EXPO-FOTO 1 – Alexandro Gurgel

29 04 2009

Para deleite dos leitores, vez por outra estarei postando aqui fotos que gosto.

Hoje o espaço é do potiguar Alexandro Gurgel. Todas as fotos são dele, e as legendas são minhas. Mais dele, e sobre ele, aqui.

Auto da Liberdade. Mosssoró-RN.

Auto da Liberdade. Mosssoró-RN. O Auto da Liberdade é uma encenação teatral ao ar livre que é realizada anualmente em Mossoró, comemorando a abolição dos escravos, realizada naquela cidade antes do 13 de maio de 1888.

Farol do Calcanhar. Touros-RN.

Farol do Calcanhar. Touros-RN.

Fazenda Pitombeira. Acari-RN.

Fazenda Pitombeira. Acari-RN.

Paz, solidão, beleza.

Paz, solidão, beleza.

A Lua Cheia sobre o mar de Ponta Negra. Natal-RN

A Lua Cheia sobre o mar de Ponta Negra. Natal-RN

Casario. Juazeiro do Norte-CE.

Casario. Juazeiro do Norte-CE.

Ponte Newton Navarro. Natal-RN

Ponte Newton Navarro. Natal-RN

E finalmente o fotógrafo, bonitão e atrevido, brincando de vaqueiro, se arriscando no meio da jurema.

E finalmente o fotógrafo, bonitão e atrevido, brincando de vaqueiro, se arriscando no meio da jurema.





Velhice fashion: mais uma estorinha de shopping

28 04 2009

shopping41Se eu fosse contar aqui o que já me aconteceu em shopping-centers, consultórios médicos, bancos e em qualquer desses lugares onde há alguém postado atrás de um balcão ou de um guichê para atender ao público – eu ia ter assunto para um livro completo. Um livro cômico, porque as situações são engraçadas; mas também um livro triste, porque certas cenas são tão patéticas que dá vontade de chorar.

A criatura que sempre está colocada atrás de um balcão, ou de um guichê, ou dançando na nossa frente, como já falei aqui, retrata casos graves de despreparo de pessoal, mostrando que é mais do que necessário que se dê um jeito urgente nessa questão, principalmente se os governantes almejam um destino turístico para regiões onde essa indústria ainda é incipiente.

Mas deixe eu contar minha historinha.

oculos-chilli-beans2Estou eu atrás de comprar uns óculos, desses da moda, enormes, escuros. Entro na lojinha modernosa, com um atendente por metro quadrado, e começo a exprimentar os  artigos do mostruário. Óculos você sabe como é: uma coisa linda, mas que quando se põe no rosto às vezes não fica tão bem.

oculoschanel_round_sunglassesA jovenzinha que me atende – 17? 18 anos? – diz que eu fico linda e maravilhosa com todos os modelos que experimento, e eu vou lá, experimentando e me olhando ao espelho sem dar muito ouvidos ao tagarelar incessante dela. Aí, de repente, não mais que de repente, um modelo ficou belíssimo. Enorme, armação vermelha, um material parecido com acrílico, ou plástico, sei lá, lente escura, parecia feito para mim.

A garota disse logo: “Esse é um modelo bem jovem.” E eu fiquei logo pensando que aqueles óculos deveriam ter sido fabricados há uns dois ou três dias, para serem tão jovens assim. Mas só pensei. Não disse. O que eu disse era que tinha gostado daquele, coloquei-o no rosto e fui soltar o cabelo, que estava preso, para ver se o efeito permanecia com o cabelo solto. Tenho o cabelo longo, bem cortado e muito bem tratado.

Quando soltei a cabeleira, e agitei minhas madeixas de um lado para o outro, o efeito foi arrasador. A garota bateu palmas e quase gritou:

– Ai que coisa mais linda! Quando eu ficar velha, quero ficar igualzinha à senhora!

oculoslanding_page_gucci_2Foi um elogio, não foi, caro leitor? Eu pelo menos até hoje tenho tomado isso como um elogio. Estou velha, mas pelo menos já tem alguém que quer ficar igualzinha a mim quando chegar à minha idade. Mas imagine só se eu fosse uma dessas clientes que quer ser jovem a todo custo? A criaturinha maravilhosa que me elogiou, de forma tão espontânea e divertida, teria perdido o emprego ali mesmo se a cliente tivesse se sentido ofendida e feito uma reclamação ao gerente.

Terminei não comprando os óculos. Custavam um-nove-zero, ou seja,R$ 190,00, porque agora não dizem mais o dinheiro nem a idade direito. Agora as coisas custam dois-quatro-três em vez de R$ 243,00 e no aniversário as pessoas completam cinco-ponto-quatro em vez de 54 anos.

Não comprei porque na loja de departamentos em frente tinha uma promoção de um forno de microondas Consul, por um-nove-nove, e eu coloquei mais nove reais e trouxe para casa algo mais consistente e útil do que os tais óculos que me transformaram, pelo menos por um instante, num ídolo da velhice fashion, qual Greta Garbo renascida das brumas do passado.





Rapidinhas

27 04 2009

gripesuinaMEDICINA PREVENTIVA

Hoje vou tomar vacina da gripe dos velhinhos. Já para a gripe dos porquinhos, ainda não inventaram nada que dê jeito.

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BOUTADE

Conta-se que o escritor Agripino Grieco foi abordado por um admirador, também escritor, que lhe  trazia seu primeiro livro, há pouco publicado. O tal escritor era do tipo que fica cavando laboriosamente um elogio do colega famoso, situação mais do que comum no meio literário. Travou-se então o seguinte diálogo:

– Dr. Agripino, – disse o escritor anônimo enquanto entregava-lhe o livro, e chamando logo o homem de “doutor” – meus inimigos estão dizendo que esse texto não é meu. Eles dizem que essse texto é do senhor, que é um plágio que eu fiz da sua obra.

Grieco  folheou o livro em silêncio, leu alguns trechos, e constatou:

– Eles não são seus inimigos, meu caro. Eles são MEUS inimigos.

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GABEIRA

gabeira1Decepcionada com Fernando Gabeira e a história das passagens, cada vez mais inclinada a não acreditar mais em nenhum político, fiz os versinhos aí, que postei no Twitter.

Na noite da ceia larga
Judas vendeu e traiu
e quando Cristo foi preso
Pedro temeu e mentiu
no festival das passagens
até Gabeira caiu…

“O que é meu, quero primeiro
Já que meu direito é!”
Com porcos comeu farelo
Com ladrões perdeu a fé
Também deve ter perdido
A tanguinha de croché…
(Clotilde Tavares)

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SEXTILHAS VS. TWITTER

Aliás, o Twitter é ótimo para improvisar essas coisas.Nos seus 140 caracteres cabe uma sextilha inteirinha.

twitter1

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O SONO DOS JUSTOS E A INSÔNIA DOS CULPADOS

Um artigo espetacular de Moacir Scliar sobre o sono. Aqui.

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DDA

Todo mundo já viu que eu hoje, em plena crise de DDA estou sem conseguir escrever um texto com mais de cinco linhas.

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Barragem Armando Ribeiro Gonçalves /RN. Foto de Canindé Soares

Barragem Armando Ribeiro Gonçalves /RN. Foto de Canindé Soares.

SÃO CANINDÉ SOARES, O PADROEIRO DAS ÁGUAS

Veja o belo espetáculo das águas no Rio Grande do Norte no blog do fotógrafo Canindé Soares, aqui.

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JET-LAG

life_serieAí vocês imaginem, dispersa do jeito que eu estou, baixei a primeira temporada da série Life e o pack de legendas veio TODO dessincronizado. Assisti três capítulos com a legenda fora da fala, com preguiça de mexer no programa de sincronização, que não-sei-porque acho umas das coisas mais difíceis de fazer no computador.

sofri que só, visse?

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ORGANIZE-SE

Como organizar suas revistas, como arrumar a bolsa, está tudo lá, no blog Chega de bagunça.

