Grandes atrizes

23 02 2010

Como gosto de ler e vivo lidando com idéias, as pessoas que me conhecem pensam que eu só gosto de filme “cabeça”, de filme complicado, do chamado “filme-de-arte”. Até que gosto mas, normalmente minhas predileções vão para os filmes históricos e de época, thrillers de suspense e comédias românticas. Também acompanho a obra dos meus diretores preferidos, como Clint Eastwood, Quentin Tarantino e or irmãos Coen.

Tudo isso para dizer que há uma comédia romântica que adoro assistir e que vejo sempre quando passa na TV: “Legalmente Loira”, de Robert Luketic. O filme é tão equilibrado no romantismo, na evolução dos personagens como na transformação da loira fútil em advogada de sucesso, e principalmente na frescura – comedia romântica sem frescura não dá – que dá gosto assistir.

Entre os desempenhos irrepreensíveis que permeiam o filme quero salientar um: o da atriz Holland Taylor, que faz o papel da professora Stromwell, aquela que logo no começo do filme arrasa com a loira do título logo na primeira aula em Harvard.

Aqui, algumas reflexões. Depois que entram para a chamada terceira idade, atrizes muito boas entram num limbo de falta de trabalho. É claro que não me refiro a atrizes como Meryl Streep, Shirley MacLaine ou outras famosas e oscarizadas; mas a todo aquele cortejo de coadjuvantes que conseguem dar vida e destaque a seus papéis.

Uma das coisas que mais gosto de dizer é que não existem pequenos papéis; existem pequenos atores. Neste filme “Legalmente Loira”, Holland Taylor consegue ser irrepreensível nas pequenas cenas em que aparece, e a gente vê claramente onde está o trabalho do ator: no tom da voz, na forma de colocar as mãos, no olhar, no erguer de uma sobrancelha… Ah, é um supremo prazer ver uma atriz como essa trabalhar.

Você pode também vê-la todo dia na série “Two and a half man”, onde ela está completamente diferente fazendo o papel de Evelyn Harper, a impagável e politicamente incorreta mãe de Charlie e Alan.

Vida longa a Holland Taylor!

Holland Taylor





O inferno feminino

27 01 2010

Ivana Arruda Leite

Ontem, um dos links que publiquei foi o do blog da escritora Ivana Arruda Leite. Como eu gosto dos livros dela, meu caro leitor! O que mais gosto nela é a forma como aborda os temas ligados ao universo feminino, completamente alheio aos edulcorantes artificiais que geralmente cercam as chamadas “coisas de mulher”.

Como está escrito sobre as portas do inferno, ao entrar nos seus livros o leitor precisa abandonar toda a esperança, e nutrir-se de coragem para encarar a profunda tragédia que muitas vezes permeia o cotidiano feminino, aqui exposto sem dó nem piedade. No seu livro “Falo de mulher”, o aparente paradoxo do título, repleto de duplos entendimentos, se derrama pelos contos, como “Receita para comer o homem amado”, “A puta seletiva”, “Mulher é tudo igual” e outros, onde a mulher, eviscerada e nua em seus desejos e impulsos mais secretos, fala sempre a verdade.

Mas Ivana é também lírica e memorialista , no seu livro “Eu te darei o céu”, recuperando para nós, mulheres nascidas no inícios dos anos 1950, a infância e adolescência perdidas, com as músicas de Celly Campelo e Roberto Carlos, vestidos rodados e cabelos armados nos assustados da adolescência, seguidos pela fase “caia na real”, onde os anos de chumbo vieram, descendo com seu punho selvagem, esmagando e escurecendo o céu da nossa geração.

Fã de seus livros desde alguns anos atrás, conheci-a pessoalmente em São Paulo no final de 2008, na “Balada Literária”, evento organizado pelo escritor Marcelino Freire nas quebradas da Vila Madalena. Bom papo, boa conversa, alegre, divertida, ficamos horas falando das nossas séries preferidas na TV por assinatura. Tentei olhar para aquela mulher morena, miúda, sentada ao lado de sua filha Bebel e tomando um café, com a bolsa no colo, e fiquei a imaginar o violento pulsão criativo escondido por trás de pessoa tão amável e simples. Pulsão este que faz com que Ivana consiga desvendar o mais grotesco do universo existencial feminino e expor suas chagas ocultas, seus sonhos inconfessáveis, seus amores maníacos, seus ideais inúteis, com um toque profundo de humor, mas humor negro, é bom que se diga.

