Beleza em estado puro

6 03 2010

É tão lindo esse país, meu caro leitor!

Eu sou uma apaixonada por essa terra e considero que não é preciso ir aos pontos turísticos para ver grandes belezas. Sou uma apaixonada da beleza singela das regiões interioranas, com suas cidadezinhas pequenas e esquecidas pelo tempo aparecendo a cada 20 ou 30 km, com a igreja no centro, os prédios e casas antigas ao redor, em volta da pracinha, e um pouco mais longe, em linha reta, a estação de trem. Num alto próximo, o pequeno cemitério, com suas construções brancas e azul claras, “que duram até o juízo final” como está lá no Hamlet, Ato V, Cena 1.

A topografia do Agreste de Pernambuco, por onde tenho andado nestes dias, mostra morros suaves e arredondados, céu de lápis-lazúli, verdes de todas as cores de verde que você possa imaginar, visões bucólicas que lembram a Toscana italiana, com panoramas que mudam e fascinam a cada volta da estrada.

Uma coisa tão bonitinha que só vendo.

Por isso, lhe deixo com as imagens.

Lago com direito a patos,

Paisagem de lago com patinhos.

Força viva que brota da terra e se estende para o alto.

Morros verdinhos e macios, que dá vontade de passar a mão...

A esperança, que sempre está comigo e que também me acompanhou nesta viagem.





As 10 coisas que mais gostei na viagem de navio

9 01 2010

Se você está chegando a esse blog hoje pela primeira vez, clique aqui para ver que viagem foi essa.

1 – A comida

Fiquei feliz de desfrutar de uma gastronomia elaborada como a que era servida no restaurante à la carte, com refeições de seis pratos. Não aumentei nem meio quilo porque esse tipo de comida, com suas pequenas porções, realmente engorda menos do que se você se servir no self-service onde sempre, sempre, os olhos são maiores do que a fome.

2 – Ver a esteira de espuma que o navio deixa na água

Eu ficava horas na amurada, ou na popa, vendo o caminho que a grande embarcação deixava nas águas e a rapidez com que ele se desfazia. Um momento ímpar para refletir sobre a rapidez com que as coisas passam…

3 – Tomar café da manhã na cabine

Odeio ver a humanidade antes de ingerir pelo menos meio litro de café e tomar um banho. O café na cabine, servido gratuitamente, na hora marcada por mim na véspera, com croissants deliciosos e outras gostosuras, foi realmente um luxo.

O clube.

4 – A pontualidade

Se anunciarem um show às 21h15, começa às 21h15; se disserem que a piscina está aberta às 8h55, abrem às 8h55. Vivendo e me irritando sempre num mundo impontual como o nosso, eu desfrutei de uma semana maravilhosa, podendo me programar, sem perder meu tempo esperando que as coisas começassem.

5 – A possibilidade de fazer amizade

Você vai caminhando pelo deck, senta numa daquelas poltronas com um livro. Ao seu lado, na poltrona próxima, senta alguém: homem, mulher, adolescente, não importa. Aí você sorri e diz: “Oi, eu sou Clotilde, e moro em Natal, e você, de onde é?” É o suficiente para conhecer gente e fazer boas amizades. Num cruzeiro, as pessoas estão mais abertas a isso e eu adoro conhecer gente nova.

Lojas "DutyFree"

6 – Praticar meu inglês terrível com o inglês mais terrível ainda de stewards e garçons

Foi divertido conversar em inglês com gente da Malásia, Indonésia, Coréia e Madagascar. Conversar é o modo de dizer, porque na maior parte das vezes um não entendia direito o outro. Mas como eu via que o inglês deles era tão ruim quanto o meu, a auto-censura diminuía e eu conseguia conversar razoavelmente bem com aquelas criaturas.

7 – Ir ao clube sozinha

Sentar, ficar horas ouvindo a banda tocando música romântica dos anos 1960, tomando refrigerante light… Você não precisa de companhia para freqüentar nada, uma coisa que nem sempre é bem aceita em terra firme. Pelo menos aqui em Natal eu não me atrevo a entrar num bar da moda e concorrido sozinha, para ocupar uma mesa, ver o show, comer, passar o tempo. Já tentei fazer isso, mas quando era mais nova os garçons me constrangiam me tomando por prostituta; agora, na terceira-idade, possivelmente vão pensar que eu sou doida.

Cardápio

8 – Provar a mim mesma que posso passar sete dias completos sem Internet

Sem e-mails, sem twitter, sem MSN, sem blog. E sem ler as milhares de coisas que leio todo dia na rede: jornais, revistas, blogs. Passei muito bem sem tudo isso. No segundo-dia de viagem, eunem me lembrava que existia Internet.