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ESTOU…

… LENDO livro nenhum. Ando inquieta.
… DESCOBRINDO o maravilhoso poeta que é William Butler Yeats. Voltarei a escrever sobre ele.
… BEBENDO água com gás com refresco tang.
… ASSISTINDO a série Life.
… BEIJANDO minha sobrinha neta Maria Luísa, um botãozinho de rosa que sexta-feira completou oito meses.
… ESCOLHENDO um personagem famoso da Paraíba para estudar a genealogia e história.
… CAMINHANDO contra o vento, sem lenço e sem documento.
… COZINHANDO bacalhau com salsão, para comer no almoço.
… DORMINDO o sono dos justos.
… ESCREVENDO o restante da genealogia dos Santa Cruz, que comecei no ano passado.
… OUVINDO Norah Jones.
… SONHANDO com um aparelho de DVD novo para reproduzir meus filminhos. O atual pifou.
… ACENDENDO velas para Santa Zoraide, minha santinha de devoção, para ela me ajudar nessa fase dispersa em que estou agora.





As igrejas do interior – Parte II

26 04 2009

Este é o segundo post da série “As igrejas do interior”. O primeiro você pode ver clicando aqui. Quando as fotos não trouxerem o crédito, é porque são minhas mesmo. Nas outras, consta o nome do fotógrafo.

Janduís-RN (Foto de Alexandro Gurgel)

Janduís-RN (Foto de Alexandro Gurgel)

Campo Grande - RN (Foto de Karl Leite)

Campo Grande - RN (Foto de Karl Leite)

Taperoá-PB (Foto de Marcos Soares)

Taperoá-PB (Foto de Marcos Soares)

Sertania-PE

Sertania-PE

Sçao Gonçalo do Amarante-RN (Foto de Alexandro Gurgel)

São Gonçalo do Amarante-RN (Foto de Alexandro Gurgel)

São José dos Ramos-PB

São José dos Ramos-PB

Serra Branca-PB (Foto de Inês Tavares)

Serra Branca-PB (Foto de Inês Tavares)

Martins-RN (Foto de Karl Leite)

Martins-RN (Foto de Karl Leite)

Teixeira-PB

Teixeira-PB

Coxixola-PB (Foto de Inês Tavares). Nesta igreja batizou-se a minha mãe e muitos dos mues familiares mais antigos, dos quais Coxixola, "A pequena notável", é o berço amado.

Coxixola-PB (Foto de Inês Tavares). Nesta igreja batizou-se a minha mãe e muitos dos meus familiares de gerações anteriores à minha, dos quais Coxixola, "A pequena notável", é o berço amado.





Sou feia mas tou na moda!

25 04 2009
MC Tati Quebra-Barraco

MC Tati Quebra-Barraco

A frase é da cantora de funk conhecida como MC Tati Quebra Barraco, mas se aplica muito bem ao nosso assunto de hoje.

Todo mundo já ouviu falar de Susan Boyle. Quero dizer: todo mundo não. Hoje mesmo, na minha lista de discussão que também tem o nome de Umas & Outras havia pessoas que nunca haviam ouvido falar dela.

Muito bem: quem é, afinal, Susan Boyle?

susan2É uma irlandesa, dona de casa, de 47 anos, que participou de um reality-show chamado “Britain’s Got Talent” cujo objetivo é descobrir talentos musicais. Os jurados são exigentíssimos, famosos por sua capacidade de arrasar com os candidatos, a não ser que sejam ótimos e muito acima da média. Aí esta mulher vai lá, canta, se sai muito bem e recebe elogios rasgados tanto da platéia como dos jurados.

Jurados do Britain's Got Talent

Jurados do Britain's Got Talent

Até aí nada demais, e eu escamoteei o “contexto” de propósito para que o meu caro leitor perceba onde é que mora o perigo. O contexto têm vários níveis superpostos.

O primeiro deles é que Susan Boyle é “velha”. Ela tem 47 anos e é “velha”, segundo a mídia, para esse tipo de coisa, ou seja, concorrer em programas de TV cantando. Mas não é só isso. Ela também é “feia”. E quem vai para esse tipo de programa geralmente são pessoas jovens e que se adequam ao padrão de beleza aceito pela maioria. No vídeo da apresentação, que circula no YouTube (se não viu, veja agora clicando aqui, e depois volte para terminar de ler!) os jurados fazem cara feia quando ela entra, a platéia mostra sinais de enfado quando ela diz que vai cantar, e então a Susan, por sinal muitíssimo à vontade no palco – pelo menos para o que ela diz que é, uma dona-de-casa – começa a cantar uma música, toda afinada, com voz bonita, uma música de difícil execução e então a platéia e os jurados se surpreendem, deliram, rebentam em aplausos.

Susan Boyle, a "darling" da hora.

Susan Boyle, a "darling" da hora.

Aí começa o fenômeno: o vídeo se espalha no Youtube, onde teve até agora zilhões de views, o público chora, os jurados dizem que foi a coisa mais linda que eles já viram e a Internet se enche de mensagens divulgando o vídeo com textos do tipo desse que reproduzo abaixo, e que me chegou sem menção de autoria:

ABRE ASPAS“Não costumo repassar e-mails, mas esse vale a pena…
Susan Boyle tem 47 anos, para muitos dos que cultivam a fútil e inútil esperança da eterna juventude, é velha…
Susan Boyle é certamente uma mulher que passaria despercebida por entre os homens, porém, se alguém a percebesse, certamente comentaria; “ela é feia, muito feia”.
Susan Boyle é escocesa, mas nasceu em West Lothian e como ela mesma diz, “o lugar é só um vilarejo”.
Susan Boyle está ou estava naquele momento desempregada…
E apesar de ser vista pela sociedade como velha demais, feia demais, caipira demais e pobre demais, Susan tinha um sonho e foi em busca dele…
Enfrentou altiva e orgulhosa os risos cínicos, as expressões de desdém e os olhares convictos de seu fracasso…
Enfrentou e disse: “sonho ser cantora profissional”…
E cantou…
Não sei se Susan Boyle conseguiu ou conseguirá ser cantora profissional, mas voltou para seu vilarejo, certa de que ninguém está condenando a ser ninguém, só porque uma sociedade baseia seus julgamentos em padrões tão medíocres e tão frívolos.
Essa é a história desse vídeo, vejam, vale cada minuto e quem sabe, talvez, mude alguma coisa dentro de cada um de nós.”
FECHA ASPAS

Aí, nova sessão de choro e de emoção entre os que recebem o texto, recheado de estereótipos, e quem lê se identifica com pelo menos dois ou três deles. Susan é “velha”, é “feia”, parece “caipira”, mora num “vilarejo”, está “desempregada” mas, “altiva e orgulhosa”, enfrentou o “cinismo e o desdém” e cantou! (E olhe que eu nem vou analisar esse texto todo, porque ele tem tanta sandice que dá dó.)

Então vi pessoas dizendo que ficaram com os olhos cheios de lágrimas, profundamente tocadas, que tiveram revelação, alumbramento e haja coisa.

De início, não entendi a razão dessa celeuma toda. Porque ela é feia? Muita gente é. Porque ela canta bem? Muita gente canta bem. Porque é feia e canta bem? Muita gente faz as duas coisas. Porque um monte de babacas pensava que ela ia se dar mal e não foi isso o que aconteceu? O mundo está cheio de babacas que têm opiniões idiotas sobre as coisas. Quanto ao desempenho artístico, Britney Spears é lindinha, e não canta nada. Aretha Franklin é feia e manda ver. Norah Jones é linda, e canta bem. E tem um monte de gente que é feia pra caramba e não canta nada.

E tem mais: O que é “ser feia“? O que é “cantar bem”? Tenho certeza de que para muito professor de canto lírico Susan Boyle não canta bem. E é “feia” segundo quais critérios? Por que é diferente de Angelina Jolie, por exemplo? E Angelina é bonita incondicionalmente? Todo mundo acha? Pra ser bonita, tem que ser como ela? Com aquela “boca-de-flor”, que sei que tem gente que não gosta? E se ela – Susan – é “velha”, com 47 anos, eu com 61 sou o quê? Matusalém? Ainda estou mandando ver em tudo o que faço, e não acho nada demais, é o caminhar natural das coisas. Não acho que dou lição de vida a ninguém quando escrevo meus textos, quando subo no palco. Porque Susan Boyle então o faria? Porque é feia, velha, mora num vilarejo e está desempregada? Isso não qualifica nem desqualifica ninguém em relação à performance artística.