Ivana Arruda Leite é uma escritora que é preciso conhecer, sem perda de tempo, pelo muito de Humanidade que expõe nas histórias e personagens.

Eu recomendo. Leia alguns dos seus contos aqui.





Gosto não se discute

26 11 2009

J.R.R.Tolkien

O escritor J.R.R. Tolkien faz o seguinte comentário no prefácio do primeiro volume do seu livro “O Senhor dos Anéis”: “Algumas pessoas que leram o livro acharam-no enfadonho, absurdo ou desprezível; e eu não tenho razões para reclamar, uma vez que tenho opiniões similares a respeito do trabalho dessas pessoas, ou dos tipos de obras que elas evidentemente preferem.”

É isso aí, caro leitor. Tem gosto para tudo e não existe nada no mundo que não possa ser apreciado por alguém. Além de ter direito de gostar, o cidadão tem o direito inalienável de expressar sua opinião, sendo esse direito um dos pilares da democracia.

Quando eu expresso meu gosto pessoal para você através deste blog, tenho que deixar bem claro que é o meu gosto pessoal. Se eu quiser comentar uma obra de arte qualquer de um ponto de vista que seja mais do que uma simples opinião, primeiro tenho que conhecer a linguagem daquela arte, para que possa analisar seus elementos e verificar se a obra – música, poema, livro, quadro ou peça de teatro – realizou seus objetivos, dentro da forma que o artista escolheu para se expressar. Aí, estarei exercendo uma função crítica que, apesar do que dizem alguns, é importantíssima para que artistas e público se aprimorem, os primeiros elaborando melhor suas criações e o segundo aprendendo a compreender melhor a obra de arte podendo assim desfrutá-la com mais prazer.

É muito bom ler as críticas de arte: cinema, música, literatura, teatro, pois além dos críticos nos mostrarem um lado ou uma faceta da obra que não tínhamos percebido, orientam nosso gosto e nos afastam daquilo que não tem valor artístico ou importância cultural, segundo os cânones vigentes. É claro que o crítico tem seu gosto pessoal e isso se traduz naquilo que ele escreve. Mas sua opinião sempre deve ser baseada no conhecimento da linguagem da arte em questão e na evolução histórica dessa arte. Nunca no simples “eu acho”.

Mas como gosto não se discute, e tem gosto para tudo, lembro aqui da história daquela mulher que era feia, muito feia. Mas não era qualquer feia: essa era feia mesmo, daquelas que são feias de doer. Pele áspera como a de uma laranja murcha, cabelos secos e sem cor, olhos sempre lacrimejantes, orelhas grandes e de abano, dentes amarelos e irregulares, boca torta, nariz  adunco. De corpo então nem se fala. O peito era chato, os braços compridos, as pernas finas e curtas, quadris estreitos e para completar mancava um pouco pois tinha uma perna maior do que a outra.

Pois bem: esse estrupício, mesmo com toda essa carga de feiúra, achou um homem que se apaixonou perdidamente por ela. E quando as pessoas perguntaram ao herói o que ele tinha visto naquela criatura horrorosa, o apaixonado galã, provando que tem gosto para tudo,  respondeu: “Gosto de tudo mas o que mais me agradou foi o jeitinho dela andar…”

367 pessoas já baixaram até agora o meu livro Coração Parahybano. E você? Dê-me o prazer da sua leitura! é de graça! É só clicar aqui.





Filmes e mulheres

17 11 2009

Hoje eu quero aqui dar algumas dicas de filmes que tratam da questão da mulher e que são, além disso, obras de arte, delicadas e bem-feitas, cheias de questionamentos, interrogações, perplexidades, reflexões e – por que não? – diversão.

