Formosa és

15 12 2009

Quando a gente vai chegando na meia-idade, e começa a se aproximar daquilo que supomos ser a viagem derradeira – digo supomos porque quem sabe se depois dessa ainda não haverá outras viagens, outras passagens? – começa a haver uma necessidade de passar as coisas a limpo, de pegar o rascunho da vida e dar-lhe forma e essência, conteúdo e continente, aparar os excessos, enxertar sentido naquilo que ficou vago, preencher as lacunas. Isso, penso eu, é uma tarefa feita mais para nós mesmos do que para os outros.

Então nesta semana, concluí e lancei – lançar no sentido de publicar, entregar ao público – mais um livro, disponível para download gratuito pela Internet.

Desta vez é o “Formosa és: memórias do internato”, texto que venho escrevendo desde junho deste ano, para que não se perca na memória essa fase da minha vida. Fiquei interna por dois anos, entrando com oito anos e saindo ao completar dez, no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, na cidade de Bom Conselho, no Agreste pernambucano.

Os acontecimentos narrados no livro se passaram há 55 anos, tendo sido já depurados pelo filtro do tempo e da maturidade. Foi ruim? Foi bom? Digo somente que foi uma experiência, que deixou marcas. Mas é bom quando a gente pode se debruçar sobre o passado e ajustar contas com ele, fechando arquivos que estavam abertos e “desfragmentando” esse imenso HD a que chamamos memória.

Não tenho planos de fazer o livro em papel. Nem ele, nem os que pretendo ir lançando pelo mesmo método, à medida em que os for preparando. Afinal, o desejo do escritor é ser lido; se você mandar imprimir as cerca de 150 páginas do volume, terá gasto praticamente os mesmos 30 reais que pagaria  pelo livro impresso – ou menos. De quebra, eu me livro da noite de autógrafos, na qual estou sempre tão aterrorizada que mal sei o que estou dizendo a cada uma daquelas pessoas tão gentis que compram o livro e querem minha assinatura.

Então, aí vai o endereço: http://www.clotildetavares.com.br/formosaes.pdf

E para quem está curioso, o “Formosa és” do título é de um belíssimo hino a Nossa Senhora, tema musical daqueles dois anos que passei interna: “Formosa és, Rainha Imaculada,/ Fragrante lis, aurora divinal./ Se os olhos meus um dia te olvidarem, / Ó Mãe, então, recorda-te de mim.// Quero morrer cantando os teus louvores, / Qual rouxinol que expira ao pôr-do-sol. / Quando partida a minha pobre lira,/ Te cantará meu triste coração.”

Sou uma pessoa religiosa que não tem religião, e esse hino sempre consegue me transportar para as altas esferas, onde cantam os anjos e ainda ecoa a minha voz de menina.


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One response

28 03 2010
Gladisson Roberto Barbosa e Silva

Senhora Clotilde,

Estou lendo seu livro. Muito interessante. Tudo me faz lambrar o período que fui interno no Instituto Santos Anjos, seminário católico doa padres Redentoristas em Garahuns. Entrei lá com 11 anos em 1956 e fiquei até 1960 quando o seminário mudoupara Campina Grande. Lá ainda estudei um ano. É tudo muito semelhante. Só que no seminário não tinha “bolos com palmatória” e se rezava muito mais. A senha para falar no refeitorio era Tu autem, Domine, miserere nobis! E a gente respondia: Deo gratias et Maria! Lembro de todos os detalhes da morte do padre Hosana. O meu seminário era dirigido por padres holandeses e ficava no bairro do Arraial (Heliópolis). onde se localiza aquele igreja com o teto em forma de cuscuz. Quando terminar de ler o livro, pretendo postar novo comentário. A proposito, eu também acho “´Formosa És” um dos mais bonitos hinos marianos. Eu tenho a melodia em formato midi. Se a senhora tiver interesse em escutá-la, mande seu e-mail que eu terei prazer em enviar a melodia.

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