Na minha lista, uma pessoa tocou no xis da questão:

ABRE ASPAS “Eu me senti mesmo ‘chocada’, porque eu não imaginava que uma pessoa daquelas tivesse uma voz tão bonita e cantasse tão bem. É por nós, pelo nosso preconceito, nossa mania de subestimar, que Susan Boyle fez tanto sucesso. Foi um tapa na cara (pelo menos na minha foi).FECHA ASPAS

Então talvez seja mesmo essa a grande sacada desse troço todo, a exposição do preconceito. Talvez eu, porque venho de um meio teatral onde a beleza não é tudo, ou melhor, é quase nada – todo mundo sabe que ator bonitinho e atriz charmosinha geralmente são ruins no palco – não me surpreendi com a Susan Boyle “feia” e “velha”. Aliás, só vim me tocar que ela estava sendo considerada “feia” e “velha” depois que comecei a receber as mensagens na Internet.

Aí vem o terceiro nível dessa coisa toda. Só os inocentes de pai e mãe acreditam que esse show todo é reality. Não é reality coisa nenhuma, é tudo ensaiado, tudo fake.

Quero repetir aqui o que postou outro dos meus assinantes (e esses assinantes da minha lista são inteligentes pra caramba!):

ABRE ASPAS “O que não se pode esquecer é que isso é tudo uma peça de marketing, esse programa vive disso, há anos. Os jurados são personagens, existem diretores, redatores, o programa passa por reuniões de pauta e o mais importante os candidatos são rigorosamente selecionados, não se admite que em um show absurdamente lucrativo, e que já se tornou uma franquia internacional, corra-se o risco de não saber o que o pessoal vai fazer na frente no palco. Não se enganem, o diretor do programa, os produtores, os jurados e boa parte da equipe do Britain’s got talent já sabiam que ela cantava razoavelmente bem. Não por coincidência em 2007, no mesmo programa, e com os mesmos jurados se não me engano, um vendedor de celulares ganhou a edição do programa e a primeira apresentação dele foi algo no mesmo estilo de Susan Boyle… Procurem Paul Potts que vocês verão, dois anos antes, a mesma cena que a de Susan, e que rendeu uma enorme divulgação na mídia alternativa (leia-se Youtube e emails spam) pelo mundo afora. Nada mais inteligente do que repetir a dose de vez em quando.” FECHA ASPAS

Isto posto, penso que é preciso pensar um pouco mais e meditar sobre aquilo que se vê, principalmente naquilo que se vê na televisão. O programa excitou o sonho de gente simples, que continua sonhando, vendo programas como esse, cuja função é fazer sonhar, enquanto vendem por muita grana os intervalos comerciais, onde passam propagandas que mostram gente completamente diferente de você, Susan Boyle, e de você, meu caro leitor, que sonhou e se emocionou junto com ela.

As propagandas mostram gente magra, de pele perfeita, músculos definidos, cabelos espetaculares, porte elegante, vestindo roupas de sonho, dirigindo carros de luxo, usando perfumes de griffe, divertindo-se com os amigos na balada, tomando a cerveja ou o uísque da moda. Se são feios ou bonitos pouco importa: são esses os personagens que a mídia nos vende como os seres perfeitos e ideais, e que servem de modelo para aquilo que a própria mídia nos ensina a ser.

NOTA. Terminei de escrever o post e fui remexer a Net em busca de fotos para ilustrar. Aí encontrei as últimas novidades sobre Susan Boyle. Pintou o cabelo, mudou o baton e livrou-se das roupas que mostravam os pneus. Veja aqui e aqui. E já se fala em fazer um filme sobre ela, estando a atriz Demi Moore cotadíssima para o papel principal. Veja aqui. Eu sou a favor! Acho que ela tem mais é que se dar bem e aproveitar.





Cascavilhando…

24 04 2009
Biblioteca Digital Mundial: uma grande viagem.
Biblioteca Digital Mundial: tela de abertura.

Biblioteca Digital Mundial: tela de abertura.

Quando um dia eu morrer e chegar no outro mundo – céu, inferno, ou o que seja – a minha primeira pergunta vai ser: “Onde fica a biblioteca?” E se o cara lá responder que não tem biblioteca eu sei que estou frita porque devo estar mesmo no Inferno, da Terceira Caldeira pra lá.

O meu consolo é que, como dizem que o Diabo é o pai do rock, devo encontrar por lá alguns amigos roqueiros e a possibilidades de uns shows bem trash-metal, do jeito que eu gosto.

Mas voltando ao assunto bibliotecas, ando nesses dias navegando na Biblioteca Digital Mundial.

É uma iniciativa da UNESCO e da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, reunindo como parceiros a Biblioteca de Alexandria, a Biblioteca Nacional do Egito, a Biblioteca Nacional da Rússia e a Biblioteca Nacional do Brasil.

Antigos manuscritos

Antigos manuscritos

São documentos, cartas, fotos, mapas. Tudo é apresentado nas seis línguas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo) e mais o português. O Brasil participa do projeto, por intermédio da Fundação Biblioteca Nacional.

Nesta primeira fase, somente a parte brasileira é constituída por 1.500 mapas raros dos séculos XVI a XVIII e 42 álbuns com cerca de 1.200 fotografias pertencentes à Coleção Thereza Christina Maria, doada pelo Imperador D. Pedro II à Biblioteca Nacional.Esta coleção de fotografias foi registrada como Patrimônio da Humanidade no Programa Memória do Mundo da UNESCO.

Imagine o acervo dos outros países.

writer03Eu ando assim: as colunas para os jornais atrasadas, o arroz queima no fogão, as camas não são mais forradas, a roupa lavada dorme três dias dentro da máquina sem que eu me lembre de pendurar no varal e filhos e amigos pensam que eu sumi do mapa. Mas não é não: estou lá, na tal Biblioteca Digital.

Você pode ir direto lá, clicando aqui. Mas eu escolhi umas duas coisinhas pra você ir direto.

Christine de Pisan

Christine de Pisan

A primeira é o livro “Crônica de Cavaleiros em Armadura”, escrito por volta de 1410 pela francesa Christine de Pisan, uma das primeiras mulheres a ganhar a vida como escritora. Trata sobre o modo de conduta apropriado para um cavaleiro e foi traduzido para o inglês e impresso em 1489, por ordem de Henrique VII, que desejava torná-lo disponível aos soldados ingleses.

O livro continha não apenas regras de conduta, tais como um cavaleiro vitorioso deveria tratar um prisioneiro de guerra, mas também informações práticas que Pisan havia adquirido a partir de vários textos clássicos, por exemplo, como escolher o melhor local para armar uma tenda e como evitar que um castelo fosse cercado. Eu não entendo uma palavra desse inglês do século quinze mas, e daí? Só olhar praquilo, mesmo na tela, me dá um prazer que só um bibliófilo entende.

A outra jóia rara que trago para voccê é um arquivo sonoro, para ouvir. É uma das primeiras gravações da Marselhesa, o glorioso hino da França composto por Rouget de Lisle em abril de 1972 1792.

Então está esperando o quê? Vai lá cascavilhar no site.

Este post é dedicado a Regina Cascão Viana, que vive cascavilhando.





Parabéns para Shakespeare!

23 04 2009
Stratoford-on_Avon

Stratford-on_Avon

Hoje, 23 de abril, comemora-se o 445º aniversário do nascimento de William Shakespeare, ocorrido no ano de 1564, em Stratford-on-Avon. Com este post encerramos a série de três posts em homenagem ao poeta inglês, objeto da minha profunda admiração e paixão desvairada, para sempre e eternamente.

Toda a produção de Shakespeare é estupenda. Foram 38 peças, além de 154 sonetos, considerados entre os mais belos em língua inglesa. Morreu em 1616, aos 52 anos, depois de uma noitada alegre com os amigos, tendo vivido toda a sua vida ligado à prática teatral, onde fez fortuna e fama.

Segundo o crítico Harold Bloom, no seu livro “A Invenção do Humano”, Shakespeare “pensou mais originalmente do que qualquer outro escritor e tinha um domínio quase sem esforço da linguagem”. Seus personagens tão humanos, quase mais humanos do que nós mesmos, nos lançam numa investigação interior da qual não podemos escapar. Ao ler, ou ver qualquer das suas tragédias, principalmente “Hamlet” ou “Macbeth”, é como se estivéssemos abrindo nossa alma no divã de um psicanalista. As comédias também não são um simples passatempo, mas nos levam à nossa própria “floresta de Arden”, onde nos perdemos para nos encontrar, como Rosalinda, em “Como Gostais”.

Harold Bloom

Harold Bloom

Bloom diz ainda que ele criou mais contextos para nos explicar, a nós, seres humanos, do que somos capazes de criar para explicar seus personagens: Hamlet, Lear, Falstaff, e os vilões Iago, Ricardo III, Edmundo e Macbeth, são um estudo profundíssimo da natureza humana. E as mulheres! Cordelia, Rosalinda, Viola e a maravilhosa Beatrice de “Muito Barulho Por Nada”… Seres que povoam os palcos do mundo há quatrocentos anos e cujas possibilidades estão longe de serem esgotadas.