9 – Comprar a preço maravilhoso

Uma das boas coisas do navio são as lojas Duty Free, onde você compra em dólar, sem pagar imposto. O perfume que uso, que custa R$ 270,00, foi comprado a 68 dólares.

10 – O balanço suave da embarcação

Já disse aqui e repito: parecia que  eu era menina de novo, embalada na rede da infância por mãos maternas. Mas eram as ondas do Atlântico, ou os suspiros de Iemanjá, a Rainha do Mar, embalando meu sono por sete deliciosas noites. Tenho saudades.





Preparativos para viagem

21 10 2009
Sartre e Simone

Sartre e Simone

A escritora Simone de Beauvoir relata num dos seus livros que Sartre, seu companheiro e também escritor, sempre saía de casa com bastante dinheiro em espécie, passaporte e todos os documentos. Para Sartre, isso significava que, se lhe desse vontade, podia dali mesmo de um daqueles cafés que frequentava viajar para onde quisesse sem precisar voltar em casa. Isso significava liberdade absoluta de ir e vir.

Eu morro de inveja desse tipo de atitude porque sou daquelas pessoas que para viajar nem que seja por dois dias preciso de milhares de preparativos. Desde os tradicionais “que roupa levar”, que somente isso daria um post quilométrico incluindo minha clamorosa indecisão a respeito não somente a roupa mas sapatos, bolsas e acessórios até os meus equipamentos eletrônicos dos quais não me separo e que dão sentido à minha vida. Então: roupa, sapatos, acessórios, maquilage, notebook e sua fonte, câmera, gravador, celular e carregador, o carrgador de pilhas, agenda, caderninho para escrever, canetas, remédios, produtos dietéticos… É uma troçada sem fim, da qual preciso todo dia. Antes levava livros também, mas agora com os livros em PDF (tenho cerca de 400 títulos no notebook) não preciso mais carregar esse peso extra.

Mas antes de viajar também tenho que tomar providências domésticas. O apartamento tem que ficar todo arrumado e a cozinha limpa, senão quando a gente volta, além daquele choque inicial de abrir a porta e ver logo uma bagunça, se ficar sujeira na cozinha cria mofo e atrai insetos. É preciso também deixar as plantas com água e em lugar protegido, mas onde haja alguma luz, para que não morram.

Fora isso, e princialmente se eu for para um lugar onde não tenha Internet ou a conexão seja difícil e precária, é preciso deixar agendados os posts dos blogs, colocar as listas de discussão (quase 30!) em modo web, e enviar antecipadamente as colunas para o jornal.

Então, meu caro leitor, viajar para mim é sempre uma trabalheira; é por isso que só saio de casa se o roteiro me atrair com muita força. Como farei amanhã, indo em direção ao Cariri Paraibano. Mas os detalhes dessa viagem você vai ter que esperar até amanhã para saber.





Goiânia, e seu zoo

30 07 2009
Goiânia vista do zoo.

Goiânia vista do zoo.

Em 2006 fiz uma viagem grande pelo Brasil e entre os lugares que vi e que gostei está a cidade de Goiânia. Na verdade, a minha ida a Goiânia foi mais para de lá ir a Goiás Velho, a antiga capital do estado de Goiás – da qual já falei em outro post. O caso é que, chegando em Goiânia, e como Goiás Velho só me consumiu um dia, resolvi conhecer a atual capital do estado.

Uma das primeiras coisas de que gostei foi que no hotel me informaram que eu ia poder andar para onde quisesse, a pé e sozinha, que a cidade era segura. E eu fui mesmo. Saí num feriado, de manhã, pelo centro da cidade, fui a museu, entrei em igrejas, andei, virei, mexi, depois peguei um ônibus e atravessei a cidade para ir a um shopping. Uma tranquilidade, ninguém me incomodou e em nenhum momento me senti insegura. Adorei a cidade, virei fã.

Imagine um hipopótamo...*

Eu adoro os hipopótamos!

O que mais gostei em Goiânia foi o Zoológico, onde passei, digamos assim, o “miolo” deste dia maravilhoso. Cheguei lá umas nove e meia da manhã e saí era quase duas da tarde, de onde peguei o ônibus – o sistema de transporte também era muito bom – para ir ao shopping.

O curioso é que o zoológico de Goiânia é no centro da cidade, uma verdadeira ilha abençoada por árvores e uma vegetação luxuriante, com animais de todo o tipo – eu, que sou doida por bicho, quase enlouqueço diante dos animais, todos muito bonitos e bem tratados. Fiz dezenas de fotos. Fiquei muito triste há uns dias quando vi no Jornal Nacional que alguns animais tinham morrido de causas desconhecidas – uma onça, um hipopótamo, uma girafa, um jacaré… –  e quando vi na televisão o grande hipopótamo estirado no chão, inerme e inútil, fiquei pensando: será este o mesmo bicho que eu fotografei naquela manhã maravilhosa?

