A melhor marchinha de Carnaval

9 02 2010

No domingo eu estava vendo o Fantástico e eles mostraram o Concurso de Marchinhas de Carnaval da Fundição Progresso. É um concurso que existe já há alguns anos e neste ano de 2010 teve mais de mil inscrições de vários estados brasileiros.

Ainda alcancei o reinado das marchinhas no Carnaval. Veículo poderoso de crítica social e política, algumas dessas marchinhas ficaram famosas como “A cabeleira do Zezé”, “Índio quer apito”, “Mamãe eu quero”, “O teu cabelo não nega” e tantas outras cantadas até hoje. Quando chegava perto do Carnaval, nos idos da década de 1960, a gente começava a aprender as marchinhas que tocavam no rádio, na voz de Emilinha Borba, Marlene, Ângela Maria, Blecaute.

No concurso de marchinhas que vi na TV, ganhou “Bom Dia”, de Renato Torres de Lima, de Itaguaí. E eu entrei logo em discussão com um amigo, que queria que a vencedora tivesse um “conteúdo educativo”, como uma marcha que ganhou há uns dois anos e que falava da péssima mistura que é álcool e direção.

É claro que eu concordo que é um horror beber e dirigir. O que não dá é pra fazer de uma marcha de carnaval instrumento de educação no trânsito. Pelamordedeus! O carnaval é uma festa da transgressão, de deboche, de divertimento. Se o politicamente correto já é chato no dia-a-dia, no Carnaval é que ele não tem mesmo espaço.

Carnaval é pra debochar do Zezé por causa de sua cabeleira, pra proclamar aos quatro ventos que garrafa cheia eu não quero ver sobrar e que o teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor. É bom berrar a plenos pulmões que eu mato, eu mato, quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato ou olhar pro céu e desejar que chova três dias sem parar porque a minha grande mágoa é lá em casa não ter água e eu preciso me lavar…

Misturando crítica social com letras bem humoradas a marchinha de Carnaval foi retrato de um tempo; hoje o Carnaval mudou, e eu não sou nem socióloga, nem antropóloga, nem “óloga” nenhuma para estudar os motivos. Mas as marchinhas, eu garanto que fazem falta nos dias de hoje.

Finalmente para você a letra – e depois o vídeo no YouTube – da marchinha vencedora no Concurso da Fundição Progresso e que o meu amigo achou tão inútil, desnecessária e boba – e é mesmo, mas também é divertida, alegre, engraçada, com uma melodia e um estribilho que pregam no ouvido e que vc aprende da primeira vez. E não é isso que todo compositor de marchinhas almeja? Pois é.

Bom Dia – de Renato Torres de Lima

Deixa eu dar bom-dia
Deixa eu dar paixão
Hoje é alegria
E eu dou, não nego não…
Mas se eu dou bom-dia
Dou de coração
Pinto minhas unhas
Viro um avião.
ESTRIBILHO
Se o conde D’Eu,
Se o rei de Bagdá
Se os negros do Sudão
Por que eu não posso dar?
E os enrustidos
Sempre dizem não
Se não dão bom-dia
Entram em depressão
Eu já dei um dia
Mas que confusão
Só não entenderam
O meu bom-dia não
ESTRIBILHO
Se o conde D’Eu,
Se o rei de Bagdá
Se os negros do Sudão
Por que eu não posso dar?




Galo cantou, às 4 da manhã…

8 02 2010
“À meia-noite acorda um francês
Sabe da hora e não sabe dos mês
Tem esporas e não é cavaleiro
Tem uma serra e não é carpinteiro.
Cava no chão e não acha dinheiro.
O que é o que é?”

Quando eu era menina, Mamãe me perguntava essa adivinha, que ela trazia entre as milhares de coisas que tinha decoradas. A gente logo respondia: é o galo!

Com presença forte ao longo de todo o folclore, tanto brasileiro quanto mundial, o “Francês” da adivinha é um animal emblemático, que “chama o dia e afugenta a noite” com seu canto em horas certas.

Em Hamlet, logo no primeiro ato, Shakespeare o chama de “trombeta da manhã”, na fala de Horácio:

“…Ouvi dizer que o galo, essa trombeta da manhã, com sua voz vibrante e clara desperta o dia, e que a esse aviso, os espíritos errantes, onde quer que estejam, retornam aos seus refúgios…”

E em Macbeth é usado como marcador do tempo na voz do porteiro:

“… Estivemos bebendo até o primeiro cantar do galo…”

Antes que o galo cantasse, Pedro negou três vezes a Cristo; e no jogo do bicho é o número 13, sendo por isso mascote do Treze Futebol Clube, de Campina Grande, um dos meus times do coração, cognominado “O Galo da Borborema”.

Uma história curiosíssima de um galo que seria preparado para o almoço de domingo já foi contada no meu livro Coração Parahybano, na crônica “A minha Noruega”, na página 113; e em Natal, onde moro, ele é considerado um símbolo da cidade, encimando orgulhosamente as torres das igrejas.

João Cabral de Melo Neto, no poema Tecendo a Manhã, o define:

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

Mas essa qualidade de tecer a manhã antes que a manhã real surja muitas vezes incomoda quem quer dormir e não consegue.

Tenho um amigo que mora numa casa onde o quarto dele é no primeiro andar. A janela dá para um pequeno – muito pequeno – quintal de um vizinho.

Aí, o vizinho foi e comprou um galo. Toda santa madrugada o animal começava a cantar, e o barulho ecoava no pequeno e apertado espaço entre as casas.

Então o meu amigo pegou sua vara de pescar, amarrou um peso na ponta, colocou a vara pela janela em direção da biqueira de zinco da casa do vizinho e, toda vez que o animal cantava, ele com a vara, batia na biqueira: dém, dém, dém.

O galo cantava, ele batia. Cocoricó, dém, dém, dém.

Depois de duas noites de dém, dém, dém o vizinho sumiu com a ave para outro galinheiro, onde foi tecer a manhã bem longe de ouvidos humanos precisados de repouso…





Antes mal-acompanhada do que só

22 01 2010

Nos dias em que estou assim à toa, sem fazer nada, uma coisa que me distrai muito é ler os classificados. O meu caro leitor não imagina o potencial de diversão que há nesses anúncios, ou como é instigante exercitar a imaginação inventando histórias a partir daquelas poucas palavras que ali estão.

Todas as pequenas – e às vezes grandes – necessidades humanas estão presentes, explícitas ou latentes nos classificados. São pessoas que estão “vendendo todos os móveis” por motivo de viagem ou transferência e eu logo imagino a dor que a gente sente quando tem que se separar de um objeto querido, que pode ser o armário antigo e cheio de recordações ou a fofa poltrona que já se acostumou com nosso corpo.

