On the road

4 03 2010

Pense num calor escaldante, sol abrasador, estradas medievais serpenteando entre morros onde só passa um carro de cada vez, natureza deslumbrante em seus milhares de verdes diferentes um do outro, a cada curva uma paisagem mais linda do que a outra.

É o Agreste de Pernambuco, através do qual rodei hoje uns 200 quilômetros, indo de Angelim a Viçosa das Alagoas, passando por Palmeirinha, Correntes e Poço Comprido. E depois voltando para Angelim, morta de calor e fome, às três horas da tarde, com o corpo desconjuntado de sacolejar na buraqueira. E feliz, absolutamente feliz.

Em busca de gente que já virou pó há muito tempo, não encontrei mais nada, nem as catacumbas – é, meus amigos, boa parte do meu dia foi passado nos cemitérios dessas cidades, encarnando a minha personagem preferida: a Caçadora do Túmulo Perdido.

Isso me levou a sérias reflexões. Os casarões e palacetes que esse povo habitou não mais existem; nem o pó dos ossos existe mais. O que sobrou? O registro escrito de suas palavras e obras. É isso que é eterno.

E com isso e algumas imagens, me despeço por hoje.

Viçosa das Alagoas. Destaca-se a torre azulzinha da igreja. Ao lado o rio Paraíba no seu leito pedregoso.

Igreja de Correntes, em Pernambuco.