Mas afinal, Shakespeare existiu mesmo? É uma pergunta que sempre escuto quando o assunto vem à tona. Quem conhece e estuda a obra do poeta inglês já está acostumado com isso e sabe que periodicamente aparece alguém colocando em dúvida a autoria das peças e sonetos, já atribuída a mais de cinqüenta nomes, incluindo Christopher Marlowe, Francis Bacon, o Conde de Oxford e até a própria rainha Elizabeth I!

The Globe, teatro de W.S. na Londres do século XVI.

The Globe, teatro de W.S. na Londres do século XVI.

Felizmente para os bardólatras, como eu, não há mais dúvidas sobre quem escreveu as peças: foi ele mesmo, William Shakespeare, quem em 1582 já vivia em Londres, fazendo e escrevendo teatro.  O jovem William foi para Londres aos vinte e três anos de idade onde, começando como ator, passou depois a escrever peças e em 1599 tornou-se um dos sócios do Globe Theatre. Em 1603, passou a fazer parte dos “Homens do Rei”, a mais importante companhia teatral da Inglaterra. São também desse período, início do século XVII, as suas obras mais importantes, como “Hamlet” (1601), “Rei Lear” (1605) e “Macbeth” (1606).

Unânimes nesse reconhecimento, os estudiosos shakespearianos já se acostumaram com o fato de que vez por outra aparece alguém em busca da notoriedade conferida por uma crítica ou um fato em relação a Shakespeare. É a grandeza do poeta inglês que leva o mundo a ficar sempre de olho nele, mesmo depois de decorridos quase quatrocentos anos da sua morte.

Foram muitos os nomes que duvidaram da sua real existência, como Mark Twain, Henry James, Sigmund Freud, Charles Dickens, Walt Withman e Charles Chaplin. A autoria foi questionada a primeira vez em 1796, por um certo Herbert Lawrence, e em 1848, por Joseph Hart. Surgiu então Delia Bacon, uma americana radicada na Inglaterra em 1853, que se dizia descendente do filósofo inglês Francis Bacon, e afirmou ter provas de que fora o seu antepassado e não Shakespeare o autor das obras famosas. O debate pegou fogo nos meios acadêmicos, nada foi provado e a sra. Bacon terminou seus dias num manicômio, talvez por não ter sido levada a sério.

Fontispício de uma das edições das suas peças.

Fontispício de uma das edições das suas peças.

Roger Pringle, diretor da Fundação Shakespeare Birthplace, não acredita nos argumentos apresentados pelos pesquisadores que vez por outra aparecem com dientidades novaa para W Shakespeare. Diz ele que o que os move é apenas o desejo de vender livros. Já Ann Thompson, professora do King’s College London e editora da série Arden Shakespeare, defende que tudo isso é puro preconceito: setores do meio acadêmico e intelectual jamais aceitaram que um homem sem instrução universitária pudesse erguer tais monumentos literários. É mais uma vez o preconceito do erudito contra o popular, deformação que persegue Shakespeare há quatrocentos anos e que nossos autores de cordel e poetas populares já experimentaram várias vezes, na própria pele.

Compartilho aqui com você algumas jóias do poeta inglês. Vejam esta, bem adequadas a estes nossos tempos, onde se fala sem pensar e se difama por distração: “O bom nome para o homem e para a mulher, meu caro senhor, é a jóia suprema da alma. Quem rouba minha bolsa, rouba uma ninharia. É qualquer coisa, nada; era minha, era dele, foi escrava de outros mil. Mas quem surrupia meu bom nome tira-me o que não o enriquece e torna-me completamente pobre.” (“Othelo”, Ato III, Cena 3).

Há, também uma peça dele, não tçao conhecida, “Como Gostais” (“As you like it”), uma deliciosa comédia, cheia de tramas, onde a heroína se disfarça de homem e os poemas de amor parecem nascer nas árvores. Um dos seus melhores momentos é a fala do personagem Jacques, na Cena 7 do Ato II, sobre as “sete idades do homem” e traça um retrato entre trágico e irônico do que é a nossa vida.

Matteo Pangallo como Jacques.

Matteo Pangallo como Jacques.

Jacques começa dizendo que “…O mundo é um palco; os homens e as mulheres, meros artistas, que entram nele e saem. Muitos papéis cada um tem no seu tempo; sete atos, sete idades. Na primeira, no braço da ama grita e baba o infante. O escolar lamuriento vem depois, com a mala, de rosto matinal, e como serpente se arrasta para a escola, a contragosto. Então vem o amante, fornalha acesa, celebrando em balada dolorida as sobrancelhas da mulher amada. A seguir, estadeia-se o soldado, cheio de juras feita sem propósito, com barba de leopardo, mui zeloso nos pontos de honra, a questionar sem causa, buscando a falaz glória até mesmo na boca dos canhões. Segue-se o juiz, com ventre bem forrado de cevados capões, olhar severo, barba cuidada, impando de sentenças e de casos da prática; desta arte seu papel representa. A sexta idade em calças magras tremelica, óculos no nariz, bolsa de lado, e a voz viril e forte, que ao falsete infantil voltou de novo, chia e sopra ao cantar. A última cena, remate desta história aventurosa, é mero olvido, uma segunda infância, falha de vista, de dentes, de gosto e de tudo.”

Ah, meu caro leitor! Ninguém descreveu com tanta poesia e capacidade de síntese esta vida que levamos. Shakespeare é uma leitura grandiosa, a qualquer estado de espírito, a qualquer necessidade da alma. Sempre haverá uma peça, ou trecho dela, que exprima exatamente aquilo que estamos pensando e às vezes nem compreendemos direito; ou aquilo que queremos dizer mas não sabemos como.

E é por isso que nos aqui, quatrocentos e quarenta e cinco anos depois, estamos repetindo as palavras deste homem que com sua arte, conseguiu levantar o véu que encobre essa matéria sutil: a Alma Humana.

No post de amanhã, voltaremos aos assuntos habituais, muito embora seja possível passar um ano inteiro. escrevendo diariamente sobre William Shakespeare.





Ser ou Não Ser, eis a questão?

22 04 2009

hamlet-yorik“A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca” ou simplesmente “Hamlet”, como é mais conhecida, é entre as obras do “bardo” aquela que se encontra no topo da excelência artística. O enredo conta a história do príncipe Hamlet, cujo pai morre de causas aparentemente naturais; o fantasma do rei aparece então ao príncipe dizendo que foi assassinado e pedindo ao filho pra vingá-lo.

pooryorick2Dito assim, parece ser uma simples história de vingança, mas não é. Enquanto a trama vai sendo construída, os personagens vão se mostrando mais elaborados e o personagem principal assume um nível de profundidade e complexidade tal que serve como um verdadeiro estudo da alma humana.

“Hamlet” é uma obra tão arraigada no imaginário ocidental que, mesmo que nunca a tenhamos lido ou visto no palco ou no cinema, nos lembramos imediatamente dela se nos mostrarem a imagem de um homem, em atitude meditativa, segurando um crânio. E se eu perguntar a qualquer um dos meus caros leitores o que Hamlet está dizendo nesta hora provavelmente todos responderão: “Ser ou não ser, eis a questão”.

pooryorickMas é engano. Não é isso absolutamente o que diz o príncipe nessa hora. O famoso “ser ou não ser” localizado na Cena I do Ato III, ocorre numa sala do Castelo de Elsenor, onde não há caveiras nem ossadas. A cena na qual Hamlet empunha o crânio é, na verdade, a famosa “cena dos coveiros”, a primeira cena do Ato V.

Nesta cena, Hamlet está no cemitério do castelo, onde dois coveiros estão abrindo a cova de Ofélia, que será enterrada daí a pouco. Revolvendo a terra com a pá, um dos coveiros encontra uma caveira. Hamlet pergunta de quem seria aquele crânio e o coveiro responde que pertencia a Yoric, o bobo do rei. O príncipe então toma a caveira entre as mãos e lamenta; “Pobre Yorik”, relembrando quando era criança e se divertia na corte com os gracejos do bobo.

