Estou…

31 05 2009

Uma das coisas que eu mais gostaria era de postar nesse blog todo dia de manhã. Mas isso nem sempre é possível. Hoje, domingo, um cerumano ligou um rádio em toda altura às cinco e meia da manhã aqui em algum dos apartamentos do prédio, e me acordou. Aí eu, que havia ido dormir tardíssimo, desorganizei o sono, fiquei acordada um pouco e depois dormi até quase as onze. Isso jogou para o alto todo o meu planejamento para este domingo e somente agora estou aqui mal e mal tentando escrever alguma coisa pois com a tosse que me ficou da gripe que tive durante toda a semana eu não consigo realmente engatar uma idéia na outra.

Assim, hoje é dia dos nossos famosos gerúndios.

ESTOU…

… COMENDO tapioca, arroz de leite, carne assada, pamonha e canjica (mas tudo light!).
… BEBENDO café sem cafeína com leite sem gordura. É de lascar!
… OUVINDO ao longe a cantoria de uma procissão de mulheres, que pelas ruas do meu bairro comemora o encerramento do mês de maio.
… LENDO ainda Pedro Nava, o terceiro volume, Chão de Ferro.
… ASSISTINDO os filmes da coleção lançada pela Folha de São Paulo. Ontem vi Grande Hotel, com Greta Garbo.
… CAMINHANDO meia hora por dia, mas somente a partir de amanhã.
… COMEMORANDO os dois quilos que eliminei graças à dieta e muita força de vontade.
… BEIJANDO ninguém. Com essa tosse, as pessoas nem encostam.
… DORMINDO quando os sem noção deixam.
… ESCREVENDO finalmente o que quero escrever, com regularidade, ritmo e inspiração.
… PESQUISANDO meus antepassados nos antigos livros de registro civil, agora à disposição na Internet.
… ESPERANDO as novidades que vêm por aí no cenário cultural paraibano.
… ORGANIZANDO novamente a vida, depois de dez dias de gripe.
… LUTANDO contra a preguiça, a gulodice, e uma ruma de outros pecados menores.
… ACREDITANDO que um dia vou me ver livre dessa tosse maldita.

Nicole Kidman by Annue Leibowitz

Nicole Kidman by Annie Leibowitz





As coisas que gosto

30 05 2009
Café da manhã na varanda quando o dia está bonito...

Café da manhã na varanda quando o dia está bonito...

Claustro de conventos que chamam ao sossego e à meditação...

Claustro de conventos que chamam ao sossego e à meditação...

Meus meninos: Rômulo e Ana Morena.

Meus meninos: Rômulo e Ana Morena.

Depois de dar um curso, fotografar com os alunos...

Depois de dar um curso, fotografar com os alunos...

Família: irmãos, cunhados, sobrinhos...

Família: irmãos, cunhados, sobrinhos...

William Shakespeare, e sua obra...

William Shakespeare, e sua obra...

Atuar no palco...

Atuar no palco...

Árvores.

Árvores.





Filme bom e filme ruim

29 05 2009

filmes01Fui cineclubista por muito tempo na minha vida, principalmente quando era mais jovem. Em Campina Grande, no final da década de 1960, era uma das atividades mais interessantes da cidade. Reuniões, discussões, cursos e, é claro, sessões e mais sessões de cinema, numa época em que não havia computador, nem vídeo, nem DVD.

Rômulo Araújo, prevendo o futuro, dizia para o porteiro do Cine Capitólio, em Campina: “Um dia ainda levaremos o filme para assistir em casa!” E o porteiro sorria e respondia: “Vocês são uns visionários…” Então, tenho alguma experiência. Para mim, um cineclube é filmes03um espaço para discutir e compartilhar conhecimento sobre cinema. E penso também que é preciso atrair as pessoas para lá, mas como atrair gente nova apenas com projeção de filmes? Sobretudo filmes sobre os quais ninguém tem informação, a não ser as pessoas da área, as que entendem de cinema?