Thelma e Louise

São filmes que trabalham quase todos na vertente da auto-estima feminina e da sua capacidade de virar o jogo e se afirmar, mesmo que isso resulte na destruição e na morte como vemos, por exemplo, em “Thelma e Louise” onde as protagonistas, depois de uma verdadeiro “tour de force” para escapar do machismo e seus preconceitos, encontram a liberdade na auto-destruição. Mas nem todos são assim trágicos.

O belíssimo “Flores de Aço” mostra mulheres de todas as idades, cada uma delas com seus problemas pessoais e particulares, que se agudizam em torno do casamento da personagem vivida por Julia Roberts. O filme é mesmo um belo hino à maternidade, e tem um desempenho magistral de Shirley MacLaine.

O Clube da Felicidade e da Sorte

“O Clube da Felicidade e da Sorte” traz a história de mulheres de gerações diferentes, mães e filhas, imigrantes chinesas, vivendo nos Estados Unidos. A evocação dos dramas vividos no país natal, a forma como se relacionam com a sociedade americana e o dilema entre essas duas culturas faz desse filme uma grande obra de arte, sem contar a beleza das atrizes, todas orientais.

Patchwork

Winona Ryder está em “Patchwork”, representando uma jovem indecisa frente ao casamento. Sua mãe e amigas decidem bordar para ela uma “colcha de casamento”, seguindo a tradição, e enquanto constroem o bordado vão resgatando episódios passados de suas vidas, e resolvendo velhas pendências. Quando a colcha fica pronta, nada mais é como antes. Os desempenhos de Anne Bancroft e Ellen Burstyn são absolutamente magistrais.

Já em “Tomates verdes fritos” a narrativa se divide em dois níveis: enquanto duas mulheres rememoram o passado, a vida de uma delas vai se transformando, inspirada no exemplo dos relatos. A tônica do filme é o amor e a solidariedade entre mulheres, num mundo repleto de preconceitos e dificuldades.

O Clube das DesquitadasFinalmente, o divertido “Clube das Desquitadas”, onde três mulheres abandonadas pelos maridos vão à forra; “A Garota de Rosa Shocking”, saboroso romance adolescente e, como é impossível resistir a uma história de Cinderela, o manjadíssimo “Uma linda mulher”, que sempre faz sonhar quem assiste. É isso aí.





Os blogs de Margareth Duval

2 10 2009

Nesta sexta-feira quero lhe dar um presente: a visita aos blogs de Margareth Duval, profissional da área de Comunicação, onde faz quase de tudo.

Na sua apresentação, ela diz que tem “… paixão pelas artes. Vintage, retrô e afins, (…) livros – principalmente os ligados à história e biografias. Imagens, quaisquer, de revistas em quadradinhos (se preferirem, em quadrinhos) a fotografias e pinturas de grandes mestres, assim como a arte Naïf, desde que transpirem a vida capturada e não aprisionada… amo as que permanecem nas retinas.”

Os blogs de Margareth Duval e a sua revista eletrônica merecem visita demorada e leitura minuciosa. Eu ainda estou perdida neles, com os olhos transbordantes de imagens e o juízo aos pinotes com algumas coisas que vi lá.

E você? Espera o quê? Clique nos links e viaje!

Mol-TaGGe – Arte, cultura e vintage.

Spiritus Litterae

Nos Blogs

E o outro blog dela você vai ter que descobrir sozinho porque eu gostei tanto que vou guardar o endereço só pra mim!





Patrick Swayze

15 09 2009

Hoje é dia de celebrar a Vida. Aliás, todos os dias são para celebrar a Vida mas muitas vezes a gente se esquece disso, e passa pelas horas na maior correria, na pressa, sem refletir e sem desfrutar sobre essa coisa maravilhosa que é estar vivo: respirar, ler, blogar, ir ali na geladeira e tomar um copo de água, levantar do computador e passar um tempinho ali na varanda vendo o céu, o perfil sensual das dunas e os carros em disparada pela avenida.