E o que pensar quando o anúncio diz: “Vende-se vestido de noiva, cor branca, em renda francesa, todo rebordado em pérolas. Nunca foi usado.” Pobre noiva, que com tanto carinho escolheu modelo e tecido e quem sabe até ajudou a fazer o trabalhoso bordado, mas não chegou a vesti-lo e subir ao altar! Que tragédia ou desilusão se esconderá por trás deste anúncio? Uma traição? Morte prematura do noivo?

  Quando o assunto é ortografia, as coisas se tornam muito engraçadas. É curioso observar a forma como certas palavras são escritas e aí o crédito por essas aberrações ortográficas tanto pode ir para quem redige o anúncio e o entrega no balcão como para a atendente do jornal, a quem o anunciante dita o texto pelo telefone. Alguém quer vender um título do “Walter Park”, em vez de “Water Park”, um salão de beleza oferece “coiffus” em vez de “coiffeurs” (cabelereiros) e outro quer vender um computador com estabilizador de “um caviar”, quando o correto é 1 KVa.

Descobri também que é um bom negócio trabalhar com recarga de cartuchos para impressora, tal a quantidade de anúncios dessa atividade. Um deles oferece a própria máquina que faz o trabalho e afirma que esta é “a profissão do novo milênio”. Acrescenta ainda que “Deus é fiel”, mas nessa eu passei batida e não consegui estabelecer qual seria a relação entre a fidelidade divina e a tinta dos cartuchos.

Mas o melhor de tudo é a criatividade das pessoas na hora de oferecerem seus serviços. Descobri um “motorista/locutor”, um “massagista profissional” que adverte de maneira taxativa que não massageia “partes íntimas” e um “caligrafista”, que se oferece para endereçar convites de casamento, formatura e outros eventos. Encontrei também um “sargento do exército, 30 anos, comunicação fácil, experiência em planejar, sobrepor limitações, mudanças de paradigma e táticas racionais…”, que acrescenta outras habilidades e conclui o anúncio dizendo que “… não é fumante, flamenguista ou corintiano e muito menos simpatizante do futebol”.

Finalmente, entre todo esse cortejo de profissionais, gostei muito de dois rapazes que se oferecem para “acompanhantes”: “Lindo, gaúcho, olhos azuis” e “Novato, 22 anos, prazeiroso”.  Com um pequeno esforço de imaginação, consegui me ver sendo acompanhada por um deles ou, quem sabe, pelos dois ao mesmo tempo. Mas temo, meu caro leitor, que isso não seja assunto para este blog e vou ficando por aqui, profundamente inclinada a subverter o provérbio e afirmar que, vez por outra, é melhor estar mal-acompanhada do que só.





Monga, e o monossílabo

20 01 2010

Fui criada no meio de eufemismos. Em casa, e na vizinhança.

Quando se ia mandar um dinheiro para alguém, o dinheiro se transformava em uma palavra misteriosa: a “encomenda”. Mamãe dizia: “Neusa recebeu a encomenda?”

Não se falava em tuberculose: era “a fina”, ou “a magra”. Fulano está com “a fina”. E câncer, nem pensar. Dizia-se “aquela doença”. “Fulano está com aquela doença”.

Não se dizia parir, ter menino, dar à luz: o termo era “descansar”. Menstruar era palavrão. Naquele tempo, as mulheres ficavam “incomodadas”; e quando uma das moças da vizinhança “se perdia” não era porque a criatura não encontrasse o caminho de casa: era porque havia perdido a virgindade.

Papai chegou ao ponto de inventar palavras de xingação, como “leqüera”, assim mesmo, com trema no “u”, para quando queríamos insultar uns aos outros; e inventou também a palavra “lunfa”, que queria dizer uma mulher de vida mais livre sem chegar realmente a ser prostituta.

É bem verdade que vez por outra, no calor das discussões, as muralhas da boa educação caíam por terra e saíam todos os deliciosos palavrões que hoje se diz com tanta frequência e tão abertamente. “Sua puta sem-vergonha, chifreira, eu sei que seu marido é corno, viu, sua rapariga?” Nós, crianças, ouvíamos entre assustados e deliciados as brigas, até que alguém notava e baixava o volume da voz.

Lembrei disso tudo vendo a TV, onde, depois do anúncio de um medicamento, aparece o letreiro: “Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”, frase complexa e pedante, que faz você pensar umas três vezes antes de entender diteito o que ela quer dizer.

Isso me levou de volta no tempo, a uma placa que havia na porta do Restaurante Maré Mansa, em Macau-RN, famosíssimo pelo seu camarão divino. Hoje essa placa não existe mais – o camarão continua divino – mas na década de 1980 eu fiz uma foto dela – que obviamente nunca consigo achar quando preciso. A placa diz: “Se acompanhado, não se aproxime com mulher de vida livre”. É o cúmulo do arrodeio para dizer: “Proibido entrar com puta”.

Mas o exagero do eufemismo eu ouvi dizer numa história contada pelo poeta e contador de causos Jessier Quirino. Ele conta que estava num parque de diversões e foi entrando para ver Monga, a mulher Gorila. Naquela sala escura, lotada de gente de pé, ele entra com uma das mãos atrás, protegendo “o monossílabo”. Quem já entrou para ver Monga – eu já – sabe que é de suma importância fazer isso, porque há cem por cento de risco de se levar uma, como direi, “dedada” no “monossílabo”, é claro…





Um sonho de Natal

25 12 2009

Na minha infância nunca tirei retrato com Papai Noel. Se você vem acompanhando essa minha série de post sobre o Natal, já sabe que não tive uma infância muito fácil no que se refere ao quesito financeiro.

Além de sermos “remediados”, não havia essa tradição tão arraigada de comemorar o Natal como hoje. O evento ainda não tinha se tornado essa locomotiva de marketing, puxando atrás de si os vagões do consumo desenfreado, das tradições inventadas de última hora para vender produtos, da perda de significado dos símbolos.

Mas eis que no Natal de 2001 ou 2002, não me lembro bem, fui à “formatura” da minha neta Isabela, que devia ter seus seis ou sete anos e estava terminando a fase de alfabetização. No final da cerimônia, as crianças se acotovelaram para tirar uma foto ao lado de um magnífico Papai Noel, com uma espetacular roupa de cetim vermelho e belas barbas de algodão.

Eu fiquei olhando assim de longe e pensei: “Por que não?”

E fui lá, caro leitor. Fui também tirar a minha foto com Papai Noel, projeto adiado por cerca de cinquenta anos. Abracei aquela criatura e dei um zoom ao contrário no tempo. Virei criança de novo enquanto meu filho fazia a foto e minha neta morria de rir.

O Papai Noel, muito maroto, parece ter gostado do abraço porque dois dias depois eu o encontrei no shopping, ainda com a fantasia, no meio de um monte de criança. Piscou o olho para mim e disse: “E aí? Não quer dar mais um beijinho no Papai Noel?”

Pois é, meu caro leitor. Tem milagre de Natal pra tudo quanto é gosto. Prudentemente, recusei a oferta e recomendei ao bom e assanhado velhinho que fosse beijar uma de suas renas, e me incluísse fora daquilo. Ele riu, eu ri, e assim termina mais um conto de Natal moderno.

