Acabou o horário de verão!

21 02 2010

Há uma anedota muito antiga que vi em um velho filme de caubói, não me lembro qual. A história era sobre um índio que, chateado porque seu cobertor era pequeno, cortou um pedaço dele e costurou na outra ponta, para que ficasse mais comprido.

Assim é que eu vejo o horário de verão, que felizmente acabou. O dia continua tendo as mesmas vinte e quatro horas; as coisas que precisam do claro ou do escuro para acontecerem continuam acontecendo do mesmo jeito, como aquelas pessoas que têm o costume de acorda cedinho quando o dia começa a clarear, não importa se é seis, cinco ou quatro horas da manhã. O perigo das ruas também continua atrelado à escuridão, não importando aquilo que o relógio está marcando.

No Brasil, há um horário muito importante que é o da nossa maior emissora de televisão. O horário global domina várias instâncias de nossas vidas, queiramos ou não. Marcamos compromissos depois do Jornal Nacional ou da novela das oito – que nunca começa às oito. Neste ano, a rede Globo alterou a ordem dos programas e, durante algum tempo, tivemos o Jornal Nacional, depois a novela das sete e só depois a novela das oito. Então aqui no Nordeste, onde não precisamos alterar o relógio, somos afetados do mesmo jeito por causa das mudanças na programação televisiva.

Como gosto muito de Televisão e acompanho a programação da TV por assinatura, tenho por hábito, no início do horário, enquanto me acostumo às mudanças, manter na parede um relógio no horário de Brasília – ou seja, uma hora à frente – para não perder meus programas favoritos. Esse relógio adiantado também me ajuda quando preciso ligar para meus irmãos, que moram no Rio e em São Paulo, e também para outros telefonemas importantes. Por outro lado, o relógio uma hora adiantado criou algumas complicações, sendo a maior delas comigo mesma, que muitas vezes pulo de susto pensando que estou atrasada sem me lembrar de que eu mesma adiantei o relógio.

Isso me lembrou a casa de Mamãe, em Campina Grande. No horário de verão ela mantinha compromissos que seguiam o “horário velho” e outros que se baseavam no “horário novo”. Nunca compreendi de que forma ela conseguia se organizar, mas agora me vejo fazendo a mesma coisa! Deve ser da idade!

Enfim, nada é mais relativo do que essa entidade vaga e imponderável chamada Tempo. Fonte de estresse para uns, mas dobrável e manipulável para outros, o tempo é aquilo que é: uma invenção do homem, uma convenção, um acordo coletivo feito pelas pessoas para poderem organizar melhor sua vida.

São minutos que duram horas enquanto o dentista perfura o nosso dente com aquela famigerada broca, ou horas que parecem durar segundos quando estamos ao lado de alguém que amamos, e que precisa se despedir e ir embora. Horário de verão ou de inverno, tempo de amor ou despedida, horas de dor ou paixão, minutos de sofrimento ou de supremo deleite: disso é feita a Vida, essa é a matéria prima da Existência.

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