Então, por que sempre pensamos que o homem com a caveira na mão está dizendo o famoso “to be or not to be”? Elementar, meu caro leitor: a frase mais famosa da peça (e talvez do teatro) funde-se quase sem querer com sua imagem também mais famosa, embora aterradora: o homem, contemplando filosoficamente o profundo mistério da Morte.

Imagem e frase, impressas para sempre em nossa mente, em tributo eterno a um homem que elevou a dramaturgia ao nível das obras primas. Parabéns, William Shakespeare.

Laurence Olivier, na famosa cena.

Laurence Olivier, na famosa cena.





Shakespeare, sempre e eternamente!

21 04 2009

shakespeare2Todo ano nessa mesma época estou falando, escrevendo, dando cursos ou oficinas sobre William Shakespeare, o imortal poeta e dramaturgo inglês, o homem cuja obra atravessou incólume, poderosa e sempre renovada a barreira dos séculos e ainda encanta multidões.

Nesta quinta-feira, 23 de abril, decorrem 445 anos do seu nascimento, que ocorreu no ano de 1564 na cidade de Stratford-on-Avon, na Inglaterra. E daqui dessas lonjuras do espaço/tempo eu, fã inconteste, tiete despudoradamente shakespeareana até a última fibra do meu coração poético e teatral, saúdo este homem e digo que sua leitura continua sendo fonte de um prazer estético e artístico indescritível, que deveria ser experimentado por todos.

Por que ler Shakespeare hoje? Ora, minha gente! Porque Shakespeare – como todo clássico – é atual, é universal e é genial. Mas é velho, diria você. É antigo, é antiquado, trata de reis e rainhas, coisas obsoletas, que não existem mais.

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Hamlet e o fantasma

Mas eu lhe peço dois minutos de atenção. Imagine uma história onde fantasmas aparecem e revelam crimes do passado, e um jovem se vê na obrigação de vingar a morte do pai, sendo traído e enganado pelos amigos e pelo rei, usurpador do trono. Na ânsia de vingar-se, despreza a namorada e ela enlouquece e morre. No final, tudo dá errado e morrem todos! Parece quadrinhos, Sandman, Mangá, Kill Bill ou Batman. Parece a novela das oito ou o último épico que está passando no cinema próximo.

Mas não é nada disso: é “Hamlet“. O bom é que esta peça, escrita em 1501, pode ser vista como uma história de assassinato e vingança, povoada de fantasmas, suicidas e paisagens de cemitérios; mas pode também ser entendida como uma das mais espetaculares viagens de descoberta de um ser humano à procura da sua própria alma.

Macbeth

Macbeth

E não venha me dizer que Shakespeare é chato, que a linguagem é incompreensível e difícil de entender. Eu defendo a idéia de que tudo que há em “Hamlet” pode ser compreendido por qualquer adolescente de quinze anos. É somente uma questão de se entregar, de mergulhar na lógica interna daquela linguagem aparentemente difícil. Depois de dez minutos, você está entendendo tudo.

Aí alguém pergunta (como já me perguntaram): “E porque então ele não escreveu numa linguagem mais simples?” Ora, meu caro leitor! Você está propondo que o pavão, com aquele leque de mil cores que se desdobra com lentidão e maravilha, se torne preto e branco? O que eu sei é que os jovens adoram, quando entram na viagem.

Sonho de Uma Noite de Verão

Sonho de Uma Noite de Verão

E o que é isso: “entrar na viagem”? É despir-se dos preconceitos e ultrapassar as barreiras que nos separam dessa obra tão genial. A principal barreira, e talvez a mais amedrontadora, é mesmo a da linguagem. William Shakespeare se expressa com riqueza de detalhes, de metáforas e de imagens poéticas de uma forma que revolucionou a língua inglesa da época elisabetana e que ainda hoje dificulta um pouco a sua leitura até mesmo no idioma original. Mas é só relaxar, deixar-se levar pela magia das palavras e começar a entender que “o úmido astro que ergue o império de Netuno” é a Lua, e que “a carga de Hércules” é o mundo, o globo terrestre. Mal comparando, as músicas de Marcelo D2 e do “rap” em geral, por exemplo, também são incompreensíveis para quem não “entra na viagem” da linguagem, das expressões, dos assuntos abordados.

O Mercador de veneza

O Mercador de veneza

Quanto aos temas, são os mesmos e eternos temas que o ser humano sempre gostou de discutir: ambição (“Macbeth”), vingança (“Hamlet”), inveja, ciúme e desconfiança (“Otelo”), amor impossível (“Romeu e Julieta”), enganos do amor (“Sonho de Uma Noite de Verão”), velhice, decrepitude e ingratidão dos filhos (“Rei Lear”), orgulho e prepotência (“Coriolano”), a luta pelo poder (“Ricardo III”, “Júlio César”), magia e encantamento (“A Tempestade”), como agarrar um homem – ou uma mulher (“A Megera Domada”, “Trabalhos de Amor Perdidos”), o exercício da justiça (“O Mercador de Veneza”)… e por aí vai.

Coriolano

Coriolano

A experiência prática que eu tenho é que, quando se apresenta Shakespeare aos jovens, no início há uma estranheza por causa da linguagem; mas logo em seguida, quando se “entra na viagem”, a paixão é súbita, avassaladora e permanente, a mesma paixão que se abateu sobre mim quando, curiosa e despida de idéias preconcebidas, li o “Hamlet” pela primeira aos 16 anos de idade. Não compreendi muita coisa, mas gostei – nem sempre é preciso compreender para gostar – e hoje, depois de décadas lendo de novo e novamente essa obra, considero que ela ainda me reserva muitos espantos e surpresas.

A partir de hoje, e por mais dois dias, culminando no dia 23 de abril, seu aniversário, estaremos aqui rendendo homenagem a William Shakespeare.

Então, comemore comigo e saiba que, em qualquer lugar do mundo, quando no ar vibrarem as suas palavras imortais, lidas em qualquer idioma, o bardo de Stratford estará conosco, conectando-nos com a alma poética da Humanidade, e fazendo correr um oceano de Beleza, Poesia e Prazer para dentro do nosso coração.





Virose braba!

20 04 2009

Ontem um vírus ou uma comida mal feita tomou conta de mim. Fiquei doente, derrubada, com sintomas gastro-intestinais (tem hífen?) arrasadores, inútil para o mundo, miseravelmente fora de combate. De 10 em 10 minutos, um golinho de soro caseiro que eu mesma preparei porque: SORO CASEIRO: EU ACREDITO! De 10 em 10 minutos, rezando e torcendo para melhorar porque hoje de tarde eu estarei fazendo uma palestra sobre “O Escritor e a Internet”, na União Brasileira dos Escritores-PB.

Quanto eu era estudante de Medicina, e depois médica recém-formada, não tinha assim tanto vírus solto pelo meio do mundo. Hoje, são viroses e mais viroses que nos acometem, e a gente sai de casa boazinha e volta doente, como aconteceu comigo ontem. Também havia menos e mais confiáveis restaurantes. Hoje, a gente senta numa dessas arapucas de shopping center e nem sabe se vai sair dali viva e andando.

Então, passei aqui somente para deixar esse recadinho, para dizer que estou melhorando, e para convidar quem quiser ir à tarde, lá pras 14 horas, no Centro Cultural Joacil de Britto, na Praça Dom Adauto, na capital paraibana. Vai haver palestras, exposições, e lançamentos.

Neste dia 20 de abril, data de aniversário do nascimento do poeta maior Augusto dos Anjos, comemora-se por Lei Estadual o Dia do Escritor Paraibano.

NOTA, postada em 20/04 às 20 horas: não melhorei, e não pude ir ao evento. Ainda estou doente, e refletindo sobre a facilidade com que o delicado mecanismo do corpo humano se desregula com uma besteira. Estou convalescendo, mas essas 24 horas onde meu corpo simplesmente se transformou num caos, foram difíceis.





O domingo é chato

19 04 2009

Olhe: se não fosse o Amor, eu não sei como conseguiria vencer estes domingos intermináveis.

Porque, meus queridos, como diz Emile Cioran, “a única função do Amor é a de ajudar-nos a suportar essas tardes dominicais, cruéis e incomensuráveis, que nos ferem para o resto da semana e para toda a eternidade.”

Ficam algumas imagens, catadas aqui e ali no meu baú, que valem mais do que mil palavras.

Bonecos de mamulengo

Bonecos de mamulengo

Treze Futebol Clube, passado glorioso.

Treze Futebol Clube, passado glorioso.

Jackson do Pandeiro: documentos.