Feliz Natal!

Veja que olho mais safado desse Papai Noel!





Uma anedota

11 10 2009

Eu gosto de anedota, de piada. Aliás, quem não gosta? Nada como ouvir uma piada bem contada, e se entregar ao prazer da gargalhada aberta, rasgada, rir “às bandeiras despregadas”, como se dizia antigamente, nesta expressão que ninguém usa mais.

A anedota é uma historiazinha curta, que tem como principal função despertar a hilaridade do leitor ou ouvinte através de um recurso simples e muito manjado: o anti-clímax. É preciso arte para contar a anedota, evitando arrodeios desnecessários e informações que não contribuem para a graça da piada. Quanto mais curta, melhor.

E como hoje é domingo e eu estou na maior preguiça para escrever, lhe deixo aqui esta piada de loura, cartegoria na qual eventualmente me incluo, por obra e graça da química.

Pois dizem que o professor, na sala de aula, pede a uma loira que diga um verbo.

– Bicicreta – fala a criatura.

– Mas minha filha! – diz o mestre horrorizado. – Se diz bicicleta, e bicicleta não é verbo.

Aponta para outra, loira também, e pede que diga um verbo. (Aliás, nessa turma todas são loiras… Que faculdade será essa?)

– Prástico – ela diz.

O professor, já nervoso, corrige.

– Minha querida! Se diz plástico, com “L”, e plástico não é verbo.

Aí ele vê um loirinha de óculos, se enche de esperança e se dirige a ela, pedindo que diga um verbo.

– Hospedar – responde a menina.

– Que maravilha! – comemora o professor. – Agora, forme uma frase com o verbo hospedar.

A loirinha, então, toda empolgada, diz:

– Os pedar da bicicreta é de prástico.





Olimpíada 2016 – a festa do Rio de Janeiro

3 10 2009

Acompanhei ontem com emoção a escolha do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016. No twitter, os comentários de sucediam, e eu me diverti muito porque, além da torcida normal de uma ocasião dessa havia ainda as piadas, cada qual mais engraçada do que a outra, e, como toda piada  que se preza, oscilando através de vários graus da escala do políticamente incorreto.

Desde o engraçadíssimo Yes, we crew, de Marcelo Tas e Xico Sá propondo malabarismo em semáforo como esporte olímpico, foi engraçado ver alguém dizendo que na abertura “Ronaldo leva a tocha e Marcelo D2 acende”, outro lembrando que “Vanusa vai ter sete anos pra aprender a cantar o Hino” e um terceiro levantando a possibilidade de Niemeyer começar a treinar assim que sair do hospital.

E as piadas não param. Dizem que as medalhas vão ser de “ouro, prata, bronze e chumbo” e sugerem que os sete anos que nos separam das Olimpíadas são suficientes para aposentar Galvão Bueno.

Piadas à parte, fiquei feliz. Nesse momento agora, não me interessa se metade da verba vai ser desviada, se vai faltar dinheiro para saúde e educação, se a bandidagem no Rio de Janeiro vai deitar e rolar, se os engarrafamentos vão ser imensos, e todos os outros argumentos que estão usando para tentar empanar a alegria desta hora.

Todos esses problemas podem acontecer, e provavelmente vão acontecer, mas minha gente! Numa hora dessa, em que estamos pela primeira vez na América Latina sediando uma Olimpíada, é muito ruim torcer contra. É feio, é mesquinho, é pobre. O que a gente tem que fazer daqui pra frente é exercer o papel de cidadão, cada um dentro da sua esfera de atuação, e fiscalizar o que é que vão fazer com essa grana toda, ver como é que as verbas vão ser aplicadas através dos mecanismos controladores de que a sociedade dispõe. O melhor desses mecanismos é o voto, e no próximo ano já vai ser possível aplicá-lo.

No mais, é comemorar, alegrar-se com a festa do esporte, com a celebração da saúde e da alegria, e torcer para que mais uma vez nossos atletas subam ao pódio coroados de ouro.





Banheiros

26 08 2009

Ainda mergulhada no caos da minha mudança, não tenho tido tempo de escrever. Questões muito importantes monopolizam a minha atenção, como, por exemplo: “Onde está o fio dental?” ou “Como posso lavar a roupa se ainda não instalaram o varal?” ou a mais importante de todas, “Em que diabo de lugar foi parar meu chinelinho de antes de dormir?” Ah, meu caro leitor, a falta do chinelo velho para acolher os pezinhos 34 mortos de cansados de carregar, além do meu peso acima da tabela, as caixas e pacotes e livros e objetos, ah, a falta dos chinelinhos velhos não tem contribuído para melhorar a minha qualidade de vida.

Dos meus cinco cômodos, três  já estão razoavelmente em ordem: o quarto, a cozinha e a área de serviço. Mas a sala continua em estado parcial de caos – evoluiu do total para o parcial – e o banheiro, além de estar desarrumado, é um banheiro de tamanho médio, de apartamento antigo que não quero reformar e que constitui um formidável desafio à minha capacidade de decoração, ou melhor, de ambientação, que é assim que se diz agora.

Aí, entrei na Internet em busca de idéias. Não encontrei nenhuma, mas achei um monte de banheiro engraçado que quero compartilhar com você, enquanto resolvo o problema do meu.


O cara se exercita, come, lê, vê TV, acessa a Internet e nunca deixa de ser Rei, ou melhor, nunca abandona o Trono. Aqui.

Indicativo para porta de banheiro masculino e feminino. Achei aqui, onde tem mais.

Design arrojado e tecnologia em pouco espaço. Aqui.

Na Europa, uma versão mais limpa do que tem sido visto nas festas brasileiras como Carnaval e outras. Encontrei aqui.

Nas horas de aperto, um banheirinho portátil.

Essa é boa! Achei aqui.

O banheiro do batera. Aqui.

Cortina de banheiro inspirada no filme “Psicose”, de Hitchcock. Aqui.

Siga o link para ver os detalhes e me diga se você teria coragem de usar este banheiro!

Para encerrar, este banheiro nas nuvens, para quem gosta de esquiar.





Necessidades especiais

13 08 2009

vejablog2Este blog foi indicado o blog da semana no VejaBlog. Uma coisa muito simpática, que toda “a equipe do Umas & Outras”, ou seja, eu mesma, fiquei muito feliz. Você, que vem aqui e lê estas mal-tecladas linhas, é responsável também por isso. Continue chegando junto, que só nos dá prazer.


