Chove chuva…

3 05 2009

E HAJA CHUVA

Neste domingo, é só chuva por todo o lado. Meu apartamento no sexto andar parece estar suspenso em meio à névoa, mas não é névoa, é chuva mesmo, muita água. No interior nordestino, está tudo verde, tudo molhado, tudo lindo. Também há enchentes, há gente desabrigada, e fico triste de ver que o que causa tanta alegria a uns é suficiente para destruir a vida de outros. O trovão ribomba, e eu sinto uma saudade danada do interior, de estar naqueles serras, naqueles grotões, vendo o mundo se acabar debaixo dágua. Nem mesmo eu entendo porque sinto isso, porque nunca vivi nesses lugares. Deve ser coisa do DNA sertanejo que herdei dos antepassados.

ISSO É QUE É AVENTURA!

Veja no video a rapaziada caminhando em cima do paredão do Açude Gargalheiras, um dos maiores do Rio Grande do Norte. Um escorregão, e lá se vai uma queda de 30 metros vertedouro abaixo.

AUGUSTO BOAL

Morreu Augusto Boal, um dos maiores nomes do teatro, estudado no mundo inteiro, mais lá fora do que no Brasil. Lembro-me de uma oficina que fiz com ele na década de 1990, em Natal, uma experiência inesquecível. Depois, fomos todos à Praia de Ponta Negra, ver a Lua Cheia, e ele parecia um menino, rindo com tudo, se divertindo com tudo. Fica o registro e a tristeza da perda, para o teatro e para o mundo.

OS BOLINHOS

Ontem de noite, chovendo, sem ter o que fazer, deu vontade de fazer bolinhos, logo eu, que não sou chegada às artes culinárias. Lembrei da infância, revi Tia Adiza fazendo o mesmo nas tarde de sábado em Campina Grande, resgatando todo o saber culinário do Cariri nas suas mãos de ouro, e botei a minha mão, mesmo trôpega e rudimentar,  na massa. O resultado está aí, e a receita a seguir.

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Ingredientes: 1 gema, 4 colheres de sopa de margarina, 3/4 xícara de açúcar, 1/2 xícara de farinha de trigo, 1 xícara de maizena. Numa tigela bata a gema, a manteiga e o açúcar, acrescente aos poucos a farinha de trigo e a maizena. Quando estiver meia dura, amasse bem com as mãos. Faça pequenas bolinhas, achatando-as com um garfo. Leve ao forno médio em assadeira untada, por 15 minutos ou até que começem a dourar.

Se até eu consegui fazer, você acerta.

Esse post é dedicado a Tia Adiza, sentada na nuvenzinha, cuidando dos anjos do céu.

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Rapidinhas

27 04 2009

gripesuinaMEDICINA PREVENTIVA

Hoje vou tomar vacina da gripe dos velhinhos. Já para a gripe dos porquinhos, ainda não inventaram nada que dê jeito.

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BOUTADE

Conta-se que o escritor Agripino Grieco foi abordado por um admirador, também escritor, que lhe  trazia seu primeiro livro, há pouco publicado. O tal escritor era do tipo que fica cavando laboriosamente um elogio do colega famoso, situação mais do que comum no meio literário. Travou-se então o seguinte diálogo:

– Dr. Agripino, – disse o escritor anônimo enquanto entregava-lhe o livro, e chamando logo o homem de “doutor” – meus inimigos estão dizendo que esse texto não é meu. Eles dizem que essse texto é do senhor, que é um plágio que eu fiz da sua obra.

Grieco  folheou o livro em silêncio, leu alguns trechos, e constatou:

– Eles não são seus inimigos, meu caro. Eles são MEUS inimigos.

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GABEIRA

gabeira1Decepcionada com Fernando Gabeira e a história das passagens, cada vez mais inclinada a não acreditar mais em nenhum político, fiz os versinhos aí, que postei no Twitter.