Essa reflexão me veio através de uma lista de discussão que assimo, onde os organizadores de um cineclube se queixavam do pouco interesse de jovens pelas suas atividades e da dificuldade de levar gente nova para o cineclube.

filmes05Penso que discutir cinema é discutir todo tipo de filme. Querem atrair gente nova para o cinema? Discutam os filmes que gente nova gosta! Discutam Batman, Homem Aranha, Juno, Volverine, e outros. Discutam os filmes do Oscar. Por que esses filmes foram indicados? Discutam Tropa de Elite (bem, acho que já passou o tempo de discutir Tropa de Elite, mas o exemplo serve para entender o que estou dizendo: discutam o que está rolando nas telas).

Afastei-me do cineclubismo porque terminou virando uma masturbação mental, de poucos “iniciados” discutindo filmes04horas intermináveis sobre Glauber, ou Bergmann. Nada contra esses cineastas ou seus filmes, dos quais gosto muito, mas tudo tem limite. E penso que não se deve discutir somente filme bom não. É preciso discutir os filmes “ruins”, para ver porque são “ruins”.

Funciona muito também ter uns cursos de vez em quando para atrair gente, ou ciclos de palestras sobre, por exemplo, “A jornada do herói no Senhor dos Anéis: comparações com Guerra nas Estrelas”, ou “A escatologia no cinema brasileiro: análise de O Cheiro do Ralo e Amarelo Manga.” ou “Zé do Caixão e seus filmes”, ou ” A obra de Michael Moore”, ou “A evolução dos efeitos especiais no filme de aventuras”, ou “Filme pornô também é cultura” (eita! esse foi de lascar!) ou o que seja.

Eu poderia sugerir aqui uma lista interminável de títulos de palestras. E terminar dizendo que o cineclubismo é uma das atividades mais interessantes para se participar, pois abre para o mundo e para as idéias, através da instigante arte do cinema.





Paisagens do Cariri

28 05 2009

O solo do Cariri
Na seca rude e deserto
Com poucas gotas de chuva
“Você pode ver de perto
Fica assim de boniteza
Desabrocha a  natureza
Como um paraíso aberto.”

cariri01

cariri02

cariri03

Essas fotos foram feitas em fevereiro de 2009, na região do Cariri Paraibano, por Cristina Evelise e Inês Tavares.





A linha genética: uma mão-na-roda para a pesquisa genealógica.

27 05 2009

Por mais que eu veja coisas estranhas, esquisitas, fora de propósito, sem noção, sempre consigo me surpreender com os episódios pelos quais sou obrigada a passar quando o telefone toca. O telefone, meus amigos, é um objeto mágico e cheio de poderes que até Harry Potter invejaria, pela capacidade que tem de trazer para dentro da nossa casa as coisas mais estranhas.

telefone1Pois ontem de noite foi assim. Estava eu quietinha sentada na frente da TV com o notebook no colo, procurando assuntos amenos e agradáveis para fazer este postzinho de hoje quando o telefone tocou.

raiva

Fui ficando estressada...

Um rapaz me disse que era da Oi e perguntou por Ana. Eu moro sozinha, disse que não havia aqui nenhuma Ana, então ele repetiu a pergunta, desta vez com o nome completo da minha filha, que se chama Ana. Aí começou um papo meio estranho, porque ele disse que havia um problema com um telefone, eu perguntei o número, ele me deu o número mas eu não reconheci, e ele não podia me dizer qual era o problema; e perguntou se eu era mãe da Ana e eu confirmei, em troca perguntei o nome dele, que era Mateus. Eu tentei saber novamente qual era o problema do telefone, ele não me disse. Ele quis mais informações sobre Ana, pediu o CPF dela para confirmar, eu me recusei a dar. Então, pedi o CPF e o RG dele, ele não me deu. Mas continuou querendo saber se eu era responsável pelo número que estava no nome de Ana, e eu não disse, e fui me estressando, e quis saber como ele tinha meu número, já que moro em outra cidade, e ele disse que a discagem tinha sido feita automaticamente, e eu perguntei se ele também funcionava automaticamente, ou seja, se era um robô, ou era gente, e ele disse que era gente, mas que a discagem era feita automaticamente e no meio desse dilema entre o automático e o humano eu terminei perdendo de vez a paciência e mandando ele e a máquina de discagem fazerem um com o outro uma atividade humana e animal que não vou descrever aqui e que nunca compreendi porque, sendo uma atividade tão agradável, é usada como forma de insulto.