No tempo em que eu escrevia na Tribuna de Norte, em Natal, jornal no qual sustentei coluna semanal aos domingos durante dez anos, era para mim uma diversão ver como a pessoa que editava o caderno me chamava. A cada semana, era uma coisa diferente. Ao lado do meu nome, na cabeça da coluna, uma palavra nova: professora, escritora, colaboradora, poeta e também combinações dessas atividades, como “poeta e professora”, por exemplo. O jornal usou por algum tempo essas denominações diversas, na tentativa meio frustrada de tentar explicar o que eu sou e o que mais me caracteriza em termos de atividade, coisa que nem eu mesma sei e nem toda uma geração de terapeutas consegue explicar, como essa minha mania danada de variar.

carinhaIsso me faz refletir sobre a maneira como somos conhecidos e nomeados quando nosso nome chega às páginas de um jornal ou a um noticíário de televisão. Você talvez já tenha passado pela situação de ser assunto, ou tema, ou participante, ou entrevistado de uma matéria jornalística. E lá, no texto, não consta somente o nome da pessoa: consta também a ocupação, ou profissão, ou atividade que a criatura desenvolve na sua vida social. E é aí que a coisa começa a ficar engraçada, porque as denominações usadas para as pessoas são às vezes muito curiosas.

Por que não chamar o cara que tem um quiosque na praia ou no shopping de “comerciante”? Não é isso que ele faz? Não comercia seus produtos? No jornal, não. No jornal ele vira “o permissionário de quiosque Fulano”. Quer outra? “Foi assassinado o braçal Sicrano…” O “braçal”? Deve ser um trabalhador braçal, mas “braçal” assim, solto, fica engraçado. E aquela moça simpática que trabalha para uma empresa atendendo os clientes se transforma na “contato comercial Maria de Tal…” E um dia desses li uma notícia em que a pessoa era nomeada como “o evangélico Fulano”, muito embora a matéria não tratasse de religião nem sobre qualquer coisa ligada à igreja.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh

O jornal – ou telejornal – certamente tem nas suas regras ou nos seus manuais de redação parâmetros para essas classificações. E isso obviamente difere de jornal para jornal, porque em uns encontramos coisas mais engraçadas e curiosas do que em outros. Compreendo o trabalho dos profissionais da imprensa e a sua busca por excelência, muitas vezes dobrando horário, reescrevendo, conferindo informações, procurando o melhor texto. Filha e neta de jornalista, respeito demais essa atividade, muito embora às vezes goste de refletir um pouco sobre suas curiosidades, como estou fazendo agora.

Para encerrar, deixei para o final a melhor de todas, que encontrei em uma matéria que dizia “o portador de necessidades especiais Fulano de Tal…” Essa foi demais, minha gente. É genérico demais para o meu gosto porque, ao pé da letra, se eu alimento o sonho de um dia ter um encontro com Brad Pitt eu também posso ser classificada como “portadora de necessidades especiais”! Afinal, vocês hão de convir que não existe nesse mundo nada mais especial do que o belo, portentoso e deslumbrante Brad Pitt.





De clique em clique

24 07 2009

Uma das melhores coisas da Internet é ficar zapeando por aí, descobrindo coisas estranhas, divertidas, inteligentes, instigantes.

Trouxe algumas delas hoje para você.

1. Catálogo de manuscritos medievais: um primor. Eu passo horas enfiada num site desses, imaginando que estou na biblioteca do Mosteiro de Saint-Gallo…  AQUI.

2. Um Quadrante. Para navegar e olhar as estrelas. Eu não navego, mas olho estrelas, e gosto de saber a altura de edifícios, de árvores… Fiz um para mim, que mostro na foto. Usei papelão, um canudinho de refrigerante, um barbante e uma argola de um brinco velho. Fiz a graduação dos ângulos com um transferidor escolar. Faça um para você e aprenda a usar AQUI e AQUI.

3. O homem cobra. Um dançarino turco incrível, contorsionista, e muito, muito lindinho…

4. Me diga se não é um luxo este papel higiênico! Achei AQUI.

5. A Cega Natureza do Amor, novo livro de Patrício Jr, que foi lançado em Natal há uns dias. Para divulgar a noite de autógrafos, casais encapuzados namoravam no maior shopping da cidade. Veja mais AQUI e AQUI.

6. Vida de solteiro. Sem comentários. Clique AQUI.

7. O Livro Egípcio dos Mortos. Uma coisa belíssima, um documento impressionante que, por sobre os séculos que nos separam dele, ainda conserva a força e a estranha beleza dos rituais fúnebres do Antigo Egito. AQUI.

8. Torneira. Quer me agradar? Me dê uma dessa de presente! A azul, eu quero a azul. E tem mais AQUI.

9. Colar de crochê. Um primor de habilidade. Belo belo belo. Mas é preciso ter um colo de acordo. Como diz o cantador de viola, “o pescoço é quem confeita o colar”. AQUI.

10. E finalmente esse bicho estranho, que deve se chamar PhotoShop, que nem fui eu que encontrei: ele apareceu aqui de enxirido!

Para divulgar o lançamento, casais encapuzados namoravam no maior shopping da cidade.




O gosto que nunca tomei

27 06 2009

Hoje o Umas & Outras traz um convidado: o jornalista Rodrigo Levino, nascido no Rio Grande do Norte, atualmente experimentando a dura poesia concreta das esquinas de Sampa, a quem incomodei por uma crônica ou texto. Aí ele vai e me manda esse texto falando sobre futebol e copa do mundo, assunto cheio de testosterona, que por isso mesmo vai dar uma injeção de novidade neste blog.


Rodrigo Levino

Rodrigo Levino

Mario Ivo indaga via MSN se estou satisfeito com a escolha de Natal como uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Satisfeito não é a palavra. Insatisfeito também não. A verdade é que eu procuro desde uns seis ou sete anos de idade me comover com o futebol. Até agora, nada. Quer dizer, o problema não é com a escolha em si, mas com o gosto que eu nunca tomei.

A vida para um míope e astigmático diagnosticado aos quatro anos de idade não é um show de bola. Pelo contrário, meio caminho andado para ser um perna-de-pau. Ali pela época em que todo moleque se joga na várzea atrás de uma pelota, eu estava enfurnado em casa. Nunca fui acometido pela vergonha oceânica de, no meio da partida, ter a mãe gritando da janela ou pior, vindo até o campo improvisado e arrastar pelas orelhas, perguntando quando é que eu iria deixar esse negócio de futebol de lado e estudar de verdade. Dona Miriam nunca precisou se ocupar disso.

Entrar em campo com os óculos era pedir para saírem espatifados, de queda ou bolada. Jogar sem eles, impossível. Sem ter idéia de por onde a bola anda em campo, de tão cego, é muito provável que aos poucos você seja excluído do jogo, vá saindo da grande área pela lateral e quando der fé já está sentado na arquibancada ou tomando rumo de casa. Aconteceu comigo.

Copa, festa, alegria, rojão e emoção mesmo, dessa que faz Alex Medeiros e Rafhael Levino sumirem por um mês, enquanto duram os jogos, aconteceu uma vez e lá se vão 13 anos. Final do campeonato interno do Educandário Santa Teresinha, Caicó. As duas oitavas séries num embate que causou estrago em amizades de infância. Escalado para o time com o único intuito de divertir a massa e quebrar pernas, caso necessário, tive a grande chance nos estertores finais da partida. Meu time perdia por um gol. Falta perto da área. “Você bate. Chute com força, não precisa nem olhar”, aconselhou Filipe Torres.