Guardo boas recordações e no meu celular, até um dia desses, havia ainda gravado o grito dos macacos, que eu usava às vezes como campainha de alerta avisando que algum chato estava me ligando…

Veja algumas fotos que fiz, em tamanho maior.

Quais serão os sonhos dele? Alguma gazela ágil e saltadora?

Quais serão os sonhos dele? Alguma gazela ágil e saltadora?

Bem alimentada, ela deu um mergulho e agora procura um local para cochilar...

Bem alimentada, ela deu um mergulho e agora procura um local para cochilar...

Enquanto os outros bichos dormem, ele está sempre ocupado com algo.

Enquanto os outros bichos dormem, ele está sempre ocupado com algo.

Que lugar lindo, minha gente! Merece uma visita.

Que lugar lindo, minha gente! Merece uma visita.





As igrejas do interior – III

17 05 2009

Volto aqui com as imagens das igrejas das pequenas cidades do interior, tão significativas para o povo que ali vive. Algumas antigas, bem conservadas, guardando ainda traços do barroco tardio, como a de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, mostrada aqui. Outras singelas e pobrinhas, mas belas exatamente por isso: pela singeleza.

As fotos estão creditadas aos autores: quando não há o crédito, é porque são minhas. Fotos sem crédito não serão publicadas.

Areia Branca-RN.

Areia Branca-RN. Foto de Alexandro Gurgel.

Paraú-RN.

Paraú-RN.

Caraúbas-RN.

Caraúbas-RN.

Caicó-Rn. Foto de Karl Leite.

Caicó-RN. Foto de Karl Leite.

Apodi-RN.

Apodi-RN.

Santa Cruz-RN. Foto de Hugo Macedo.

Santa Cruz-RN. Foto de Hugo Macedo.

Pedro Velho-RN. Foto de Karl Leite.

Pedro Velho-RN. Foto de Karl Leite.

Acari-RN.

Acari-RN. Foto de Hugo Macedo.

Itapetim-PE

Itapetim-PE

Tangará-RN. Foto de Karl Leite.

Tangará-RN. Foto de Karl Leite.





Ludwig II, da Baviera.

11 05 2009
Ludwig II da Baviera

Ludwig II da Baviera

Há muito estava pautado neste blog um post sobre o rei Ludwig da Baviera, de quem sou fã, e que construiu aquele espetacular castelo de contos de fadas no qual se inspirou Walt Disney para criar o castelo da Cinderela.

Aí, de repente não mais que de repente, vem o meu amigo José Roberto Whitaker Penteado e escreve sobre o mesmo tema, tão bem e tão bonito, muito melhor do que eu poderia fazer.

Sendo assim, segue o texto dele, que saiu publicado na revista Marketing, da Editora Referência. Enfeitei com umas fotinhas, mas o texto é do Zé Roberto e vai aí abaixo, integral, com epígrafe e tudo, do jeito que saiu na revista.

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LUDWIG DA BAVIERA, por José Roberto Whitaker Penteado.

Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.
T. S. Eliot, Terra Desolada (The Wasteland)

Castelo de Neuschwanstein

Desde que assumi a última página desta revista (em abril de 1979; sim, meus jovens, são 30 anos) – com carta branca do Armando Ferrentini para escrever sobre o assunto que quisesse, nunca imaginei que escreveria – um dia – sobre o rei da Baviera Ludwig Friedrich Wilhelm, ou, mais simplesmente, Ludwig II.

Mas vocês vão ver que tem muito a ver, com uma porção de coisas. A primeira delas é que não se deve dizer ou escrever Bavaria para nomear este importante estado alemão. Em português é Baviera – e quem criou a cerveja Bavaria, no Brasil, ou não sabia disso ou preferiu a denominação em inglês. Em alemão, Baviera é Bayern. As iniciais BMW, por exemplo, significam Bayerische Motoren Werke, em português: Fábrica de Motores da Baviera – e não da “Bavaria”.

Segundo, nós, brasileiros, entendemos pouco de nobreza européia – além da rainha Elisabeth II, D. João VI ou Napoleão. São tantos os reis, imperadores, príncipes, duques e arquiduques, que não temos reserva mental para todos. Assim, este Ludwig entrou na minha vida por dois caminhos: o primeiro foi o lindo castelo de

Ludwig, com Wagner

Ludwig, com Wagner

Neuschwanstein, encarapitado numa montanha, perto da Floresta Negra, que Walt Disney usou como modelo para o castelo de Cinderela, no desenho, e que acabou, de fato, reconstruindo, na primeira Disneylândia. O segundo foi quando descobri Wagner e sua música, e soube que viveu anos à custa do rei, tendo dele obtido, também, verbas para construir seu teatro e sua casa, em Bayreuth. Dizem os especialistas que a tetralogia das óperas que compoem O Anel do Nibelungo simplesmente não existiria, se não fosse pelo mecenato de Ludwig.