Jackson do Pandeiro: documentos.

Coisa mais linda! Não sei o que é, e nem sei mais onde achei.

Coisa mais linda! Não sei o que é, e nem sei mais onde achei.





O nome dos gatos

18 04 2009
Dara

Dara

Aqueles que me conhecem sabem que eu adoro os gatos. Já tive, desde a minha adolescência, incontáveis companheiros bichanos e afirmo que ter um gato é uma experiência única e cheia de conteúdos tão ricos quanto estranhos. Não é como ter um cachorro ou outro qualquer animal de estimação. Ter um gato é diferente de tudo o que você já fez ou imaginou.

Camila

Camila

Aliás, a bem da verdade, você não “possui um gato”. Ele é que se julga seu dono, comportando-se como bem quer e entende, e pensando que você e todos os humanos que o cercam se encontram ali apenas para satisfazer suas vontades: colocar ração, água, alisar-lhe o pelo – mas somente quando ele permite. Quando ele lhe agrada, não é por gratidão ou afeto, como o cachorro: é por interesse, porque quer alguma coisa em troca. Orgulhosos, voluntariosos, preguiçosos, narcisistas… eu simplesmente amo os gatos!

Bizo

Tiara

Sobre eles já escrevi incontáveis páginas, e outras tantas crônicas e penso que enquanto viver sempre terei o que escrever sobre gatos. Hoje quero comentar um poema de T. S. Eliot e chama-se “The Naming of Cats”, “O Nome dos Gatos”, que me foi passado pelo meu amigo Zé Roberto Penteado, acompanhado de uma tradução de Ivan Junqueira. Eu simplesmente me encantei com o texto, mas algumas soluções da tradução não me agradaram e eu, metida que sou, mudei algumas coisas. No final deste post, o texto original em inglês.

O texto se inicia dizendo mais ou menos assim:

Bolota

Bizo

“Dar nome a um gato é coisa complicada
E não é tema para brincadeiras
Você pode até dizer que eu sou maluco
Mas cada gato tem três nomes diferentes.”

Então, o poeta diz que o primeiro nome é aquele comum, pelo qual a família chama o bichano no dia-a-dia, como – e aqui vão os nomes dos meus bichanos – Everaldo, Galileu, Julio Braga, Irlanda, Brigitte… Lembrei-me ainda do Bonifácio de “Os Maias”, de Eça de Queiroz, mas esse sozinho merece uma crônica. São nomes sólidos, comuns, e que muitos gatos já tiveram.

Bem, esse é o primeiro nome. O segundo nome é um nome especial, um apelido, que somente aquele gato tem, e pelo qual o devemos chamar pois sem ele, como diz o poeta, como poderia o gato “manter sua cauda ereta e vertical, fazer vibrar os bigodes e arrepiar-se de vaidade”? Aí entram Chininho, Olhinhos Ternos, Bruzundanga, Zureiúdo

E o terceiro nome? Ah, esse nome é aquele que…

“… ninguém jamais imaginaria
O nome que ninguém consegue descobrir
Que só o gato sabe, e a ninguém confessa.
Quando o vires em meditação absorta
A razão, eu te digo, é sempre essa
Sua mente está entregue ao profundo
deleite de saber que é único no mundo.
E ele pensa, e pensa, e pensa em seu nome
Seu afável, inefável e inenefável
insondável, profundo, singular e puro Nome.”

Bizo e Bolota

Tiara e Bolota

Abaixo, o poema na íntegra. Também ouvi dizer que foi esse poema que serviu de inspiração para o conhecido musical Cats, grande sucesso da Broadway. Os bichanos merecem. Os gatos que ilustram este post são todos do casal Pedro-Quirino-Meu-Irmão/Ledinha. Os meus próprios gatos estão na fila, com um post individual para cada um, num futuro próximo.

The Naming of Cats, da autoria de T.S.Eliot.

The Naming of Cats is a difficult matter,
It isn’t just one of your holiday games;
You may think at first I’m as mad as a hatter
When I tell you, a cat must have THREE DIFFERENT NAMES.
First of all, there’s the name that the family use daily,
Such as Peter, Augustus, Alonzo or James,
Such as Victor or Jonathan, or George or Bill Bailey –
All of them sensible everyday names.
There are fancier names if you think they sound sweeter,
Some for the gentlemen, some for the dames:
Such as Plato, Admetus, Electra, Demeter –
But all of them sensible everyday names.
But I tell you, a cat needs a name that’s particular,
A name that’s peculiar, and more dignified,
Else how can he keep up his tail perpendicular,
Or spread out his whiskers, or cherish his pride?
Of names of this kind, I can give you a quorum,
Such as Munkustrap, Quaxo, or Coricopat,
Such as Bombalurina, or else Jellylorum –
Names that never belong to more than one cat.
But above and beyond there’s still one name left over,
And that is the name that you never will guess;
The name that no human research can discover –
But THE CAT HIMSELF KNOWS, and will never confess.
When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rapt contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.

Dara

Dara





Dança comigo?

17 04 2009

nervosoAs más línguas dizem que eu sou nervosa, estressada, intolerante, impaciente, perfeccionista, que quero tudo do meu jeito, que não quero aceitar as mudanças.

Nada mais falso. Começando pelo final dessa minha extensa lista de defeitos – minha não, que me atribuem – eu tenho a declarar que sou perfeitamente acessível às mudanças, e posso mesmo acrescentar que procuro por elas. Sou doida por mudança, sou maluca por novidade. Todocomputer01 mundo é testemunha de que fui uma das primeiras pessoas a me conectar à Internet, quando a maioria dos seres humanos da minha idade pensava que a rede mundial de computadores era uma coisa para adolescentes, e que era usada basicamente para jogos on line. Estou conectada desde 1993, ou 94, nem me lembro bem.

Quanto a querer tudo do meu jeito – e aqui me lembro daquele personagem que dizia que pintura_urbanasó tinha dois jeitos: o jeito dele e o jeito errado – continuo dizendo que não é bem assim. Descobri, ao longo dessa minha vida de décadas, que há jeitos muitos melhores do que o meu jeito, e venho praticando jeitos de todo jeito, em todas as áreas nas quais atuo, e sempre, sempre me dando muito bem.

Agora no que se refere a algumas pragas da vida moderna: som alto, gente sem noção, políticos desonestos (aliás, bastava dizer ”políticos” porque não conheço um só que seja honesto – deve até existir, mas eu não conheço), falta de delicadeza, de cordialidade, de reconhecer e respeitar o espaço do outro… Aí sim, eu sou mesmo nervosa, estressada, impaciente.

caneca_defeitoJá escrevi demais sobre isso, mas sempre tem assunto, sempre tem uma história nova para contar. De novo e sempre e novamente e outra vez voltam à cena esses “ceres humanos, meus dessemelhantes”. Encontrei-os ontem no shopping, quando tentava comprar um presentinho para minha sobrinha-neta, que completou quatro anos. Eu queria comprar uma carteirinha de cédulas para a garota, pois ela já está começando a entender o valor do dinheiro e precisa de um lugar para guardar suas moedinhas e as notas de dois reais que a tia-coruja lhe dá de vez em quando.

Entro na lojinha descolada e divertida, toda enfeitada, com garotas atendentes alegrinhas e risonhas. Enquanto estou me aproximando das prateleiras para olhar os artigos, uma delas, aí dos seus vinte, vinte e poucos anos se aproxima.

– Oi! – e irradia sobre mim toda a energia da sua juventude, enquanto executa um passo de dança no ritmo da música que é transmitida pelo “som” da loja, em volume um pouco acima do normal.

– Oi! – respondo eu, um pouco cansada, e já meio impaciente, pois há quase uma hora ando nesse shopping em busca da tal carteirinha. – Você tem carteirinha de cédulas para menina?

– Oi? – responde a garota, trocando a exclamação pela interrogação, pois o som altíssimo não deixa que ela ouça. Repito a pergunta, e quando já estou quase desconfiada de que o vocabulário dela se restrinja à palavra “Oi”, ela grita para as outras, que estão amontoadas atrás do balcão, em risinhos e cochichos, uma vez que sou a única cliente da loja:

– Mulhééééééééé (assim mesmo, sem o “r”)! Baixa esse som aí, que eu não tou nem conseguindo escutar a cliente!

O som é baixado, e ela me olha, ainda dançando, e diz:

– Oi! Como é seu nome?