A arquibancada gritava “Cegão! Cegão! Cegão!”. Eloquente a voz do povo. Ajeitei a bola, dei dois passos para trás, corri e… Nada. Na hora H faltou o traquejo, a malícia, a paixão, sobrou frouxidão e a insegurança que artilheiro nenhum pode ter. Não chutei a gol. Pela diagonal esquerda saiu uma bola murchando até chegar ao atacante, completamente cercado, enquanto o goleiro jazia adiantado e a barreira completamente aberta, prontos para receberem o meu primeiro gol, comemorado como se fosse final de Copa.

Nunca mais toquei numa bola de futebol. Nem assisti jogo nenhum. Ou seja, pensando assim como deve pensar um torcedor, não faço a menor idéia do que pode ser uma Copa do Mundo em Natal, porque o jogo que importava mesmo eu perdi faz tempo, ali por perto da Catedral de Sant’anna, em Caicó.





Facilitando a vida

25 06 2009

Hoje, com preguiça de escrever, vou lhe apresentar aqui umas dicas de organização e facilitação da sua vida, retiradas dos sites que visito o tempo todo e todas testadas por mim.

1 No site Efetividade.net o que fazer com os documentos, recibos de bancos e extratos de contas. Jogo ou não jogo fora? A respota está aqui. http://www.efetividade.net/2009/06/23/organizacao-de-documentos-em-casa-nova-lei-pode-acabar-com-nossas-montanhas-de-recibos/

2 Antonio Azevedo diz: “Faça agora”. E é mesmo! http://www.antonioazevedo.com.br/2008/10/faca-agora/

3. PocketMod ajuda. Faça um para você. http://repocketmod.com/

4. Use esse diagrama de produtividade http://rmaues.org/blog/2009/03/27/nerdy-productivity/

5. A melhor lista telefônica virtual. http://www.102web.com.br/telemar.htm

6. Tabela supercompleta de calorias. http://www.cdof.com.br/nutri4.htm

7. Cozinha pra quem não sabe cozinhar direito. http://www.muitogostoso.com.br/

8. Um timer on line para você não esquecer a panela no fogo. http://e.ggtimer.com/1minute

9. Converta qualquer documento em PDF. http://www.freepdfconvert.com/

10. E se o barulho da vizinhança lhe incomoda, informe-se aqui. http://www.chegadebarulho.com/

Finalmente, se nada der certo, chame o Aristeu.

aristeu-evangelico-honesto_1





Enterrado vivo

14 06 2009

poe2“…escancarada a porta, apareceu, de pé, a figura altaneira e amortalhada de Lady Madeline Usher. Havia sangue na sua veste branca e vestígios de alguma luta áspera em cada parte do seu corpo emagrecido. Por um momento, ela ficou, trêmula, a vacilar no umbral – depois, com um pequeno grito lamentoso, caiu pesadamente para dentro, sobre o corpo de seu irmão, e, na sua violenta e agora final agonia, o que ela arrastou para o chão foi apenas um cadáver, a vítima dos horrores que ele mesmo previra.”

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

No conto A Queda da Casa de Usher, Edgard Allan Poe conta uma tragédia de horror, em que a bela Lady Madeline Usher, sofrendo de catalepsia, é enterrada vida. Poe retrata neste conto um terror atávico do ser humano que é ser sepultado por engano, quando ainda há vida no corpo. O terror é tão largo e disseminado que, em diversas culturas, dispositivos variados são adicionados aos ataúdes para que os supostos “enterrados vivos” possam pedir socorro, caso isso aconteça.

poe3Esses casos poderiam ser possíveis em virtude de uma doença rara denominada catalepsia, espécie de ataque que pode durar de alguns minutos até alguns dias, onde as funções orgânicas diminuem de velocidade e intensidade, fazendo que com que pessoas desavisadas e sem maior informação julguem que o indivíduo está morto. A causa da catalepsia é desconhecida; mas acredita-se que hoje em dia, com todo o aparato técnico existente em hospitais e pronto-socorros não é mais possível um caso desses passar despercebido, tendo como consequência o “enterramento vivo” do paciente.

Somente em regiões longínquas sem profisionais médicos ou equipamentos seria possível que um ataque dessse tipo pudesse ser confundido com a morte. Por outro lado, o tema é excitante e dá boa margem para enredos literários, como o fantástico conto de Edgard Allan Poe, citado acima, e muitos outros.

poethurmanO medo de ser enterrado vivo está associado com outra fobia semelhante: a claustrofobia, uma vez que o enterrado vivo geralmente se acorda fechado em um caixão com espaço minúsculo. Aqui, é bom lembrar de Uma Thurman em Kill Bill II, que sai do túmulo onde a enterraram literalmente “na marra”.

Freud de Melo

Freud de Melo

Para lidar com esses medos, um camarada chamado Freud de Melo, advogado, empresário e produtor rural de Hidrolândia, estado de Goiás, já tratou de construir seu túmulo com tudo o que tem direito: TV, celular, alto-falantes, sistema de ventilação e alimentos.

No You Tube tem um video; se você quiser ver, pode clicar aqui.

Eu sempre achei essas histórias todas muito curiosas. Mas é assim que são os seres humanos: curiosos e diferentes pra caramba, dando assunto abundante para blogueiras desocupadas que nem eu.





Ligeirinho

4 06 2009

Rapido como quem rouba, este post de hoje é somente para o bloguinho não passar em branco, coisa que atiraria a minha reputação na sarjeta. Prometi que vou postar todo dia, e é isso que farei.

Então, meu pacientíssimo leitor, deleite-se com esses flagrantes poéticos, fotográficos e anedóticos enquanto eu me dedico a uma veia memorialística aberta desde ontem e que está sangrando copiosamente, enquanto eu escrevo a história dos dois anos que passei no internato, para onde fui com apenas oito anos de idade.


O ano é 1956. Eu sou a dentucinha do meio, na segunda fila, interna no Colégo Nossa Senhora do Bom Conselho, em Bom Conselho, agreste de Pernambuco, a 40 km de Garanhuns.

O ano é 1956. Eu sou a dentucinha do meio, na segunda fila, interna no Colégo Nossa Senhora do Bom Conselho, em Bom Conselho, agreste de Pernambuco, a 40 km de Garanhuns.


SEM VERBO

O poeta Dedé Monteiro, de Tabira, recebeu um pedido de ajuda de uma estudante a quem o professor havia dado como tarefa um trabalho de no mínimo dez linhas, tema livre, rimado, e sem nenhum verbo.