Mimetizando Luís XIV, que ele admirava.

Mimetizando Luís XIV, que ele admirava.

Aprendi também que Ludwig tem, até hoje, péssima reputação entre certas pessoas por ter-se dedicado a erigir castelos (construiu 4, reformou 2 e deixou planos para outros), apoiar as artes e os artistas e (recentemente, quando se começou a falar abertamente dessas coisas) porque era homossexual.

Foi assim que aluguei o DVD de um catatau de 4 horas de duração, dirigido por Lucchino Visconti, chamado – adivinharam – Ludwig. Pode parecer incrível, mas valeu a pena. LC conseguiu reconstituir quase fotograficamente o que deve ter sido a história deste peculiar soberano.

Ludwig, o filme

Ludwig, o filme

Caso V. seja um cinéfilo, vá e alugue o DVD para tirar as próprias conclusões. Mas a minha impressão é a de que, além de construir os castelos (que, hoje, são atrações turísticas extremamente lucrativas para o governo alemão) e de assegurar à posteridade as extraordinárias óperas que constituem o Anel, Ludwig foi um cara legal, politicamente hábil, pacifista e bom caráter, pois não quis empatar a vida da prima com um casamento de fachada, já que gostava de homens. Também acabou sendo morto através de uma conspiração e a falsa acusação de que era louco e se drogava. Pode?

Em matéria de rei, sou mais Ludwig da Baviera do que tantos tiranetes que adquiriram sua imerecida fama através de invasões, guerras e violência.

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Veja sobre o autor aqui.

Veja mais sobre Ludwig aqui e aqui.

Neusch no inverno, uma visão de sonho.

O Castelo de Neuschwanstein no inverno, uma visão de sonho.




Chove chuva…

3 05 2009

E HAJA CHUVA

Neste domingo, é só chuva por todo o lado. Meu apartamento no sexto andar parece estar suspenso em meio à névoa, mas não é névoa, é chuva mesmo, muita água. No interior nordestino, está tudo verde, tudo molhado, tudo lindo. Também há enchentes, há gente desabrigada, e fico triste de ver que o que causa tanta alegria a uns é suficiente para destruir a vida de outros. O trovão ribomba, e eu sinto uma saudade danada do interior, de estar naqueles serras, naqueles grotões, vendo o mundo se acabar debaixo dágua. Nem mesmo eu entendo porque sinto isso, porque nunca vivi nesses lugares. Deve ser coisa do DNA sertanejo que herdei dos antepassados.

ISSO É QUE É AVENTURA!

Veja no video a rapaziada caminhando em cima do paredão do Açude Gargalheiras, um dos maiores do Rio Grande do Norte. Um escorregão, e lá se vai uma queda de 30 metros vertedouro abaixo.

AUGUSTO BOAL

Morreu Augusto Boal, um dos maiores nomes do teatro, estudado no mundo inteiro, mais lá fora do que no Brasil. Lembro-me de uma oficina que fiz com ele na década de 1990, em Natal, uma experiência inesquecível. Depois, fomos todos à Praia de Ponta Negra, ver a Lua Cheia, e ele parecia um menino, rindo com tudo, se divertindo com tudo. Fica o registro e a tristeza da perda, para o teatro e para o mundo.

OS BOLINHOS

Ontem de noite, chovendo, sem ter o que fazer, deu vontade de fazer bolinhos, logo eu, que não sou chegada às artes culinárias. Lembrei da infância, revi Tia Adiza fazendo o mesmo nas tarde de sábado em Campina Grande, resgatando todo o saber culinário do Cariri nas suas mãos de ouro, e botei a minha mão, mesmo trôpega e rudimentar,  na massa. O resultado está aí, e a receita a seguir.

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Ingredientes: 1 gema, 4 colheres de sopa de margarina, 3/4 xícara de açúcar, 1/2 xícara de farinha de trigo, 1 xícara de maizena. Numa tigela bata a gema, a manteiga e o açúcar, acrescente aos poucos a farinha de trigo e a maizena. Quando estiver meia dura, amasse bem com as mãos. Faça pequenas bolinhas, achatando-as com um garfo. Leve ao forno médio em assadeira untada, por 15 minutos ou até que começem a dourar.

Se até eu consegui fazer, você acerta.

Esse post é dedicado a Tia Adiza, sentada na nuvenzinha, cuidando dos anjos do céu.