– Meu nome? – pergunto eu, sempre surpresa quando acontece de entrar numa loja e quererem saber o meu nome. Eu entrei ali para realizar uma compra, uma transação comercial, e não para fazer amizade. Mas respondo.

– Clotilde.

Ela se derrete toda:

– Oiiiiiiiiiiiii, Matilde!

– Matilde não, minha filha: Clo-til-de.

– Ah, sim, desculpe. Clo-til-des! Pois o meu é Fabiana.

– Oi, Fabiana – respondo eu, na falta de coisa melhor para dizer. – Vocês tem carteirinha de cédulas para menina?

– Para menina não, Clotildes, mas temos umas lindas para meninos, você não quer dar uma olhadinha?

– Não, eu queria para menina. É um presente para uma menina de quatro anos.

– Ah, Clotildes, então você não quer ver outras opções de presentes? Temos cada artigo lindo, e tenho certeza de que a menina ia gostar muito mais do que de uma carteira. Criança de quatro anos não usa carteira ainda!

Isso é discutível. Criança de quatro anos usa agenda, com os compromissos da escola. Por que não poderia usar carteira para guardar o dinheiro do lanche? Mas desisto, não tenho mais energia para continuar a conversa.

– Então se você não tem, obrigada – e vou saindo. Ela vem atrás de mim, pega no meu braço:

– Mas Clotildes, você já vai? Fique mais um pouco!

Bem, isso aqui deve ser algum tipo de festa, penso eu. Aí, acerto o meu passo com o dela, porque a criatura continua dançando o tempo inteiro em que conversa comigo e começo a dançar com ela até ela ficar sem jeito, parar de dançar, quando então a deixo plantada e vou embora sem uma palavra.

Por isso me chamam de impaciente, estressada e sem jeito.

Sou mesmo.





E haja chuva!

16 04 2009

O açude Gargalheiras, lá no Seridó Potiguar, está sangrando. As estrofes são dos poetas Rogério e Chico Alves e a foto é de Hugo Macedo.

gargalheiras_2009

“Vou pra ver o açude botar cheia
Que o sertão quando chove é um encanto
O volume da água aumenta tanto
Que a garganta da serra se aperreia
O trovão estremece, o céu clareia
O açude transborda, a mata cheira
Sopra o vento, as estradas sem poeira
Rio cheio, sol frio e flor no prado
O açude está cheio, o chão molhado
Vou voltar pro sertão segunda-feira”.

“No início o carão deu um aviso
Uma nuvem rasgou-se e fez inverno
E o sertão que sem água era um inferno
Num minuto tornou-se um paraíso
E nós vamos tirar o prejuízo
Desses anos de seca e quebradeira
Vamos ter nos festejos da fogueira
Milho verde, canjica e bode assado
O açude está cheio, o chão molhado
Vou voltar pro sertão segunda-feira.”





Mapas mentais e coisas que tais.

15 04 2009

mapamental2

Ge-ni-al! Achei aqui, onde tem muito mais.

°°°°°°°°°°

ESTOU…

… APRENDENDO com a experiência, mais uma vez.
… COMEMORANDO amanhã, dia 16, o aniversário de Maria Eduarda, minha sobrinha-neta, neta de Pedro-Quirino-Meu-Irmão.
… PREPARANDO uma fala para o Encontro da UBE-PB no próximo dia 20.
… DESEJANDO um celular emprestado de qualquer senador, preu ligar pra quem quiser.
… QUERENDO umas passagens de avião de qualquer deputado, preu viajar pra onde eu quiser – e como não posso levar Mamãe, que já está no céu, levar Ana Morena junto.
… ENCOMENDANDO roupinhas, vestidinhos, para mim mesma.
… ESCREVENDO todo santo dia neste blog, mesmo que pouca coisa se aproveite..
… LUTANDO contra o caos: esta é a minha vida.
… PLANEJANDO colocar mais um blog no ar, desta vez dedicado somente a textos de ficção.
… VIAJANDO a Natal nesses dias, provavelmente depois do feriado.
… ABRAÇANDO o sol, beijando o mar…
… ADIVINHANDO chuva.

°°°°°°°°°°

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh





Bobagem e diversão

14 04 2009

Como vivo navegando na Internet, topo com coisas engraçadíssimas, que você nem imagina. Sao fotos, piadas, histórias bizarras, coisas que você nem imagina. Além disso, amigos e desconhecidos enviam para a minha caixa de e-mail tudo o que é de coisa.

Neste post, compartilho com você algumas dessas curiosidades. Sem obedecer a nenhum critério, fui vasculhando meus arquivos e encontrando fotos engraçadas que queria que você visse. Não sei quem fez as fotos, ou de onde elas foram capturadas. Se algum de vocês souber a autoria, me avise que coloco o crédito.

E divirtam-se.

Qual deles você escolheria?
É assim que me sinto quando estou de dieta...

É assim que me sinto quando estou de dieta...

Sem legenda.

Sem legenda.

Sem legenda, again.

Sem legenda, again.

Eu acho bonitinho, e você?

Eu acho bonitinho, e você?

Eu não tomo bebida alcoólica, mas o povo que eu conheço simplesmente a-do-ra esse vinho!

Eu não tomo bebida alcoólica, mas o povo que eu conheço simplesmente a-do-ra esse vinho!

E lá vem a noiva!

E lá vem a noiva!

5-cervejas

Em época de crise, faz-se qualquer negócio!

E finalmente os dois bonitões que me chamaram para almoçar hoje. Vou correndo, porque eles já estão à minha espera.

E finalmente os dois bonitões que me chamaram para almoçar hoje. Vou correndo, porque eles já estão à minha espera.





Sou Flamengo!

13 04 2009

clotilde_flaMuitos leitores vão me odiar por essa afirmativa. Mas eu nem ligo. Sou Flamengo sim, desde que me entendo por gente e via na parede da sala de visitas lá de casa, em lugar de honra, um quadro com a seleção tricampeã no início dos anos 50. Nos dias em que o Flamengo jogava, Papai  sentava-se ao lado do rádio e escutava o jogo, enquanto nós ficávamos por ali, lendo ou brincando. E nos acostumamos a torcer junto, a gritar gol, e a cantar o hino, que sei cantar completo até hoje.

É um dos dois times do mundo pelos quais eu tenho paixão (o outro é o Treze Futebol Clube, de Campina Grande-PB).

O Flamengo é paixão, é uma coisa que corre nas veias, e que sempre me alegra quando, indo pela rua, vejo a camisa rubro-negra envergada por alguém.

Então, o 1 x 0 de ontem sobre o Fluminense me deixa feliz, e não resisto a publicar aqui a minha felicidade.

Mengoooooooooooooooooo!





A dois passos do Paraíso – Bananeiras-PB

12 04 2009

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Abrindo o site da prefeitura de Bananeiras, o texto diz que a cidade está “… localizada na Serra da Borborema, região do Brejo paraibano, a 130 km de João Pessoa e a 70 km de Campina Grande. Com altitude de 526 metros, Bananeiras possui clima frio úmido, com temperatura média de 28°C no verão e 10 °C no inverno.”

Esta é apenas a informação técnica, que não fala da Natureza exuberante, da sucessão de paisagens que nossos olhos descortinam de onde quer que a gente esteja, cada uma diferente da outra, proporcionadas pela topograaborboleta2fia da região. Tudo verde, tudo úmido, tudo com aquela impressão de Paraíso Terrestre, de um mundo que parece que foi inventado naquele instante, com milhares de matizes de verde e cheio, lotado de vida, passarinhos, insetos, formigas, abelhas, marimbondos, imbuás e tudo quando é de bichinho miúdo e bonitinho rastejando, voando, zum-zum-zumbindo, cantando, chilreando, borboleteando, no meio das flores de todas-todas-todas-todas as cores. E veja aborboletavocê, meu caro leitor: eu que sou avessa ao frio e que só gosto de Natureza se ela estiver do outro lado de um vidro blindex, me abestalhei com o cuidado de filigrana de detalhe, de minúcia, que o Universo empregou para criar essa jóia que repousa no centro do escrínio verde do Brejo. Ô Paraíba bonita danada, minha gente! Cheia de tesouros que não conhecemos. A temperatura amena, mesmo neste abril que está ainda calorento em muitos lugares do Nordeste, traz uma noite de sono tranqüilo, “sem rádio e sem notícia das terras civilizadas”, debaixo de um cobertor quentinho.