O poeta criou “Casa velha”:

Ah, casa velha do cão
A de vovó Januária!
Caverna bicentenária
Sem um sinal de cristão!…
Morcegos sobre o fogão
Nos móveis, somente pó
No muro, uma planta só
No jardim, rato e mosquito
Eis o retrato esquisito
Da casa da minha avó!

Encontrei essa preciosidade no livro do meu companheiro cangaceiro Paulo Medeiros Gastão “Viagem a Triunfo da Baixa Verde”, nº 1151 da Coleção Mossoroense.


Os bodezinhos lá do Cariri, satisfeitinhos com a chuva...

Os bodezinhos lá do Cariri, satisfeitinhos com a chuva...


COMO É QUE É?

O gerente chama o empregado da área de produção, tipo armário quatro portas, com 1,90 de altura, recém-admitido e inicia o diálogo:
– Qual é o seu nome?
– João – responde o grandalhão.
– Olhe – explica o gerente – eu não sei em que espelunca você trabalhou antes, mas aqui nós não chamamos as pessoas pelo seu primeiro nome. É muito familiar e pode levar a perda de autoridade. Eu só chamo meus funcionários pelo sobrenome: Ribeiro, Matos, Souza, etc, entendeu? E quero que o senhor me chame de Sr. Mendonça. Muito bem, agora quero saber: qual é o seu nome completo?
O empregado responde:
– Meu nome é João Paixão.
– Tá certo, João. Pode ir, agora.


Beleza em estado puro. A foto é de Nicholas Greenway.

Beleza em estado puro. A foto é de Nicholas Greenway.





Ora, direis, uma chupeta…

1 06 2009

Hoje recupero para você, meu caro leitor, este texto que escrevi há dois anos e que fez muita gente rir. O bebê, que ainda não havia nascido, chama-se hoje Marina, e está com cerca de dois anos.


happydays_nuk1Fui convidada para o chá de bebê de Thaís, a filha da minha amiga Vitória. Havia uma lista para escolher o que cada um iria levar. Aí, como não sou muito versada nessas coisas de criança escolhi as chupetas, porque chupeta eu sei o que é, e sei também que se encontra em qualquer farmácia.

Ledo engano, meus caríssimos leitores. Foi uma das tarefas mais difíceis da minha vida conseguir essa chupeta. “Mas ora, direis! Uma chupeta? Coisa mais simples! Clotilde deve estar, como sempre, fazendo drama”.

orto_kukaAh, meus caros e desavisados amigos! Também eu pensava assim e quando criei meus filhos (Ana, a mais nova, tem 28 anos) uma chupeta era apenas uma chupeta. “Vai ali, menino, na farmácia, e traz uma chupeta para o bebê” – era assim que esse assunto era resolvido.

Lembrei-me também do nascimento de Pedro-Quirino-Meu-Irmão. Mamãe atrapalhou-se nas contas e o menino nasceu antes do tempo. Papai estava desempregado, a gente numa pobreza danada, Mamãe desnutrida, magra de fazer dó. O menino nasceu de madrugada e botou a boca no mundo, a berrar, mas o leite ainda não tinha descido, Mamãe, coitada, aperriada, os peitos vazios. E não tinha chupeta para o recém-nascido. No quarto do meio, eu e Bráulio, meu outro irmão,  estávamos cada um em nossas camas, acordados, porque o movimento era grande e acabara de nascer uma criança no quarto vizinho ao nosso. Eu com seis anos; Bráulio tinha apenas três, e estava mais assustado do que eu com as coisas incompreensíveis que se passavam no aposento ao lado.

f_chupetaNessa hora, Titia Adiza entra no quarto e senta-se na cama de Bráulio; “Meu filho, acaba de nascer seu irmãozinho. Está ouvindo ele chorar? Ele chora assim porque não tem chupeta. Será que você pode emprestar a sua?” E Braulio, mais por surpresa do que por generosidade, entregou a Titia aquela impressionante chupeta, enorme, amarelada, amarrada num cordão, com meses de uso, porque ele não largava dela para nada. O prodigioso objeto logo acalmou o bebê, nós adormecemos e quando acordamos no outro dia o leite já havia descido e Pedro-Quirino-Meu-Irmão, muito vermelho e com o cabelo bem preto, mamava furiosamente.

coloridinhasBem, mas voltando ao presente e ao chá de bebê de Thaís: na semana passada, estando eu no shopping, entrei nas farmácias – são duas, ali – para comprar as tais chupetas. Aí, o que se deu foi um alumbramento, uma epifania, uma iniciação. Nesse dia, fui introduzida no maravilhoso universo chupetal.

Descobri que há muitas marcas de chupeta. Lillo – a que eu procurava – da Mônica, Nuk, Dermiwil, Chicco, MAM, Kitstar, Babycare, Neopan, Fiona… Essas marcas apresentavam linhas diferenciadas como Classic, Citrus, Acqua Fish, borda escura ou clara, Trendline, Happydays, Starlight, Soft, Gota Luminosa, Sleeptime, Disney…

coloridaComeçando a ficar confusa, fui conferir as especificações da lista de Thaís: três chupetas Lillo, ortodôntica, cor-de-rosa, do Snoopy. Legal! Lá estava a chupeta Lillo na prateleira da farmácia. Mas não correspondia ao pedido. Encontrei Lillo Classic, Extra-air, Disney, com Peter-pan, Sininho, Ursinho Pooh, Barney, Mickey, Minnie… Mas nada de Snoppy. Havia um linda, cor-de-rosa, maravilhosa, com um simpático unicórnio estampado, mas… nada de Snoopy.

Comecei então a ver que a tarefa era séria e exigia caráter, tenacidade, determinação. Já meio desesperada, na segunda-feira, sabendo que o chá do bebê seria na sexta, consultei a Internet onde encontrei as chupetas Snoopy mas aí surgiu outra dúvida: comprando pela Internet chegariam a tempo? Provavelmente não, e eu achei melhor não arriscar. Afinal, havia ido apenas a quatro farmácias e às Lojas Americanas. Iria então ampliar minha busca.

nuk2E na quinta-feira, véspera do acontecimento, entreguei-me de corpo e alma à missão, a bordo do meu valoroso Palio-96, pelas avenidas da capital parahybana. Peguei a Epitácio no sentido cidade/praia, desde o início, e vim parando farmácia por farmácia. Na segunda encontrei, mas só tinha para criança de seis meses em diante e eu acrescentei mais um dado ao meu conhecimento sobre as chupetas: é que existem tamanhos para várias idades, me fazendo meditar bastante sobre os danos causados a Pedro-Quirino-Meu Irmão, recém-nascido, tendo que encarar a chupetona do irmão mais velho, já com três anos. Mas fui em frente e consegui encontrar um exemplar da Lilo-ortodôntica-cor-de-rosa-com-Snoopy na farmácia número cinco e mais dois exemplares na farmácia número sete, aquela que fica na esquina da Tito Silva, onde, exausta, mas vitoriosa, encerrei minha busca, depois de onze farmácias, Internet e Lojas Americanas. Isso sem contar o Terceirão, shopping popular no centro da cidade, onde fui em busca de outra coisa mas não deixei de procurar pelas chupetas.

snoopyDe tudo, ficam algumas lições. A primeira e mais importante e óbvia delas é que o mundo está muito, muito mudado, e que eu talvez não soubesse hoje cuidar de uma criança pequena, com tantos requisitos de mercado e de puericultura dita científica a cumprir. Também não se deve decepcionar uma mãe de primeiro filho, que ainda curte e se amarra nesses pequenos detalhes da experiência. Depois do segundo ou terceiro pimpolho, começamos a não prestar mais atenção nesses detalhes; mas para a-mãe-de-primeira-viagem, para sua primeira vez, tudo isso é importante, e nós, mulheres mais velhas, mães, tias e avós, devemos permitir que se alimentem essas ilusões.