Aí liguei para Ana, contei o caso, ela ligou para a Oi e descobriu que se tratava de um telefone antigo dela, que ela havia desativado mas que por um motivo qualquer ainda estava no sistema (Ah! O sistema! Um dia falaremos aqui sobre ele). Pois bem, ela esclareceu as coisas lá com o atendente e então perguntou:

mendel– Porque vocês ligaram para a minha mãe? Ela está morando por um tempo em outra cidade e não tem nada a ver com os meus negócios.

Ele respondeu:

– É porque nós temos aqui uma linha genética que, não encontrando alguém, conecta com o pai, o filho, etc.

Pronto, meus caros leitores.

Aí está a salvação da genealogia brasileira.

livrosantigosNós, incansáveis pesquisadores, não precisaremos mais ficar revirando velhos e empoeirados livros de registros, ou mergulhados em pilhas de documentos antigos cheios de mofo, que jazem há décadas em vetustas sacristias ou empoeirados cartórios.

Nossos problemas se acabaram. É só requisitar a Linha Genética da Oi. De forma automática, sem mofo, sem poeira e sem má-vontade, ela procura seus parentes, completa a ligação, estabelece os contatos e os valorosos garotos que estão ao telefone, que me incomodaram na terça-feira, 26 de maio, às oito e meia da noite, que me tiraram da frente da TV e do computador, que tiraram meu sossego e acanalharam com o meu bom-humor, provavelmente têm capacidade para acordar do sono eterno os nossos antepassados até a décima geração.





Dois meses no ar!

26 05 2009

Há dois meses comecei mais essa experiência, com o meu já conhecido Umas & Outras, desta vez em forma de blog. Hoje, sessenta dias depois, o blog está com pouco mais de 6.300 visitas, o que dá cerca de 100 visitas por dia. Eu considero um privilégio e uma honra que cerca de cem pessoas deixam de fazer outras coisas para aprecerem por aqui para leitura ou para uma zapeada rápida.

aniversario3Só para esclarecer aos novos leitores, e como bem expliquei no primeiro post do blog, o Umas & Outras é um projeto de comunicação. Começou em novembro de 1999, com um boletim que eu fazia inicialmente em formato Word e que enviava por email toda semana para uma lista de uns 200 assinantes, pela Internet.

Depois, foi mudando de cara: virou boletim em HTML, site na Internet com diversos colunistas durante um ano e com atualização diária, boletim outra vez, blog sediado no Uol, boletim em HTML de novo… E sempre, sempre com as temáticas básicas concentradas em quatro pilares: Arte, Cultura, informação e Humor.

aniversarioEntão este blog é a nova cara do Umas & Outras, que está dando muito prazer a esta escriba que vos tecla. No início eu tinha dúvidas se não seria muito complicado manter a periodicidade diária; mas até agora não foi. Tenho escrito todo dia, muito embora os recursos do blog me permitam escrever, por exemplo, dez posts, e agendá-los para irem sendo “soltos” dia após dia. Quase nunca tenho usado essse recurso, porque o barato mesmo é escrever todo dia, sobre o tema que está em minha cabeça naquele dia.

aniversario5Tenho tentado diversificar os assuntos. Tem dia em que falo sério; tem dia que é só bobagem. Há posts em que discorro sobre um tema, defendendo uma opinião; em outros, apenas comento assuntos que estão em voga. Como sei que tem gente que tem preguiça de ler, ou não tem tempo de ler posts muito grandes, alterno os escritos com os posts de figuras, como as igrejas do interior, e outros posts de fotografia, artes plásticas ou retratos. E tem aqueles da série Gerundiando, onde abro um pouco minha vida pessoal para os voyeurs (alguém me socorra e me dê o plural correto desta palavra), como o jornalista Sebastião Vicente, que diz ser a seção que ele mais gosta. Aí do seu lado direito, na coluna categorias, os posts estão agrupados por temas.

