Dia Mundial do Teatro

27 03 2009

teatroHoje é o Dia Mundial do Teatro. Então, deixem-me falar um pouco sobre essa arte em que milito há anos, e onde já fiz de quase tudo, principalmente como dramaturga, atriz, crítica, professora, diretora eventual, e principalmente, praticante apaixonada.

O teatro é uma atividade absorvente e muitas vezes ingrata, principalmente quando perseguimos um resultado que pretende ser mais artístico do que comercial, quando buscamos mais a evolução estética da arte que praticamos do que uma gorda bilheteria e casas lotadas.

Por outro lado, como viver de teatro sem atender aos aspectos comerciais da arte? Como pagar o aluguel, a escola das crianças e a conta do supermercado sem vender ingressos? Artistas moram, comem, têm filhos, usam luz elétrica e água encanada. Parece óbvio, mas muita gente esquece disso e adora pedir uma cortesia para não pagar dez reais por um ingresso. Conciliar arte com mercado, eis o grande dilema de produtores, diretores e atores, que vivem tendo o palco como o centro pulsante e apaixonado de suas vidas.

Entre os vários problemas que o teatro nos coloca, está um, crucial nos dias de hoje, que é a formação do ator. theatreSempre defendi, como pessoa de teatro, aquilo que chamo de preparação espiritual do ator. Essa tal preparação “espiritual” não tem nada a ver com religião, mas com a elevação do espírito, do intelecto, das idéias, dessa parte imponderável do ser humano que extrapola as habilidades corporais desenvolvidas pelos exercícios, que hoje em dia são muitas vezes colocadas como os principais requisitos para o trabalho teatral. Essas técnicas são importantes mas ficam vazias e mecânicas se o ator não tiver esse desenvolvimento interno, do “espírito”, da sua essência enquanto ser humano.

Ler, pensar, trocar idéias, ver filmes, ver quadros, ouvir música, experimentar outros tipos de artes, experienciar a transcendência, a ampliação da consciência, praticar a felicidade, tocar um instrumento musical, observar a natureza e aprender com ela…

Mas tudo isso dá trabalho e a maioria dos jovens atores continua com um pé no palco e os olhos e o desejo na TV Globo, sem sequer ir ao cinema, quanto mais ler um livro! Aí fica aquela casca seca, dominando técnicas corporais, encostando o calcanhar na nuca, mas sem referências interiores para cumprir a tarefa do ator que é criar do nada, tendo como ponto de partida apenas as falas do texto, um personagem completo.

E é aí que reside a mágica desta arte. Criar um ser humano de verdade – de verdade enquanto a cena existe – dando-lhe alma, vida, energia, emoções, suor, sangue, lágrimas e risos! Quem poderia aspirar a uma tarefa mais empolgante do que esta? Um tarefa de deuses? E isso acontece todo dia no teatro, mas num teatro feito por pessoas que, além de músculos, ossos, tendões e ligamentos tenham também espírito, alma, essência.

(Esse texto foi publicado n’A União – João Pessoa/PB – em junho de 2007).

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MINHA PRIMEIRA VEZ

Lembro da primeira vez em que subi a um palco para fazer um personagem, numa peça de teatro do SESI, em Campina Grande. Eu fazia o papel de uma mulher adulta, de uma assistente social, com falas decoradas e ensaiadas. O ano era 1958 e eu tinha dez anos de idade. Foi minha estréia.

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OS QUE JÁ FORAM

Presto homenagem a Carlos Nereu, Fernando Athaíde, Chico Vila, Lenício Queiroga, Jesiel Figueiredo, Sandoval Wanderley, Meira Pires, todos eles grandes nomes do teatro do Rio Grande do Norte, que conheci e com quem convivi. Tenho gravada na minha cabeça, como num filme, a imagem inesquecível de Sérgio Dieb interpretando Augusto dos Anjos no palco do Teatro Alberto Maranhão, em Natal, no início dos anos ’70.

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OS QUE AINDA ESTÃO

Um beijo grande para Marcos Bulhões, Henrique Fontes, João Marcelino, Keila Fonseca, Vitorio Ramon e tantos outros. Grandes amizades, forjadas nos ensaios, testadas nos bastidores e glorificadas em cena.

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Como Gipsy, a cigana, durante uma performance. Gipsy nasceu em 1996 no espetáculo  "O Romance do Pavão Mysteriozo", dirigido por Marcos Bulhões. Depois criou vida prória e saiu aprontando por aí.

MEU ALTER EGO: Gipsy nasceu em 1996 no espetáculo "O Romance do Pavão Mysteriozo", dirigido por Marcos Bulhões. Depois criou vida própria e saiu aprontando por aí. Esta foto foi feita durante uma performance na Casa da Ribeira, em 2004.

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AMANHÃ É SÁBADO…

… pé de quiabo. E tem mais Umas & Outras.

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3 responses

28 03 2009
isabel

que bárbaro!
adorei teu blog!
e a foto tbem!
beijos!

28 03 2009
isabel

sabes que estou com muita vontade de fazer teatro?
foi otimo ler isto aqui!
vou arranjar um tempo para isto.
(entre o canto, a dança, o piano, a escrita, os filhos, o trabalho, os artigos e congressos, claro…)
só tenho que arrumar umas coisinhas na vida.
depois vou te pedir umas dicas.
beijos!

28 03 2009
isabel

adorei tua idéia de elevação espiritual do ator!
acho que pode se dizer na verdade elevação espiritual do artista.
beijos!

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