A última e mais importante lição que aprendi com esse episódio é nunca se deixar enganar por uma aparente trivialidade: por trás de uma prosaica chupeta pode se esconder toda uma teia complexa de relações sociais e de mercado com as quais eu, na minha vã filosofia, nunca teria tido oportunidade de sonhar.





A linha genética: uma mão-na-roda para a pesquisa genealógica.

27 05 2009

Por mais que eu veja coisas estranhas, esquisitas, fora de propósito, sem noção, sempre consigo me surpreender com os episódios pelos quais sou obrigada a passar quando o telefone toca. O telefone, meus amigos, é um objeto mágico e cheio de poderes que até Harry Potter invejaria, pela capacidade que tem de trazer para dentro da nossa casa as coisas mais estranhas.

telefone1Pois ontem de noite foi assim. Estava eu quietinha sentada na frente da TV com o notebook no colo, procurando assuntos amenos e agradáveis para fazer este postzinho de hoje quando o telefone tocou.

raiva

Fui ficando estressada...

Um rapaz me disse que era da Oi e perguntou por Ana. Eu moro sozinha, disse que não havia aqui nenhuma Ana, então ele repetiu a pergunta, desta vez com o nome completo da minha filha, que se chama Ana. Aí começou um papo meio estranho, porque ele disse que havia um problema com um telefone, eu perguntei o número, ele me deu o número mas eu não reconheci, e ele não podia me dizer qual era o problema; e perguntou se eu era mãe da Ana e eu confirmei, em troca perguntei o nome dele, que era Mateus. Eu tentei saber novamente qual era o problema do telefone, ele não me disse. Ele quis mais informações sobre Ana, pediu o CPF dela para confirmar, eu me recusei a dar. Então, pedi o CPF e o RG dele, ele não me deu. Mas continuou querendo saber se eu era responsável pelo número que estava no nome de Ana, e eu não disse, e fui me estressando, e quis saber como ele tinha meu número, já que moro em outra cidade, e ele disse que a discagem tinha sido feita automaticamente, e eu perguntei se ele também funcionava automaticamente, ou seja, se era um robô, ou era gente, e ele disse que era gente, mas que a discagem era feita automaticamente e no meio desse dilema entre o automático e o humano eu terminei perdendo de vez a paciência e mandando ele e a máquina de discagem fazerem um com o outro uma atividade humana e animal que não vou descrever aqui e que nunca compreendi porque, sendo uma atividade tão agradável, é usada como forma de insulto.

Aí liguei para Ana, contei o caso, ela ligou para a Oi e descobriu que se tratava de um telefone antigo dela, que ela havia desativado mas que por um motivo qualquer ainda estava no sistema (Ah! O sistema! Um dia falaremos aqui sobre ele). Pois bem, ela esclareceu as coisas lá com o atendente e então perguntou:

mendel– Porque vocês ligaram para a minha mãe? Ela está morando por um tempo em outra cidade e não tem nada a ver com os meus negócios.

Ele respondeu:

– É porque nós temos aqui uma linha genética que, não encontrando alguém, conecta com o pai, o filho, etc.

Pronto, meus caros leitores.

Aí está a salvação da genealogia brasileira.

livrosantigosNós, incansáveis pesquisadores, não precisaremos mais ficar revirando velhos e empoeirados livros de registros, ou mergulhados em pilhas de documentos antigos cheios de mofo, que jazem há décadas em vetustas sacristias ou empoeirados cartórios.

Nossos problemas se acabaram. É só requisitar a Linha Genética da Oi. De forma automática, sem mofo, sem poeira e sem má-vontade, ela procura seus parentes, completa a ligação, estabelece os contatos e os valorosos garotos que estão ao telefone, que me incomodaram na terça-feira, 26 de maio, às oito e meia da noite, que me tiraram da frente da TV e do computador, que tiraram meu sossego e acanalharam com o meu bom-humor, provavelmente têm capacidade para acordar do sono eterno os nossos antepassados até a décima geração.





Xixi no banho!

19 05 2009

Quando eu fazia mestrado e morava em Recife, em 1978, estava grávida da minha filha mais nova, que hoje tem 30 anos. Eu mesma tinha 31 anos na época. Moravam comigo uma amiga e minha irmã mais nova, ambas por volta dos 19 anos, que faziam faculdade e trabalhavam. Duas meninas lindas, namoradeiras, que sempre estavam às voltas com os rapazes.

save waterEntão eu, para brincar com elas, preguei no banheiro um cartaz que dizia: “Economize água. Tome banho com o seu namorado.” Era muito engraçado ver a cara dos rapazes quando viam o anúncio, mas no final todos aproveitavam e tomavam banho juntos. O problema é que às vezes a economia não funcionava, pois os banhos juntos demoravam muito mais do que dois banhos separados…

Naquela época não se falava ainda tanto de crise energética nem do esgotamento do suprimento de água do planeta. O meu pensamento de economia referia-se apenas à conta save water3da água, que eu geralmente pagava sozinha, pois as meninas eram jovens, estudantes, com empregos ainda precários e pelos dez anos de diferença, eu fazia mais ou menos o papel de “mãe” da duas. Foi uma boa época, da qual guardo carinhosas recordações.

Hoje, com a ameaça do esgotamento dos recursos naturais do planeta, as campanhas de economia de água, energia e outros recursos se sucedem, sobretudo essa muito curiosa, que está agora sendo divulgada pela Internet e que, por ter a ver com o que se passa dentro do banheiro, fez eu me lembrar da minha “campanha” de 30 anos atrás.

A campanha é Xixi no Banho e defende que, uma vez que 80% do gasto de água de uma casa é no banheiro, e que na privada se gasta mais do que no chuveiro, nada mais saudável para economizar água do que fazer xixi durante o banho.

A argumentação é que o xixi é composto por 95% de água, sendo o restante 5% apenas sais e amoníaco. Não é nojento, não transmite doenças, e a pessoa deve ter o cuidado apenas de fazer o xixi no ínicio do banho, para que a água possa realmente diluir o xixi e levá-lo para longe. A campanha é de uma organização chamada SOS Mata Atlântica, que anuncia um evento para o Ibirapuera, em São Paulo, o Viva a Mata, de 22 a 24 de maio próximo. O site é muito engraçadinho, cheio de animações e vai a pena dar uma olhada lá.