42-15660713Algumas pessoas sugeriram que eu tocasse em temas de interesse diário da cidade em que vivo – a capital da Paraíba – denunciando abusos, apontando soluções para problemas urbanos, como já fiz em outros formatos do Umas & Outras. Eu agradeço a sugestão, mas prefiro me manter num nível mais geral, mais abrangente, sem descer ao nível local. Os problemas da cidade, do estado, da política, da nação estão aí, escancarados, para todo mundo ver, e todo mundo sabe quais são. Eu prefiro falar de outras coisas que vão além do cano estourado na esquina da rua Antonio Gama, que é a rua onde moro nesta deliciosa capital. Este não é um blog engajado, nem defende nenhuma causa. Existem muitos blogs assim na Internet, e eu frequento alguns diariamente porque acredito na seriedade deles. Vez por outra os cito aqui. São muito bons. Mas, repito, este não é um deles.

aniversario4Ontem recebi um email de um leitor que diz que eu escrevo demais. Escrevo mesmo. Sou escritora. É isso que eu faço. Fica difícil me pedir para escrever menos; é a mesma coisa que pedir a um músico que faça músicas mais curtas, ou ao pintor que pinte quadros menores. Recomendei ao leitor que esquecesse o blog e me acompanhasse pelo Twitter, onde só se pode escrever 140 caracteres. E já basta as duas colunas que escrevo toda semana para o Correio da Paraíba e para a União, onde tenho espaço limitado, tipo 32 linhas em Times 12, e não posso escrever nem 31 nem 33, tem que ser 32. Pelo menos aqui no blog o espaço é teoricamente ilimitado.  Ao leitor impaciente recomendo: olhe só os posts de figuras ou siga-me no Twitter, onde também mantenho uma postagem por dia.

aniversario7Aliás, e falando-se em leitores, eu respondo pessoalmente a todos os comentários que são postados aqui. Só respondo no blog quando o esclarecimento pedido interessa aos outros que também comentaram.

Uma coisa que faz a felicidade do blogueiro são os comentários. Então, se vocês gostam de mim e querem me agradar, o que não custa nada, comentem, que me faz feliz e dá status ao blog.

Então é isso, minha gente. Continuem vindo por aqui que eu estarei como escoteiro, sempre alerta, todo santo dia, sem respeitar domingo ou feriado, enquanto puder teclar, porque o meu projeto literário deste ano de 2009 chama-se: Umas & Outras: todo dia um post novo. Durante um ano.





Estratégias da memória II

25 05 2009

Hoje vou continuar com o assunto da memória, porque no post de sábado eu esqueci (hahaha) de várias coisas que queria dizer, o que foi até bom, para o post não ficar muito comprido.

Gipsy, minha personagem preferida.

Gipsy, minha personagem preferida.

Lido muito com memória. Como sou atriz, uma das coisas que é preciso fazer no palco é ter o texto inteirinho na ponta da língua. Não somente o texto – as palavras – mas as intenções, os gestos, os olhares, a posição do corpo, o deslocamento no espaço, em suma, aquilo que chamamos “as marcas”. No teatro, todas essas coisas complementares, todo esse contexto ajuda a memorizar o texto em si, as palavras.

Outra coisa importantíssima em cima do palco é como lidar com o terror de todo ator, que é “o branco” – aquela situação em que você simplesmente não lembra de nada, esquece tudo. Penso que a única solução, o único remédio, é eliminar o estresse que é o maior causador dos “brancos”. Se você acha que não vai lembrar, não vai lembrar mesmo! “To play” tanto é “atuar”, como “jogar”, como “brincar”. Relaxar no palco, ver o trabalho do ator como uma doação amorosa da energia humana, integralmente a serviço da criação do personagem, não é uma coisa maravilhosa? Então como ficar nervoso com um fenômeno desse? O palco é uma festa, uma glória, um deslumbramento e o “branco” só surge quando a gente se estressa por querer impressionar, por colocar os objetivos do ator acima dos objetivos do personagem.

Com Jessier Quirino, poeta e declamador.

Com Jessier Quirino, poeta e declamador.

Vamos ver agora um outro caso de palco, o caso do declamador que, ao contrário do ator, não tem o auxílio do contexto. Aí, eu quando decoro algo para ser recitado diante de uma platéia, estabeleço comigo mesma algumas marcas e gestos mínimos, coisas que só eu sei, lugares pra onde olhar, e também me remeto ao formato da página onde o texto está escrito e à situação que o texto ocupa na página: página par, página ímpar, em cima, embaixo… São truques que todo artista tem e que não me incomodo de revelar. É assim que vou do começo ao fim, ao longo das cerca de 130 sextilhas do folheto de cordel O Pavão Misterioso, que sei todinho decorado. Além do “Pavão”, sei muita coisa decorado, mas se não houver uma constante repetição, a gente vai esquecendo. Por isso é preciso praticar.