Patrick Swayze

Patrick Swayze

Tudo isso é para dizer que a primeira notícia deste dia de hoje foi a morte do ator Patrick Swayze, que me veio assim que abri o Twitter. Ao falar em Morte sempre me lembro da Vida porque para mim ambas fazem parte de um par indissolúvel, estão tão entrelaçadas que é difícil falar de uma sem falar da outra.

Patrick Swayze é um ator de quem eu gosto muito, e sempre paro o que estou fazendo para ver de novo, novamente e outra vez Dirty Dancing ou Para Wong Foo, Obrigada por Tudo!, filme em que ele faz o papel de uma drag-queen.

Os puristas do cinema dizem que ele era canastrão, mas isso pouco me importa. Eu sempre gostei de Jack Palance e de Victor Mature, por que não gostaria do belo Patrick Swayze? Seu maior sucesso, Ghost, é moralista e piegas demais para o meu gosto, e só me interessa pelo desempenho de Whoopy Goldberg. Mas há uma filme dele, Steel Dawn (Lance Hool, 1987) onde ele faz o papel de um espadachim do futuro num mundo pós apocalíptico, um filme de ficção científica que eu gosto muito.

Bem, mas o belo e sarado Patrick travou mesmo sua maior batalha contra o câncer de pâncreas que o destruiu em poucos anos, levando-o aos 57 anos de idade. Morreu em sua casa, sem a tortura dos tubos e das ressuscitações nas UTIs tecnológicas, que só fazem prolongar a agonia.

Para ele, aqui, esta declaração de amor de uma fã, e o consolo de que, nas imagens gravadas que ficaram de seus filmes, ele terá alcançado a imortalidade.





A Casa Rosa

12 09 2009
A Casa Rosa

A Casa Rosa

Acabo de assistir a um documentário muito bom. “Pretérito perfeito” (Brasil, 2008 – 71 minutos – Original Video), com direção e roteiro de Gustavo Pizzi, fala sobre a Casa Rosa, prostíbulo de luxo que teve sua época áurea no década de 1940 e que funcionava no bairro das Laranjeiras, na rua Alice 550, no Rio de Janeiro.

Como não conhecia nada dessa história fui à Internet, onde encontrei no site da Casa Rosa toda a história do edifício. O cabaré foi “…ponto vital na historia do Bairro das Laranjeiras e nas estórias de muitos que tiveram sua iniciação nos famosos quartos da Casa Rosa.” No documentário, vemos o cantor Lobão contando como foi isso, e mostrando o quarto onde ele pela primeira vez conheceu – do ponto de vista bíblico – uma mulher.

Cartaz de "Pretérito Perfeito"

Cartaz de "Pretérito Perfeito"

A Casa Rosa é um belo exemplo de arquitetura do início do século XX, tendo sido construído “… com o objetivo de agradar aos prazeres da alta sociedade, mantendo assim um padrão de qualidade em sua arquitetura e detalhes como azulejos portugueses e pinturas em azulejo ainda em exposição na casa.” A clientela era gente rica: comerciantes, políticos, magistrados e coronéis que por ali passavam.

Depois do seu declínio como bordel, no início dos anos 80, passou um tempo fechado e no fim dos anos 90 começaram a se realizar eventos de Forró e samba, como o Xote Coladinho e o Pessoas do Século Passado. Isso redundou na fundação de um Centro Cultural, que oficializou suas atividades em 2004.

Ivanilda

Ivanilda

Voltando ao documentário, ele é uma maravilha. Mostra depoimentos de antigos frequentadores e de funcionários; e pontuando toda a narração temos os depoimentos sábios e divertidos de Ivanilda Santos de Lima, que ali trabalhou como prostituta. É dificil imaginar que a respeitável senhora de meia-idade, bem acima do peso, de óculos de grau e vestida com simplicidade, seja a personagem das histórias que ela conta, de maneira divertida, ao entrevistador.

Além de tudo, o “Pretérito perfeito” (e viva o diretor, Gustavo Pizzi!) é técnicamente muito bem feito, fotografia linda, recursos narrativos excelentes e uma sensibilidade muito grande na abordagem de um tema como esse.

Recomendo.