Antes que me esqueça, 75% dos internautas que o visitaram responderam à enquête dizendo que sim, que fazem xixi no banho. E você, faz?

Bem, mas o mundo está cheio de gente desocupada e sem noção, que não perde a oportunidade de tirar sarro dos outros. Então essas criaturas inventaram campanha semelhante, Cocô no Banho, onde defendem que o ato irá economizar papel higiênico e impedir que mais árvores sejam derrubadas. Segundo os idealizadores, cada pessoa gasta por ano 864 metros de papel higiênico que seriam economizados se o freguês optasse por fazer cocô no banho.

O site é engraçadíssimo e oferece ainda sugestões para resolver as mais variadas situações tipo “O que fazer se o cocô ficar preso no ralo” e outros que não me atrevo a mencionar. Faz propaganda do “xampum” Cocô no Banho e do Creme para Pentelhar. É a coisa mais engraçada que já li, e é tão bem feito que se alguém sem senso de humor ler os textos pensa que aquilo é sério e não uma imensa gozação.

É por isso que penso que o mundo tem jeito: primeiro porque há pessoas sérias preocupadas com ele; e segundo porque também ainda tem muita gente com senso de humor.

(Eca! Não achei nem como ilustrar esse post!)





Sem assunto…

16 05 2009

O meu caro leitor deve estar se perguntando: se está sem assunto, por que bloga? E eu respondo: porque a proposta deste blog é ter um post por dia durante um ano.

Então, trate de me aturar porque além de sem assunto eu estou mortinha de preguiça neste sábado chuvoso.

Foto de Hugo Macedo. Visite o blog em http://fotohugo.blogspot.com

Foto de Hugo Macedo. Visite o blog em http://fotohugo.blogspot.com

FRASE

“Nunca serei velho. Para mim, a velhice começa quinze anos depois da idade em que eu estiver.”

(Bernard Baruch, que morreu aos 95 anos em 1965.)

Colégio N. Sra.do Bom Conselho, em Bom Conselho-PE, onde eu fui interna nos anos de 1956 e 1957. O colégio é tradicional daquela região do AGreste de pernambuco, fundado pelo missionário Frei caetano de messina há mais de 150 anos. Visitei-o em 2004, quase 50 anos depois que fui interna lá. Pense numa emoção!

Colégio N. Sra.do Bom Conselho, em Bom Conselho-PE, onde eu fui interna nos anos de 1956 e 1957. O colégio é tradicional na região do Agreste de Pernambuco, fundado pelo missionário Frei Caetano de Messina há mais de 150 anos. Visitei-o em 2004, quase 50 anos depois que fui interna lá. Pense numa emoção!

OUVIDO (OU LIDO) NA INTERNET

Um hipocondríaco vai ao médico e  diz:
– Doutor, a minha mulher me traiu há uma semana e ainda não me apareceram os chifres. Será falta de cálcio?

Fotos histórica: Braulio Tavares, Fuba e Pedro Osmar. Quem é da Paraíba conhece.

Foto histórica: Braulio Tavares, Fuba e Pedro Osmar, em algum lugar do passado. Quem é da Paraíba conhece.

FRASE OUVIDA NÃO SEI ONDE

A adversidade é a pedra onde amolo a minha faca.

Sem legenda. E antes que me acusem de politicamente incorreta, comunico que estou loura também, por uns dias.

Sem legenda. E antes que me acusem de politicamente incorreta, comunico que estou loura também, por uns dias.

LÍQUIDO CARÍSSIMO…

O que é que custa entre 6 e 14 mil reais o litro e não serve nem para beber? Resposta: tinta de impressora, essas máquinas malditas que inventaram somente pra gente comprar o tal líquido…

Eu e o paredão do centro Cultural do Banco do Brasil em Brasília. A foto é de Sandro fortunato, a pose pe minha. Novembro de 2006.

Eu e o paredão do Centro Cultural do Banco do Brasil em Brasília. A foto é de Sandro Fortunato, a pose é minha. Novembro de 2006.

MAIS UMA FRASE

“Corta tua própria lenha e ela te aquecerá duas vezes”

(Thoreau)

Bons tempos em que queríamos resolver os problemas do mundo na cama...

Bons tempos em que queríamos resolver os problemas do mundo na cama...

SÓ MAIS OUTRA…

“Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus
pais e são simplesmente maus.”

(Sócrates, filósofo grego, 470-399 a.C.)

...e, finalmente, nunca houve nem haverá uma mulher como Gilda.

...e, finalmente, nunca houve nem haverá uma mulher como Gilda.





Da série “gerundiando”.

12 05 2009
Entrei pro cangaço!

Entrei pro cangaço!

ESTOU…
… RELENDO as memórias de Pedro Nava. Depois de Baú de Ossos e Balão Cativo, acabo de começar Chão de Ferro.
… BEBENDO suco de uva com soda limonada light.
… COMENDO umas tapioquinhas recheadas com parmesão que eu mesma faço. Hummmmm
… DORMINDO melhor, depois das drogas lícitas que os médicos me receitaram.
… ABRAÇANDO minha amiga, a genealogista carioca Regina Cascão que, de férias, veio hoje passar o dia na capital paraibana.
… ASSISTINDO em DVD O Código da Vinci, que nunca tinha visto, pois vem aí a continuação.
… COMPRANDO uma nova TV a cores, daquelas grandonas, que não tenho ainda.
… ESTUDANDO psicologia, por minha própria conta, tendo a mim mesma como objeto de estudo.
… LAMENTANDO o sumiço da minha gatinha Irlanda, lá em Natal. Há dez anos conosco, era um membro da família.
… PESQUISANDO os registros civis dos meus antepassados, agora disponíveis na Internet, pelo menos no período 1890 a 1930.
… PLANEJANDO ir assistir Volverine amanhã ou depois.
… REVERENCIANDO uma imagem de Santa Zoraide que encontrei na loja de artesanato e imediatamente entronizei na entrada do apartamento.
… COMPROVANDO que minha sobrinha-neta Maria Luísa é mesmo a criança mais linda que já vi.
… SONHANDO sonhos estranhos. O último foi com Dunga, lá de Natal. Quem conhece entende.
… PEGANDO leve com a vida.
… ACENDENDO esperanças nos corações.
… VENDENDO saúde.

Irlanda. Espero que onde estiver, esteja bem.

Irlanda. Espero que onde estiver, esteja bem.





Hoje não tem post…

5 05 2009

coubert

Estou cansada…

ingres3

Quero apenas sossegar num bom papo com minhas amigas…

ingres2

Depois chamar a massagista para uns toques, um relaxamento…

goya44

E finalmente ir ao cinema ver Volverine (alguém já viu? Gostou?)