Zé de Cazuza

Zé de Cazuza

Na poesia, elementos como a métrica e a rima falicitam a memorização e por isso as sagas e epopéias da Humanidade, no tempo da tradição oral, quando ainda não havia a escrita, eram formuladas em verso, para facilitar a memorização.

Conheço muitas pessoas que têm memória prodigiosa. A Rede Globo mostrou, no programa sobre a memória, o grande poeta popular Zé de Cazuza como exemplo. Mas conheço muita gente com memória igualmente prodigiosa. Meu pai, o jornalista e poeta Nilo Tavares, era uma dessas pessoas, recitando sonetos e mais sonetos, poemas e mais poemas, hora após hora. Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, Emilio de Menezes e outros tantos dos seus poetas preferidos desfilavam na nossa frente enquanto ele, com sua voz forte e rouca para o homem tão pequeno que era, desfiava verso atrás de verso, quarteto atrás de quarteto, soneto atrás de soneto. Já velhinho, desmemoriado, sem conhecer ninguém, eu o ouvia falando baixinho. Ia devagar ao pé de sua cama e lá estava ele, repetindo seus sonetos preferidos, um depois do outro… Era como se estivesse desfiando o último fio da memória já deteriorada pela demência senil, a chamada “caduquice”, que o acometeu nos últimos dos seus 86 anos de vida.

pavaoO meu tio Cláudio Tavares, comunista histórico, vivendo em Recife durante toda a sua vida, também tinha esse tipo de memória, ainda melhor do que a de Papai. Ele decorou um dicionário inteiro, o “Dicionário da Fábula”, de Chompré. A pessoa abria o dicionário e dizia: página 86! E ele começava a dizer o que tinha escrito na página 86.

Uma ocasião tive uma doença infecciosa qualquer, uma inflamação de garganta. Fui ao médico, colega meu, da mesma turma. E ele então disse: “Mas Clotilde, isso que vc tem é a doença Fulana de Tal, que fica na página tal do livro de Veronesi!” referindo-se ao Tratado de Infectologia do professor Ricardo Veronesi, livro no qual estudamos no Curso de Medicina. Ele lembrava da página e da coluna do livro onde a doença era descrita. E tem mais: saiu recitando o texto do livro que se referia à descrição da doença como se o compêndio estivesse ali aberto na sua frente. Decoreba? Não, meu caro leitor: capacidade de memorizar e de ir buscar essa memória quando for preciso, coisa que não é todo mundo que tem.

numerosAs associações mnemônicas são outro tipo de estratégia que usamos para nos lembrarmos das coisas. Lembro-me das minhas aulas de Nutrição para o Curso Médico da UFRN onde eu recitava com facilidade o nome dos oito aminoácidos essenciais. Eu havia inventado três palavras com as três primeiras letras de cada um: TRIFENLIS TREVALMET ISOLEU. Então era fácil recitar para os alunos, bem naturalmente, como se não fossse decorado: Triptofano, Fenilalanina, Lisina, Treonina, Valina, Metionina, lsoleucina e Leucina…

Para as senha numéricas, inventei palavras parecidas com os números. Um é pum, dois é arroz, três é freguês, quatro é teatro, cinco é brinco, seis é reis, sete é valete, oito biscoito, nove é love e zero é nero.

Então uma senha por exemplo assim: 56923457 vira brinco reis love arroz fregues teatro brinco valete. Aí eu faço umas frases do tipo “o brinco dos reis love arroz, o freguês do teatro usa o brinco do valete”.

Eu adorava!...

Eu adorava!...

Já para aquela combinação de letras que fazem parte da senha, aquela de três letras, também formam frases. Lembro de que uma antiga minha, era AJG – digo aqui pois perdeu já a validade – na mesma época do sucesso da música de Los Hermanos. Então a senha virou Ana Julia Gostosa.

Parece doidice? Ora, meu caro leitor! Doidice é chegar no caixa eletrônico e não se lembrar da senha…