todos danificavam o papel, ou se quebravam com facilidade, ou sua produção era anti-econômica. Somente a invenção de Vaaler teve sucesso.

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Noruega, a terra dos fiordes... e do clipe.

Um fato curioso ocorreu na Noruega, terra natal do inventor, na Segunda Guerra Mundial. Ali era comum o hábito de usar bótons com as iniciais do rei, e quando houve a ocupação da Noruega pelos nazistas os noruegueses foram proibidos de usar os tais bótons. Em sinal de protesto, passaram a usar nas lapelas um clipe de papel, como forma de protestar contra a ocupação e reafirmar a identidade nacional.

Uma das maiores autoridades mundiais em design, o inglês Terence Conran, afirma que “o bom design é 98% funcionalidade e 2% um ingrediente estético abstrato e misterioso que nos faz querer levar a peça para a casa por achar que ela tornará nossa vida melhor”.

Quando vejo nas lojas esses aparelhos de som ultra-modernos, luzes coloridas e controles remotos de 45 teclas das quais só usamos três ou quatro, ou sites na Internet que quando abrimos tudo pisca e treme na nossa frente, lembro-me logo do clipe de papel, integrado invisivelmente ao dia-a-dia da vida moderna, paradigma da simplicidade e da sofisticação, triunfo supremo do design, equilíbrio perfeito entre forma e função. E se me fosse dado escolher entre ser a inventora do clipe ou de um aparelho complexo como, por exemplo, uma espaçonave, eu não teria dúvida: ficava com o clipe, sem pensar duas vezes.








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