Jackson do Pandeiro e a Internet

4 08 2009
Jackson do Pandeiro

Jackson do Pandeiro

Hoje quero contar uma coisa engraçada, que me aconteceu no ambiente da Internet.

Em 1998 Jackson do Pandeiro foi agraciado postumamente com o Prêmio Sharp de Música. Procurando na Internet, descobri que não havia muita coisa sobre ele, e nenhum site que tratasse somente da sua obra. Aí, coincidindo com a entrega do prêmio, criei e coloquei no ar o primeiro site sobre Jackson do Pandeiro que foi feito neste país. Um site simples, bem abaixo da grandeza do artista mas era tudo o que eu, uma simples fã, poderia fazer para homenagear o imortal criador de O Canto da Ema. Ainda está no ar, é bem visitado e você pode acessá-lo no endereço http://jacksondopandeiro.digi.com.br

Recebo muitos e-mails de pessoas que o visitam e pedem informações, fazem sugestões e elogiam a inciativa. Mas também recebo emails de cantores e produtores perguntando se podem gravar as músicas de Jackson, ou onde podem comprar os discos, ou sugerindo que eu disponibilize os MP3 – o que não posso fazer, por causa dos diereitos autorais. Muitos também escrevem para o site pedindo informações sobre onde podem ter aulas de pandeiro ou pedindo ajuda para comprar pandeiros.

Mas nada se compara a um e-mail que recebi certa vez que transcrevo com todas as letras, resguardando obviamente a identidade da criatura que me enviou.

O e-mail dizia:

“Olá, Jackson. Tudo Bom?
Sou Fulana de tal, do site TalTal.com (www.taltal.com), um site americano de música, que tem escritório em Nova York, Buenos Aires e São Paulo, além de estarmos preparando nossa entrada na Europa.  Além de sermos um diretório de MP3, damos bastante destaque ao conteúdo, isto é, entrevistas, críticas, etc. Estamos com um projeto de uma nova seção, em que apresentaremos o perfil de personalidades da música. Não poderia, é claro, faltar você, que é, certamente, um dos nomes mais importantes da nossa música. Por isso, estou mandando este email.  Gostaria de marcar uma entrevista com você. Ela pode ser feita por email ou telefone, como preferir.
Aguardo resposta ansiosamente. Obrigada.  Atenciosamente,

Aí a criatura assinava, colocava 0 email e os telefones para contato.

Jackson e Almira, sua primeira esposa e partner.

Jackson e Almira, sua primeira esposa e partner.

Ora, aquele site na época era bastante respeitado no meio musical e eu fiquei surpresa com o desconhecimento de uma pessoa que deveria ser mais informada, como essa tal Fulana. Só para ver até onde ia a coisa, respondi que era possivel conceder a entrevista por e-mail e assinei como se eu fosse Jackson do Pandeiro.

Aí, ela me respondeu:

“Oi, Jackson! Tudo Bom?
Fiquei muito feliz com sua resposta. Estou enviando abaixo as perguntas. A seção deve estrear em breve, por isso, pediria que você me respondesse o mais rápido possível.  Ah, e me mande uma foto também, ok?  Muito obrigada novamente.
Abraço,

Enviou então umas vinte perguntas cada uma mais absurda que a outra, do tipo:

“Qual artista e/ou música que te enlouquece, te colocando para dançar ou faz você desligar o rádio? Qual o seu videoclipe favorito? Quem  são os (as) cinco artistas do mundo da música mais sexy de todos os tempos? Se você pudesse ser outra pessoa, quem seria?”

E isso sem nenhuma pergunta sobre a produção musical ou o processo criativo do artista. O pior de tudo é que na primeira página do site de Jackson do Pandeiro, através do qual ela havia feito contato comigo, tem as datas de nascimento e morte do cantor: “1919-1982″…

Para mais informações sobre Jackson do Pandeiro, visite o site http://jacksondopandeiro.com.br ou venha até Alagoa Grande, na Paraíba, onde está instalado o memorial que preserva a obra e o acervo do cantor. Ou então compre o livro “O Rei do Ritmo” (Editora 34) escrito pelos jornalistas Fernando Moura e Antonio Vicente.


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6 responses

4 08 2009
gladis

kkkkkkkkkkk muito bom!
ri muito com essa historia Clotilde.
Mase agora o que a gente faz com a curiosidade?? todo mundo quer saber qual era o site. hehehe

4 08 2009
Denize Barros

ahahahhahah! Ai minha Clotildinha, só tu merma. Eu amo esse disco, tenho ele aqui, escuto, adoro e Teodoro morre de rir com ele! E quero ir no memorial que eu não conheço ainda. Mas me diga, tu respondesse o questionário? Tu devia ter respondido e depois assinado com teu nome e dizendo ter psicografado a parada. Seria uma ótima historinha hã?! Amor pra tu!

4 08 2009
Valeska Asfora

Clotilde,eu tambem sou fã de Jackson bem antes do prêmio Sharp,quando ainda era uma guria lá na Serra da Borborema,ou seja,faz tempo!!!rs
Conheci o site criado por você,quando realizei uma pesquisa para a elaboração de um projeto cultural.Aliás,o site me inspirou o nome do Projeto,elaborado em parceria com uma produtora cultural:”Os Herdeiros do Ritmo”
A idéia é a circulação musical de um evento de música onde bandas paraibanas das novas gerações fazem uma releitura da obra de Jackson do Pandeiro…
O projeto foi aprovado no edital da OI Futuro-2009.Deveria ter acontecido em julho,mas a burocracia e infinita reestruturação do MINC (uma vez que o contrato com a OI só poderá ser feito mediante a publicação de portaria da Lei Rouanet),nos impede de realiza-lo.Lamentavelmente,já estou tentando aceitar que a Paraiba perdeu mais essa oportunidade de mostrar os nossos valores.

5 08 2009
Ednamay Cirilo Leite

Clo gosto do teu site, pesquisei para Esquentai Vossos Pandeiros Jacksonianos, aprovado pelo FIC AUGUSTO DOS ANJOS, e que até essa data de hoje 05/08/2009, encontra-se em tramite burocrático, espero que em 31 de agosto, data dos 90 anos de nascimento de Jackson ele comece a ser realizado na cidade de Alagoa Grande, terra do REI DO RITMO.

Almira é a segunda esposa , ele foi casado com uma paraibana antes da fama.

5 08 2009
Cristovam Tadeu

Tide
É a qualidade dos jornalistas que estão se formando por aí….Pena!
Depois de Jackson quem sabe uma entrevista com Elvis, John Lennon e em breve Michael? Vamos colocar uma Secom no Céu!
Bjo

5 08 2009
Clotilde Tavares

Bem, Cristovam, eu não sei se essa coisa sem noção era jornalista. Penso que devia ser apenas alguem contratado pelo site para fazer esse tipo de “contato” e enviar as perguntas. Não, não quero e não consigo acreditar que fosse uma jornalista.

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