Também por isso Bananeiras está se transformando num destino desejado por muitos, para fugir do calor e da agitaçãoacentro dos grandes centros. O metro quadrado disparou de preço e não é todo mundo que pode comprar um terreno por lá, como acontecia há alguns anos. A cidade passa por um surto de desenvolvimento, com novas construções se erguendo a cada esquina – algumas, é verdade, subvertendo a arquitetura característica da cidade, o que é uma pena – mas o fato é que os novos empreendimentos geram riqueza para o município, movimentam a economia, introduzem novos hábitos, civilizam os costumes. Mas essa história de progresso tanto tem o lado bom como o lado ruim, porque toda moeda tem duas faces. No pátio da Matriz, na sexta feira da Paixão, eu estava esperando sair a procissão para fotografar. Uma criatura me pediu esmola. Quando eu disse que não tinha, a resposta foi dura e impertinente: “É melhor pedir do que roubar…”

asobradoPassei somente um dia na cidade, a sexta-feira da Paixão. Não vi quase nada. Havia muita coisa que eu queria ver: a feira de Solânea no sábado, fazer uma visita a uns parentes Santa Cruz que moram por lá, visitar e fotografar a antiga estação de trem – só fotografei um dos túneis – ver o cemitério, andar a pé pelas ladeiras, ver a contadeira de histórias que dizematunel que é famosa, entrar nas bodegas, conversar com as pessoas na rua.

Mas o lugar não tem uma conexão de Internet com a rapidez e a facilidade que eu preciso para trabalhar. Levei meu notebook, que tem wireless mas ficou desconectado, e como tenho meus blogues e colunas de jornais com prazos para escrever e enviar, peguei o ônibus no sábado de manhã de volta a João Pessoa.

Sinceramente, acho isso uma pena. avistageral1É tão simples uma conexão sem fio! O camarada lá que fornece o sinal sem fio que havia na cidade – mas que o meu notebook não podia captar por não estar cadastrado – deveria disponibilizar para os visitantes conexões temporárias, renováveis a cada 24 horas, e cobrar por isso. Eu estava disposta a pagar até dez reais por 24 horas de conexão, se isso fosse oferecido, para poder ficar mais uns dias naquela cidade. Não me interessa essa nova tecnologia G3 pois já tenho em João Pessoa um pacote que envolve telefones fixo e móvel, conexão à Internet, e estou satisfeita com ela. Então, o bom seria mesmo chegar em algum lugar, dar um telefonema, dar o meu número IP e o cara lá configurar uma conexão provisória para mim, que eu podia pagar no meu cartão de crédito, uma coisa simples como colocar crédito num celular pré-pago. Já tive essa facilidade em outras viagens, em outros estados. Então, é possível. Acho que está faltando espírito empreendedor nesse terreno de comunicação. E não venham me dizer que estou mal-informada pois me hospedei na casa da Secretária de Turismo do minicípio, a minha amiga Ana Gondim, que mais que qualquer pessoa conhece a realidade do local. Aliás, a casa de Ana Gondim não é propriamente uma casa mas um chalé de contos-de-fadas, cujos detalhes não revelarei aqui porque eu, se fosse ela, manteria aquele ninho em completo segredo…

Enfim, depois de dois dias incomunicável, fui à rodoviária, pegar um ônibus para João Pessoa. Sentei no batente junto com minhas sacolas – os poucos bancos estavam no sol – e esperei o ônibus da empresa Boa Viagem, que me disseram que passaria às 10h40. Passou às onze horas, e lá fui eu, a bordo daquele veículo todo desconjuntado, ladeira abaixo, aonibusdescendo a serra. Janelas abertas, cortinas despregadas, ventania dentro do ônibus, e eu fiquei imaginando como deve ser essa viagem quando está fazendo os tais 10 graus que dizem que faz no inverno. Paguei catorze reais pela passagem até João Pessoa, onde cheguei às 13h40, depois de passar por Rua Nova, Belém, Pirpirituba, Guarabira, Mari, Sapé, Sobrado, Café do Vento, Santa Rita, Bayeux e João Pessoa, onde finalmente me conectei para baixar centenas de e-mails que se acumularam nesses dois dias, atualizar os blogues, e saber das novidades.

Bananeiras é um paraíso, mas vá de carro, para não precisar usar os “serviços” da rodoviária e da empresa de transporte; e se precisar de Internet rápida, esqueça. Espero que resolvam esse problema logo, porque quero voltar para passar uma semana.





Bananeiras-PB.

11 04 2009

Hoje convido você para ver as imagens que colhi na cidade de Bananeiras, no Brejo Paraibano, a  140 km da capital. Passei os dias 9 e 10 de abril nessa deslumbrante cidade, mas voltei hoje, Sábado de Aleluia, para aleluiar por aqui mesmo. Neste post já noturno vou lhe mostrar apenas as fotos, prometendo-lhe para amanhã os meus comentários sobre a cidade.

Cheguei no dia 9 de abril, quinta-feira, à tardinha, e fui logo recepcionada por uma Lua Cheia, igual àquelas da minha infãncia, parecendo um queijo-do-reino, de tão amarelinha.

Cheguei no dia 9 de abril, quinta-feira, à tardinha, e fui logo recepcionada por uma Lua Cheia, igual àquelas da minha infância, que era ver um queijo-do-reino, de tão amarelinha.

Do alto onde eu estava, via ao longe a cidade, com seu casario graciosamente acomodado nas encostas, destacando-se a Igreja Matriz

Do alto onde eu estava, via ao longe a cidade, com seu casario graciosamente acomodado nas encostas, destacando-se a Igreja Matriz.

Matriz de Bananeiras.

Matriz de Bananeiras.

Bananeiras tornou-se lugar escolhido para férias e finais-de-semana de quem mora em cidade grande. A residência antiga, reformada e habitada, ganha agora novo esplendor.

Bananeiras tornou-se lugar escolhido para férias e finais-de-semana de quem mora em cidade grande. A residência antiga, reformada e habitada, ganha agora novo esplendor.

Antigo convento das Irmãs Dorotéias, cendo-se também um monumental ficus, árvore que deve estar ali há ´decadas, símbolo da pujança vegetal da região.

Antigo convento das Irmãs Dorotéias, vendo-se também um monumental ficus, árvore que deve estar ali há décadas, símbolo da pujança vegetal do Brejo.

Doce-de-banana especial da região, com poderes afrodisíacos e que promete novo orgulho para criaturas que andavam cabisbaixas e tristes. É a famosa "Bananagra"! Eu comi um prato cheio.

Doce feito com a banana especial da região, com poderes afrodisíacos, e que promete novo orgulho para estruturas que andavam cabisbaixas e tristes. É a famosa "Bananagra"! Eu, por via das dúvidas, e mesmo sem estar cabisbaixa, comi um prato cheio.

E lá vem a procissão do Senhor Morto.

E lá vem a procissão do Senhor Morto.

O cortejo se aproxima.

O cortejo se aproxima, com os coroinhas ladeando o esquife.

Os coroinhas tocam as matracas.

Os coroinhas tocam as matracas.

O esquife com a imagem do Cristo Morto, aos ombros dos fiéis.

O esquife com a imagem do Cristo Morto, aos ombros dos fiéis.

E o Judas Iscariotes, bandido e traidor, pronto para ser malhado.

E o Judas Iscariotes, bandido e traidor, pronto para ser malhado.

Finalmente, a Natureza que explode em beleza e cores ao nosso redor.

Finalmente, a Natureza que explode em beleza e cores ao nosso redor.

Perfeita paz entre insetos e flores.

Paz perfeita entre insetos e flores.

E o beija-flor, gulosinho, empanturrado de mel, ainda consegue ficar soltinho no ar!

E o beija-flor, gulosinho, empanturrado de mel, ainda consegue ficar soltinho no ar!





Em Bananeiras-PB, com conexão instável.

10 04 2009

Cercada de flores, borboletas, passarinhos e outros representantes da flora e da fauna brasileira, num chalé no alto do monte, na companhia da minha amiga Ana Gondim, encontro-me na belíssima cidade de Bananeiras, no Brejo Paraibano, onde desde ontem lido com as dificuldades de conexão que soem acontecer quando a gente se aventura pelo interior.

Meu propósito com este blog, de TODO DIA UM NOVO POST, vai ter que se adaptar a esta situação, e procurarei manter o meu caro leitor informado, mas estou teclando no notebook alheio, e sem acesso aos meus arquivos, pois não vim preparada para tal.

Tenha paciência, então, e o que tiver de ser, será.