Na noite da ceia larga
Judas vendeu e traiu
e quando Cristo foi preso
Pedro temeu e mentiu
no festival das passagens
até Gabeira caiu…

“O que é meu, quero primeiro
Já que meu direito é!”
Com porcos comeu farelo
Com ladrões perdeu a fé
Também deve ter perdido
A tanguinha de croché…
(Clotilde Tavares)

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SEXTILHAS VS. TWITTER

Aliás, o Twitter é ótimo para improvisar essas coisas.Nos seus 140 caracteres cabe uma sextilha inteirinha.

twitter1

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O SONO DOS JUSTOS E A INSÔNIA DOS CULPADOS

Um artigo espetacular de Moacir Scliar sobre o sono. Aqui.

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DDA

Todo mundo já viu que eu hoje, em plena crise de DDA estou sem conseguir escrever um texto com mais de cinco linhas.

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Barragem Armando Ribeiro Gonçalves /RN. Foto de Canindé Soares

Barragem Armando Ribeiro Gonçalves /RN. Foto de Canindé Soares.

SÃO CANINDÉ SOARES, O PADROEIRO DAS ÁGUAS

Veja o belo espetáculo das águas no Rio Grande do Norte no blog do fotógrafo Canindé Soares, aqui.

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JET-LAG

life_serieAí vocês imaginem, dispersa do jeito que eu estou, baixei a primeira temporada da série Life e o pack de legendas veio TODO dessincronizado. Assisti três capítulos com a legenda fora da fala, com preguiça de mexer no programa de sincronização, que não-sei-porque acho umas das coisas mais difíceis de fazer no computador.

sofri que só, visse?

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ORGANIZE-SE

Como organizar suas revistas, como arrumar a bolsa, está tudo lá, no blog Chega de bagunça.

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ESTOU…

… LENDO livro nenhum. Ando inquieta.
… DESCOBRINDO o maravilhoso poeta que é William Butler Yeats. Voltarei a escrever sobre ele.
… BEBENDO água com gás com refresco tang.
… ASSISTINDO a série Life.
… BEIJANDO minha sobrinha neta Maria Luísa, um botãozinho de rosa que sexta-feira completou oito meses.
… ESCOLHENDO um personagem famoso da Paraíba para estudar a genealogia e história.
… CAMINHANDO contra o vento, sem lenço e sem documento.
… COZINHANDO bacalhau com salsão, para comer no almoço.
… DORMINDO o sono dos justos.
… ESCREVENDO o restante da genealogia dos Santa Cruz, que comecei no ano passado.
… OUVINDO Norah Jones.
… SONHANDO com um aparelho de DVD novo para reproduzir meus filminhos. O atual pifou.
… ACENDENDO velas para Santa Zoraide, minha santinha de devoção, para ela me ajudar nessa fase dispersa em que estou agora.





E haja chuva!

16 04 2009

O açude Gargalheiras, lá no Seridó Potiguar, está sangrando. As estrofes são dos poetas Rogério e Chico Alves e a foto é de Hugo Macedo.

gargalheiras_2009

“Vou pra ver o açude botar cheia
Que o sertão quando chove é um encanto
O volume da água aumenta tanto
Que a garganta da serra se aperreia
O trovão estremece, o céu clareia
O açude transborda, a mata cheira
Sopra o vento, as estradas sem poeira
Rio cheio, sol frio e flor no prado
O açude está cheio, o chão molhado
Vou voltar pro sertão segunda-feira”.

“No início o carão deu um aviso
Uma nuvem rasgou-se e fez inverno
E o sertão que sem água era um inferno
Num minuto tornou-se um paraíso
E nós vamos tirar o prejuízo
Desses anos de seca e quebradeira
Vamos ter nos festejos da fogueira
Milho verde, canjica e bode assado
O açude está cheio, o chão molhado
Vou voltar pro sertão segunda-feira.”